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Você está ciente da sua própria estrutura?

Krishnamurti: Isto é para ser uma discussão ou um diálogo um diálogo sendo uma conversa entre duas pessoas. E, como isso é impossível ter uma conversa entre duas pessoas, incluindo tantas talvez poderíamos tratar de um problema que pode afetar todos nós e discuti-lo como se fosse entre duas pessoas. Ou poderíamos fazer disto um encontro de perguntas e respostas. Assim, qual vocês preferem? Discussão geralmente termina em um argumento que poderia ser um tanto fútil oferecer uma opinião contra outra um julgamento contra outro e assim por diante. Mas enquanto que um diálogo uma conversa entre duas pessoas que são amigas que estão preocupadas com um problema que é mútuo e talvez elas possam falar dos seus problemas profundamente tranquilamente, seriamente e com um senso de humor. Ou poderíamos fazer disto um encontro de perguntas e respostas. Aí também, de novo, que tipo de pergunta se faz, quem está perguntando, qual o propósito de perguntar e quem irá responder à pergunta e etc – tudo isso está envolvido nisto tudo. Assim, qual vocês preferem, ou acham apropriado entre pergunta, diálogo ou discussão?

Questioner: Diálogo.

Krishnamurti: Se é pra ser um diálogo sobre o que devemos falar lembrando que um diálogo é entre duas pessoas uma conversa amigável, fácil, tranquila e penetrante? Assim, sobre o que devemos falar juntos?

Questioner: Senhor, gostaria de fazer uma pergunta, não necessariamente um diálogo. Você estava dizendo ontem que o caos e a violência no mundo é um resultado da nossa vida cotidiana. Mas eu não acho que seja assim tão fácil. Se você pega o espectro, em uma ponta do espectro você põe Hitler e na outra ponta do espectro você põe uma pessoa como Schweitzer então você tem duas pessoas que estão fazendo algo bem diferente: uma pessoa está tentando ajudar a humanidade e a outra pessoa está tentando destruir a humanidade. Ora, se você deixa isso de lado por um momento: pegue qualquer pessoa nesta tenda dê a eles o ambiente certo, o trabalho certo eles estão livres do conflito, não estão fisgados pela religião ou drogas e ficam com câncer. Agora a visão religiosa convencional diria que este é um ato de deus, o que é loucura, obviamente. Mas você poderia dizer que esta pessoa tem uma disposição à doença. Agora realmente me parece que no mundo, hoje há pessoas que são definitivamente pelas forças do bem e aquelas que são pelas forças da destruição.

Krishnamurti: O cavalheiro pergunta por que você diz que o mundo está no caos porque nós estamos no caos, cada um de nós: incertos, argumentativos, ambiciosos, egoístas, violentos o que talvez pode projetar no mundo tendo em mente que nós somos o mundo não somos diferentes do mundo. E há pessoas boas, o interrogante diz e há algumas pessoas más, caras maus e caras bons e seria errôneo da sua parte dizer que porque vivemos nas nossas vidas individuais particulares bastante violentas, feias e etc, isso seja talvez um tanto impreciso. Certo, senhor? Que outras perguntas vocês gostariam de discutir, falar a respeito?

Questioner: Eu gostaria de fazer uma pergunta, se me permite. Eu estava processando na minha mente o que você disse ontem sobre registrar memórias. E o que me intrigou foi, se você fosse me fazer uma pergunta se eu fosse vivenciar totalmente o que você estivesse me dizendo que ao final da pergunta se eu a tivesse vivenciado totalmente que eu não saberia que você me havia feito uma pergunta para ser capaz de respondê-la. E o que eu gostaria de lhe perguntar é: é possível que tenhamos duas partes para nossa comunicação que são os dois hemisférios do cérebro um que apenas recebe e registra totalmente, o tempo todo e a outra parte que transmite que de fato não precisamos registrar porque se nós vivenciamos, não precisamos registrar. É possível que – minha mente teve um branco agora, desculpe. (Risos) Quando recebemos, não somos capazes de apagar essa memória que ela está lá totalmente e que na verdade é nossa escolha se usamos um lado do cérebro ou o outro e até que ponto usamos cada lado do cérebro.

Krishnamurti: O interrogante diz que há duas esferas no nosso cérebro uma que está recebendo, registrando, memorizando, e a outra parte, talvez a outra parte que é mais livre, que não é condicionada e logo existe esta dualidade acontecendo em nós. E a memória, a lembrança de algo particular desta esfera é necessária. Essa é a sua pergunta. Alguma outra pergunta?

Questioner: Sim, você poderia por favor falar sobre o problema que surge quando a intensidade dos sentimentos de alguém e suas emoções bloqueiam a sua consciência de pensamento.

Krishnamurti: Quando as emoções e sentimentos e reações de alguém que são intensas e fortes, bloqueiam uma percepção, o que se deve fazer?

Questioner: Eu entendi que a meditação é um modo de vida constante assim você acha que não é preciso sentar em posição de lótus às vezes. Isso é uma coisa. E a outra coisa é quando retornamos daqui e estamos todos sozinhos na multidão onde encontramos a força pra continuar? Sinto-me perdido.

Krishnamurti: Sim. Será necessário sentar em uma certa posição posição de lótus introduzida pela Índia e o Oriente será necessário sentar dessa maneira para meditar? E será necessário separar uma certa parte do dia para ter – sonhos acordado! (Risos)

Questioner: Não, para respirar.

Krishnamurti: Eu entendo (risos), só estava brincando. E como é que se faz, quando se sai daqui para ter a força de enfrentar todo o isolamento solidão, todo o trabalho extenuante da vida. Essa é a pergunta.

Questioner: Para manter essa maneira de vida.

Krishnamurti: Sim.

Questioner: Você vê alguma relação entre a consciência e confiança, fé?

Krishnamurti: Fé? Oh, você vê alguma diferença entre ser diferente e fé. Eu não sei do que se trata – não importa.

Questioner: Consciência.

Questioner: Relacão entre fé e consciência.

Krishnamurti: Esse é o correto – senhor, desculpe. Qual é a relação entre consciência e fé. Sim, senhor?

Questioner: Eu gostaria muito de fazer uma pergunta relacionada com a primeira pergunta. É que pode-se ver bastante claramente que a própria dor psicológica de cada um a dor no mundo como um todo é causada por nós, uma projeção. Mas parece que há dor no universo como um todo, não causada por seres humanos. O tipo de coisa a que me refiro é a a imperfeição genética talvez com crianças nascendo com doenças assustadoras que não se pode atribuir a seres humanos. Em outras palavras, um universo levemente imperfeito que causa dor. Este é um problema e tanto quando pensamos nele.

Krishnamurti: Se eu entendi bem a pergunta permita-me pô-la nas minhas próprias palavras, senhor para ver se nos entendemos? Que não há apenas sofrimento individual cada pessoa sofre de maneiras diferentes mas também parece haver um sofrimento universal um sofrimento global – crianças nascem deformadas mentalmente retardadas e etc, etc. Agora um minuto por favor – qual dessas perguntas querem discutir? Que é, primeiro, a pergunta que o cavalheiro fez: você pode estar errado quando diz que porque vivemos no caos e incerteza e violência e assim criamos um mundo que é caótico violento e assim por diante, essa pode ser uma pergunta errada. Está sendo exato ao dizer isso? Eu reduzi a uma coisa pequena, senhor. E a outra pergunta é: precisamos sentar na meditação em uma posição específica lótus como é chamada na Índia e foi trazida para este país. E a outra é, sua pergunta emoções e sentimentos que são intensos põem-se no caminho da observação, clareza e consciência. E a outra pergunta é: qual é a relação entre consciência e fé? E aquela pergunta que o cavalheiro colocou, que é: não há somente sofrimento individual humano mas há sofrimento global, universal. Agora, qual dessas perguntas?

Questioner: E sobre a solidão?

Krishnamurti: Ninguém perguntou sobre solidão, eu a introduzi.

Questioner: A pergunta sobre registro, os dois lados do cérebro.

Krishnamurti: Oh, sim, perdoe-me – certo.

Questioner: Senhor, mais uma pergunta.

Krishnamurti: Espere um minuto, senhor. Deixe-me Aquele cavalheiro perguntou que talvez duas esferas no cérebro uma que registra, lembra, acumula conhecimento vivência, cultiva memória e etc. a outra parte talvez seja não-condicionada. Qual é a relação entre as duas? Está certo, senhor? Agora sem mais perguntas.

Questioner: Mais uma pergunta. Qual a fonte da urgência, energia para investigar todas essas questões?

Krishnamurti: Qual é a fonte, o impulso, o empurrão, a pressão por que alguém deveria interessar-se por essas coisas todas?

Questioner: E, senhor, qual é o início da memória e existe um ponto no tempo quando a mente vê a idade de um problema?

Krishnamurti: Qual é o início da memória e qual é

Questioner: Existe um ponto no tempo quando a mente vê a idade de um problema, como o medo ser mais velho que o cíume?

Krishnamurti: Eu não compreendi bem.

Questioner: Eu percebo que o medo é mais velho que o ciúme. Há momentos em que eu posso ver a idade de um problema. É uma questão bastante séria sobre reencarnação.

Krishnamurti: Ah, você quer discutir reencarnação. Agora, qual dessas questões vocês gostariam de discutir juntos?

Questioner: Sofrimento global.

Questioner: Emoções.

Krishnamurti: Vocês decidem. (Risos)

Questioner: Emoções.

Questioner: O uso da energia.

Questioner: Reencarnação.

Questioner: Krishnaji, você poderia lidar com elas todas de alguma forma ao responder uma pergunta? (Risos)

Krishnamurti: O interrogante pergunta: você poderia incluir todas as questões em uma pergunta, uma afirmação? Talvez poderíamos, e isso

Questioner: Você disse que deveria se esquecer do passado e

Krishnamurti: Eu nunca disse que poderíamos esquecer o passado, senhor.

Questioner: Você deveria esquecer o passado, você disse isso anteontem.

Krishnamurti: Não, eu não disse.

Questioner: Quando você tem sofrimento, tem um dedo machucado ou isso vem na sua memória é memorizar e o passado é difícil de esquecer, percebe. Eu quero saber como podemos esquecer o passado.

Krishnamurti: Eu não me perdoei por contradizê-lo, senhor mas eu não disse esqueça o passado. Não se pode esquecer o passado. Entraremos nisto tudo pegando uma pergunta que talvez incluirá todas as outras. Podemos pegar? Agora, qual deve ser? Apenas pense, senhor. Olhe, tivemos vários problemas apresentados a nós e o cavalheiro sugere que deveríamos talvez ao investigar uma pergunta uma afirmação, poderíamos talvez incluir todas as outras. Eu acho que isso poderia ser feito. Mas qual devemos pegar que incluirá todas as outras?

Questioner: Emoções.

Krishnamurti: Só um segundo, senhor. Apenas um segundo. Vamos descobrir. Qual pergunta incluiria todas as outras?

Questioner: De onde vêm todas estas perguntas?

Questioner: Perguntamos onde está o impulso de todas estas perguntas.

Krishnamurti: Qual é a fonte de todas estas perguntas.

Questioner: A fonte disto é a energia que faz as perguntas.

Krishnamurti: É isso que vocês estão perguntando, interessados na fonte da energia que faz todas estas perguntas?

Questioner: Não.

Questioner: Você poderia responder a pergunta: o que é insight e por qual processo ele acontece?

Krishnamurti: Senhor, veja, há tantas.

Questioner: O registro na mente.

Questioner: Você decide, ou não vamos começar nunca. (Risos)

Krishnamurti: Você tem toda razão. (Risos) Poderíamos assumir a relação entre consciência fé e emoções, meditação e qual é a necessidade de um cérebro que ele deveria registrar de todo não os dois, mas a necessidade de registrar absolutamente. Poderíamos, pegando uma pergunta, isso poderia Eu acho que poderíamos fazer. Sugiro isto, não estou dizendo que deva ser dessa maneira. Sugiro que discutamos qual é a relação que poderia incluir todos estes. Qual é a relação entre consciência, fé, meditação o registro, o sofrimento global do homem no qual está incluído o sofrimento de cada um de nós. Certo?

Questioner: E o registro.

Krishnamurti: E registro – eu disse isso. Agora, podemos começar falando sobre o registro e relacionar isso à consciência e à intensidade das nossas emoções e etc? Certo? Assim começaremos, se pudermos, se por favor me corrijam, eu não sou o Oráculo de Delfos se acham que deveríamos discutir alguma outra coisa, estamos dispostos mas vamos começar perguntando: qual a necessidade de uma mente humana, de cérebro para registrar qualquer coisa, absolutamente? Antes de tudo, estamos conscientes, sabem, cientes deste processo de registro acontecendo? Compreende? Estou apenas começando com isso. Você, como ser humano sabe, ou está ciente, que você está registrando? Entende minha pergunta? Ou você aceitou a afirmação e então procede para questionar a afirmação? Você está ciente de que registra certas coisas? Um incidente infeliz de ontem está registrado. Você está ciente deste processo de registro acontecendo? Ou está meramente aceitando uma afirmação de alguém? Vê a diferença? Se aceito uma afirmação que você fez e questiono sobre essa afirmação, que é uma coisa ao passo que se estou ciente de que estou registrando então minha pergunta tem uma qualidade diferente. Certo? Então, o que é que estamos fazendo agora? Estamos cientes de que estamos registrando? Você está ciente agora, sentado aí de que está registrando o que está sendo dito que significa que você está de fato ouvindo o que está sendo dito. Certo? Você está? Ou ainda está intrigado quanto ao porquê da necessidade de registrar? Vê a diferença? Podemos continuar desta maneira, lentamente?

Questioner: Senhor, a pessoa é ciente de que se atém ao que está sendo dito.

Krishnamurti: Sim, é isso. A pessoa é ciente de que se atém ao que está sendo dito. Agora, por que é que se atém ao que está sendo dito? Quando o orador diz que não há orador você está ouvindo a si mesmo está investigando a si mesmo por que atém-se a uma afirmação feita por esta pessoa? O que significa que você não está de fato ouvindo a si mesmo.

Questioner: Senhor, você quer agir nisto.

Krishnamurti: Não, não, quer dizer, vê a diferença, senhor? Se te dizem que você está com fome, isso é uma coisa mas se você está realmente com fome, é outra. Obviamente, certo? Assim, qual é? Você está realmente com fome ou te disseram que você está com fome? Ou seja, você está ciente de que está registrando atendo-se a uma afirmação a uma frase, a alguma conclusão, a uma ideia e etc. que é o registro acontecendo? Certo, senhor? Agora por que você quer registrar o que está sendo dito? Porque ou o orador deve ter uma reputação ou você pensa que ele sabe algo mais do que você ou você está esperando que ele resolva os seus problemas assim você está dependendo de outro. O outro diz « Por favor, não dependa de ninguém, incluindo o orador » Acompanha? Assim, sejamos claros neste assunto. Você está ciente de todo o momentum, o movimento do registro? Quero dizer, você pode ver um gravador de fita registrando. Certo? Você está similarmente ciente de que está gravando? Ou lhe contaram que você está gravando. Vê a diferença? Se lhe contaram que você está gravando, isso é uma coisa não tem valor, é como uma fita você pode arrancá-la e uma nova fita pode ser colocada ao passo que se você descobre por si mesmo que está registrando e faz a pergunta: « Por que estou registrando qual é a necessidade de qualquer tipo de registro? » Então podemos continuar então podemos nos comunicar um com o outro. Mas se você está dizendo, bem você falou ontem sobre registro estou incrivelmente interessado nesta ideia, vamos falar sobre ela. Então isso fica meramente no nível verbal, não tem significado. Pelo menos para mim, não tem qualquer tipo de sentido. Enquanto que se você diz « Eu quero descobrir isto, por que eu registro » podemos continuar nesse rumo?

Questioner: Sim.

Krishnamurti: Por que você registra, se está ciente disso? Obviamente você registra quando algo é perigoso. Certo? Um precipício, uma cobra, um animal perigoso, ou um homem perigoso ou um motor vindo descontrolado na sua direção, é perigo. Você registra imediatamente, para se proteger. E você também registra quando há prazer. Assim este processo está acontecendo o tempo todo. O registro de tudo que é perigoso. Certo? E tudo que dá a alguém um grande prazer. Pode-se dizer que o registro começou com o primeiro homem o homem das cavernas, seja lá como eles viveram. Você pode ver que lá eles tinham que registrar o perigo de outra forma eles seriam destruídos. Assim vamos descobrir o que é perigoso para que registremos e então podemos continuar com o outro. Quais são as coisas mais perigosas na vida que deveriam ser registradas? Não dependendo de opiniões individuais. Me pergunto se estou sendo claro.

Questioner: Sim. Sim.

Krishnamurti: Porque para mim uma coisa pode ser mais perigosa e, para você, você diz que isso é muito bobo. Assim, deve ser um fator comum para um ser humano cuja necessidade é registrar o perigo e consequentemente evitá-lo. Certo? Perigo significa evitar, não chegar perto não tocar, não se envolver. Certo, senhor? Assim o que é mais perigoso para você, nós seres humanos?

Questioner: O que perturba a mente.

Krishnamurti: Não, não. Fisicamente. O que é mais perigoso? Não o que perturba sua mente. Você está saindo para alguma – por favor comece no nível mais baixo.

Questioner: É isso que me perturba, que é mais perigoso para mim.

Krishnamurti: Veja, é isso que eu estava tentando evitar. O que é mais perigoso para mim eu disse que poderia não ser tão perigoso para outro. Assim, não olhe, se me permite sugerir não tome a si mesmo e diga este é meu perigo particular. Veja o perigo do que é perigoso para o homem.

Questioner: Ameaça física.

Questioner: Ameaça para a sobrevivência.

Krishnamurti: Sim, ou seja, não-sobrevivência. Não sobreviver. Quer dizer Desculpe, eu estou colocando da maneira errada. A exigência é sobreviver. Qualquer coisa que destroi essa sobrevivência é perigoso. Certo? Para todos os seres humanos, não para mim ou para você, para todos nós.

Questioner: Por quê?

Krishnamurti: Por quê? Por que deveríamos sobreviver.

Questioner: Permite-me reformular a pergunta? O que é mais importante que a sobrevivência?

Krishnamurti: Espere senhor, chegaremos lá lentamente.

Questioner: Desculpe.

Krishnamurti: Venha, senhor. Sobrevivência, e a senhora diz por que deveríamos sobreviver. Não, é uma pergunta séria. Por que deveríamos sobreviver? Qual é a necessidade de sobrevivência e esta urgência A exigência de existir, sobreviver, viver? Continuem senhores, respondam.

Questioner: Instinto.

Krishnamurti: Instinto. Não é isso. Os pássaros têm o instinto de sobreviver, os animais os répteis, o mais elementar sabe, tudo exige sobrevivência.

Questioner: Prazer na vida.

Questioner: Medo da morte.

Krishnamurti: Medo.

Questioner: Porque pensamos que é importante sobreviver.

Krishnamurti: Não entendo por que você faz essa pergunta: qual é a necessidade da sobrevivência. Aqui está você! Se você não tivesse exigido sobreviver, não estaria aqui e eu não estaria aqui, nenhum de nós estaria aqui os pais não nos produziriam, eles também não existiriam. Assim o mundo não existiria Assim, qualquer coisa que é perigosa à sobrevivência, devemos registrar. Certo? Fisicamente um carro vindo em nossa direção, pulamos fora da pista. Certo? Então deve haver algum tipo de registro para proteger o organismo. Certo? Ter um teto, ter roupas, ter comida isso é aparentemente natural em toda coisa viva. E assim evitamos qualquer coisa que seja perigosa. Certo? Vamos investigar um pouco mais. A crença é perigosa para a sobrevivência física?

Questioner: Sim.

Krishnamurti: Então você não tem crenças.

Questioner: Tenho uma crença particular uma crença condicionada que não

Krishnamurti: Entendo, senhor, entendo. Acredito em algo ou em alguma ideia, em algum objetivo, e etc – uma crença assim, estou perguntando a cada um de nós, estou perguntando: a crença é um perigo para a sobrevivência física?

Questioner: Não.

Questioner: Pode ser.

Questioner: Na Irlanda do Norte.

Krishnamurti: Na Irlanda do Norte.

Questioner: Não vamos falar de política agora, por favor.

Krishnamurti: Eu sei, isso

Questioner: Uma consciência equivocada pode ser

Krishnamurti: Não, não, não, por favor. Estou pegando a crença, não comece muitas coisas de uma vez. Pegue um fator, siga-o passo a passo dentro dele. A crença é um perigo à sobrevivência? Eu acredito no Catolicismo e você é Protestante Sou Católico, acreditamos em coisas diferentes. Olhe o que está acontecendo na Irlanda do Norte o que está acontecendo no Oriente Médio e etc e etc. Para a sobrevivência física, aparentemente a crença é uma coisa muito perigosa.

Questioner: Senhor, posso perguntar: não precisamos de crença em assuntos técnicos?

Krishnamurti: Em assuntos técnicos, por que até lá você teria crença? Você trabalha, e aprende e continua. Não, apenas por favor, investigue por si mesmo não me questione, eu posso mas descubra se você tem crenças, qualquer forma de crença e essa crença não divide as pessoas? Crença pode ser uma conclusão, um conceito uma opinião, opinião fortemente mantida.

Questioner: Preconceito.

Krishnamurti: Tudo isso, incluído. Podemos juntar um monte destas palavras mas vamos descobrir se cada um de nós tem uma certa crença: que eu sou Cristão, que eu sou Inglês, um Francês, ou – sabe, todo o resto disso. Não é isso um tremendo perigo para a sobrevivência física.

Questioner: Sim, senhor.

Krishnamurti: Você diz sim, senhor, mas está livre disso?

Questioner: Não, senhor. (Risos)

Krishnamurti: Ah, então

Questioner: Crença no bem em cada uma dessas crenças.

Krishnamurti: Assim, sei. Ensinamos na escola cada uma dessas coisas. Assim a história pode ser reescrita de maneira diferente.

Questioner: Certamente que a crença é uma coisa boa.

Krishnamurti: Você não está realmente interessado em descobrir por si mesmo. Pelo amor de deus, escute! Você é realmente sério para descobrir a necessidade do registro e a inadequação psicologicamente de qualquer forma de registro? Estamos discutindo isso. Se você diz que a crença é um perigo então por que persiste nela dizendo sou um Hindu, você é Muçulmano ou você é Judeu ou você é comunista – por que persiste com estas palavras?

Questioner: Porque talvez não se compreenda completamente.

Krishnamurti: Assim, o cavalheiro sugere que não se vê isto completamente. O perigo, não vê completamente o perigo de qualquer forma de crença, que é obviamente não-fato. Por que persiste nisso?

Questioner: Toda crença é uma estrutura de suporte.

Krishnamurti: Sim, crença é um suporte. Se é um suporte perigoso por que não o larga?

Questioner: Eu larguei alguns, mas não vi

Krishnamurti: Ah! (Risos)

Questioner: Mas não todos provavelmente quando eu vir todos eles, só então os largarei.

Krishnamurti: É como todos nós, senhor queremos manter alguns que são prazerosos, que são agradáveis que são confortáveis e descartamos os outros.

Questioner: Sugiro, se me permite, que não são as sensações as sensações físicas de uma experiência perigosa que registramos, mas que é o raciocínio que atribuímos a elas na hora em que as registramos em nossas mentes.

Krishnamurti: Está certo senhor. Vamos investigar isso passo a passo senhor. Falamos sobre sobrevivência física e qualquer coisa que é perigosa a isso deve ser totalmente evitada se você quiser sobreviver. E a crença, qualquer divisão entre as pessoas é muito destrutiva. Certo? Se você é um Cristão, eu sou um Budista e eu luto pelo meu Budismo e você luta por alguma outra coisa não há segurança física Toda guerra mostrou isto. Certo? Toda guerra é o resultado do nosso condicionamento particular das nossas crenças particulares, etc. etc. Assim você largará todas essas crenças porque essa é a coisa mais perigosa para a sobrevivência?

Questioner: Você está dizendo que qualquer um que acredita em algo das pessoas que você mencionou ontem, os políticos padres, gurus, não está sendo honesto consigo mesmo e que somente Krishnamurti pode apresentar a verdade? (Risos) Que somente a verdade está disponível de você e não devemos acreditar em nada de qualquer outra pessoa.

Krishnamurti: Eu não pude ouvir por inteiro senhor alguém que tenha entendido por favor repita.

Questioner: Não é a crença que é a ameaça à sobrevivência é a crença na crença que é a ameaça à sobrevivência é uma atitude mental o sentimento de que a crença é algo verdadeiro o tempo todo.

Krishnamurti: Senhores, drogas são perigosas para a sobrevivência beber é perigoso, fumar e aquele negócio todo nós largamos todas essas coisas porque elas são perigosas?

Questioner: Quando vemos um cigarro

Krishnamurti: Senhor, é só isto. Assim, de fato estamos discutindo intelectualmente verbalmente esta ideia de sobrevivência. Não ligamos de fato se sobrevivemos ou não. Apenas existimos. Assim, continuemos daí. Psicologicamente por que você registra?

Questioner: Medo.

Krishnamurti: Não, apenas olhe, senhor. Olhe para dentro de si mesmo. Posso responder estas perguntas muito rápido, mas por favor investigue. É uma conversa entre nós dois nós dois são todos nós, você e eu, uma conversa na qual estamos dizendo: por que eu, ou você registramos psicologicamente qualquer coisa?

Questioner: Porque não podemos evitar. Apenas acontece.

Krishnamurti: Pode ser nosso condicionamento. Pode ser nossa educação. Pode ser nossa condição social e econômica e etc e etc. Assim, estamos condicionados a aceitar este registro psicológico. Agora estamos dizendo, tudo bem, esse é um fato. Agora por quê?

Questioner: Na verdade, registra-se de fato?

Krishnamurti: Sim, registra-se realmente, esse é o fato. Mas estou perguntando por quê? Descubra. Pergunte a si mesmo senhor, não a mim, pergunte a si mesmo: Registro meus ferimentos, meus prazeres, o que você me disse o que você não fez, sua chateação, isto, aquilo, 10 coisas diferentes. Por que eu registro psicologicamente?

Questioner: Registro biológico para proteger o organismo é transformado para o nível psicológico.

Krishnamurti: Há o registro biológico que dissemos ser necessário e registro psicológico. Dissemos, por que registramos psicologicamente, absolutamente?

Questioner: Por segurança. Para sentir-se seguro.

Krishnamurti: É assim? Ou você está isolando a si mesmo o que lhe dá a ilusão de que está seguro. Você nem mesmo

Questioner: Porque não temos escolha.

Questioner: Porque pensamos que podemos resolver as coisas pelo pensamento.

Krishnamurti: Você disse que não temos escolha – por quê? Q;É a natureza humana.

Krishnamurti: Não, apenas O cavalheiro disse que não temos escolha. O que você quis dizer com a palavra « escolha »? O perigo é uma escolha? E por que você escolhe?

Questioner: Condicionamento.

Krishnamurti: Não, não, não jogue fora

Questioner: Podemos dizer biologicamente, digamos que gosto de fumar ou o que for. Certo? Isto é perigoso mas é prazeroso, assim o pensamento tem uma escolha.

Krishnamurti: Sim. Estamos tentando descobrir o significado da palavra « escolha » a profundidade dessa palavra. Escolho entre duas peças de tecido para calças ou um casaco.

Questioner: Isto existe?

Krishnamurti: Espere, espere. Escolha. E escolho ir àquele lugar e não àquele lugar. Escolho este guru e não aquele guru. Escolho acreditar nisto e não naquilo. Estou questionando, perguntando, se você gentilmente ouvir para descobrir por que você escolhe, qual é a fonte da sua escolha?

Questioner: Desatenção.

Questioner: Proteção e prazer novamente. Proteção e prazer.

Krishnamurti: Não, não. Quando você escolhe? Você não escolhe quando está incerto?

Questioner: Quando em conflito.

Krishnamurti: Um homem que é muito claro – claro – não há escolha. É assim.

Questioner: Quando você não sabe.

Krishnamurti: Ah, senhor, o que isso significa? Está certo, quando você não sabe. Você acha que irá encontrar

Questioner: Uma coisa você escolhe sobre uma certeza, outra sobre uma não-certeza.

Krishnamurti: Sim, é a mesma coisa. Quando se é muito claro, você não escolhe Quando sabe exatamente qual estrada pegar para um certo lugar não há escolha. É só quando você está incerto que começa a escolher ou perguntar, questionar, descobrir. Então estou perguntando, psicologicamente a escolha existe apenas quando você está confuso, incerto – não? Quando você está muito claro não há necessidade de escolha. Então uma mente que está confusa escolhe. Vocês estão todos silenciosos sobre essa afirmação.

Questioner: Poderíamos discutir por que a mente está confusa?

Krishnamurti: Espere senhor. Eu quero ver – por favor, olhe para isto senhor. Estamos discutindo, tentando discutir juntos por que o cérebro registra. O cérebro biologicamente, dissemos organicamente, precisa registrar. Psicologicamente, internamente, estamos perguntando, por que registramos? Alguém disse que é porque não temos escolha no assunto. E a palavra « escolha » implica escolher entre isto e aquilo. Agora quando você vê o perigo você não escolhe (risos) – certo? Você vê o perigo e se mexe. Não diz « Bem, devo ir para a direita ou para a esquerda está certo, está errado » – (Risos) Assim similarmente estou perguntando: psicologicamente qual é a necessidade de registro? Ele nos ajuda a nos proteger?

Questioner: Sim. Quando nos estabelecemos na vida estamos preocupados com a sobrevivência do corpo mas logo a mente assume a sobrevivência da mente.

Krishnamurti: É isso que estamos dizendo. A sobrevivência física deslizou para a sobrevivência psicológica. Certo?

Questioner: Sim.

Krishnamurti: Agora eu digo, por quê?

Questioner: Isso exercita um senso de identidade.

Krishnamurti: Identidade com quem?

Questioner: Porque não sabemos de fato o que é certo. Não com tanta certeza.

Krishnamurti: Assim, você quer descobrir o que é certo.

Questioner: É escolha.

Krishnamurti: Como você descobre o que é certo quando a sua mente está (risos) um pouco incerta, e confusa? Não, você está saindo, você não se atém a uma coisa de cada vez. Por favor, me desculpe. Psicologicamente, por que eu registro?

Questioner: Porque queremos registrar. Q;Porque não sou completo?

Krishnamurti: Não, senhor. Olhe dentro de si, você descobrirá.

Questioner: Para acumular experiência.

Krishnamurti: Para acumular experiência que é conhecimento, que então se torna memória. E sem memória, sem conhecimento você não é ninguém. Assim dizemos « Por Deus, eu devo ter algum conhecimento sobre... » – certo? – de outra forma não sou ninguém. É isto que estão dizendo? Vocês não estão pensando sobre tudo isto.

Questioner: Deseja-se proteger a si mesmo

Krishnamurti: Deseja-se proteger a si mesmo. Biologicamente, organicamente, você precisa. Nós aprendemos como fazer isso muito bem. Apesar das guerras, apesar dos terroristas, exceto as vítimas. Agora estamos dizendo psicologicamente você se protege? O que é que você está protegendo?

Questioner: Eu acho que é

Krishnamurti: Por favor me responda. O que é que você está protegendo?

Questioner: Toda esta memória.

Questioner: Sua ideia de si mesmo.

Questioner: Nossas mentes tornam-se tão atravancadas com o que está nelas que ela se torna maior que nossa experiência dos nossos corpos. Assim nossas mentes ficam lá em cima e por isso somos mais cientes de nossas mentes que de nossos corpos. E pensamos que é a nossa mente que deveríamos proteger.

Krishnamurti: Assim você dá mais atenção ao seu corpo e menos atenção ao cérebro.

Questioner: Não, o contrário.

Krishnamurti: Sim, fica mais e mais confuso.

Questioner: Sim. (Risos)

Krishnamurti: Percebe, senhor, registramos psicologicamente para sermos algo. Certo? Psicologicamente. Certo? Registro onde nasci, isso é simples. O cérebro registra porque ele foi treinado para aceitar certos estratos da sociedade e isso dá psicologicamente à pessoa uma posição um senso de poder, um senso de superioridade. Então este registro psicologicamente gradualmente constrói o ego, o « eu » – certo? Não é assim? Não aceite o que estou dizendo, por favor, olhe para si mesmo. Se você não registrasse psicologicamente, teria um ego?

Questioner: Não.

Krishnamurti: Obviamente que não. Psicologicamente você é agressivo, abrasivo, violento isso lhe dá um certo senso de – você sabe, autoridade uma certa sensação de garantia. Assim este processo gradual de registro psicologicamente constrói o sentido do « eu ». Isso é um fato, não? Eu, minha opinião, meus julgamentos, minha esposa, meu marido minha menina, sua menina, garoto, minha casa, minha qualidade minha experiência, meus ferimentos, meus medos, meus eu sou tudo isso, psicologicamente. Certo? É um fato. Você não tem que concordar com o orador, é assim. Então eu digo a mim mesmo, por que eu construo este ego por que há esta constante construção do eu?

Questioner: Para protegê-lo.

Krishnamurti: O que você está protegendo?

Questioner: Só estou tentando me manter firme àquilo, mais e mais.

Krishnamurti: Sim, senhor. Depois de construí-lo você se prende a ele agarra-se a ele, diz, « não ouso quebrá-lo »

Questioner: É como um castelo de areia.

Krishnamurti: Sim, areia Não desvie para símiles. Atenha-se a uma coisa. Assim eu digo, qual é a necessidade disto porque isso traz enorme confusão, enorme dor? Estou ferido, estou assustado, estou ansioso, estou com ciúmes sou ambicioso, eu não devo, eu devo ser – está seguindo? esta batalha está acontecendo constantemente ficando mais e mais forte emocionalmente, mais intensa. E o que estou construindo? Qual é a realidade desta estrutura? Compreende? A realidade, no sentido de que isto é real o microfone na minha frente é real. De fato eu posso tocá-lo. Eu posso tocar a estrutura psicológica do « eu »? Não posso. Assim trata-se meramente de uma construção de palavras. Isto é bastante difícil de aceitar. constrói-se no relacionamento os ferimentos, a adulação, o conforto e assim gradualmente a partir disso eu dependo de você. E você me fere fazendo algo, então me agarro em você para não me ferir. E etc e etc e etc e etc. Agora, por que fazemos isto?

Questioner: Estamos protegendo a parte de nós que não sabe.

Krishnamurti: Ah, não. Não sabemos o que acontecerá se não houver a construção do « eu ». Certo? Irei descobrir. Irei descobrir se disser « Tudo bem, irei descobrir deve haver um processo onde não há a construção. » Certo? Então descobrirei o que acontece. Mas especular o que poderia acontecer antes disto é uma grande perda de tempo e energia.

Questioner: É isso que gera o medo de fazê-lo.

Krishnamurti: Assim: primeiro você o constrói a sociedade ajuda, as religiões ajudam tudo ajuda a sustentar a estrutura e então você fica com medo de perdê-la. Certo? E então você prossegue para meditar como livrar-se deste ego – não? Assim, antes que digamos como livrar-se do ego vamos descobrir por quê você o constrói.

Questioner: A necessidade de poder.

Krishnamurti: Sim, certo, isso leva ao poder, ponha da maneira que preferir. Mas o fato é que esta afirmação constante esta constante construção do « eu », psicologicamente isto não é um grande perigo? Um grande perigo na sua relação com a sua esposa com a sua garota, com a sociedade, com qualquer coisa. Não é um grande perigo porque o perigo é que você está em constante luta, constante batalha.

Questioner: Isto torna difícil adaptar-se.

Krishnamurti: Não, senhor, descubra por que você está você está ciente de que está construindo o « eu »? E a partir dessa estrutura você tem fortes emoções você quer expressar, você quer afirmar.

Questioner: Será a necessidade de prazer?

Krishnamurti: Sim, tudo bem, é prazer e também é medo e também é ambição e também está constantemente sofrendo, sendo ferido – você sabe. Assim não pegue uma coisa e diga é aquilo, é a coisa toda.

Questioner: Não acreditamos em um mito não existe um mito em que acreditamos no qual se não sobrevivermos psicologicamente não deveríamos sobreviver.

Krishnamurti: Pode ser um mito senhor, mas você não pode jogar esse mito fora?

Questioner: Nós fomos condicionados a este mito?

Krishnamurti: Sim, se você está condicionado a este mito você não pode descondicionar-se a mente não pode dizer, « Isto é besteira »? Veja, nós não queremos fazer isso e falamos em torno disso o tempo todo. Se sou agressivo, isto me dá prazer dá a estrutura da agressividade me torna violento, rude, vulgar e eu gosto disto. Tudo bem, mantenha-o! Não fale sobre meditação, etc., etc., etc. Se isso é um fato descubra por que você registra estas coisas por que se atém, e se isto não pode ser totalmente dissipado. Se você diz que não pode, esse é o fim. Tudo bem, não pode. Se alguém diz, « Descubra se pode ou não » « Oh », você diz então, « você está em uma ilusão você é um burro, você não sabe nada sobre isto » Assim, visto que estou sugerindo que psicologicamente não há necessidade de registro se você vê o perigo, perigo real como vê um precipício, perigo real desta construção psicológica do « eu » então você descobrirá como se livrar dela. Não você, você é parte disso. Não haverá tolerância do « eu » com todas as opiniões, julgamentos, avaliações agressividade, medo, prazer, sabe, o pacote todo.

Questioner: E a respeito dos registros que já ocorreram da infância antes de você ser capaz de pensar desta maneira?

Krishnamurti: E a respeito do registro que aconteceu da infância. Se você vê que o registro é um perigo então o registro da infância até agora desaparece.

Questioner: Entretanto nós não vemos, não queremos.

Krishnamurti: Isso é tudo que estou dizendo senhor. Não veremos o perigo disto, gostamos disto. Gostamos do nosso medo, gostamos do nosso – nós aceitamos isto agressividade, gostamos de viver em constante batalha com nós mesmos isso nos dá um senso de bem-estar, que pelo menos se está vivo. E etc e etc e etc.

Questioner: Senhor, porque é confortável.

Krishnamurti: Tudo bem, senhor, é confortável.

Questioner: O que podemos fazer com o vácuo que fica para trás?

Krishnamurti: Percebe – o que você fará se estiver em um vácuo. Ou seja, você não sabe o que acontecerá se não houver registro. Descubra. Não dizer que você vai viver em um vácuo. Eu lhe digo que não vai. O que importa? Pelo contrário, um homem que está em constante batalha não está vivendo.

Questioner: Como descobrimos?

Krishnamurti: Como descubro o quê?

Questioner: Como podemos descobrir o que mais existe? Qual a alternativa a este grande negócio do ego. Como podemos descobrir qual é a alternativa? Como tratamos isto?

Krishnamurti: Eu não entendo.

Questioner: Você tem uma isca. (Risos)

Questioner: Não, ele não entende a primeira pergunta.

Questioner: Como você fez isso? Como se livrou do seu ego?

Krishnamurti: Como você sabe que eu me livrei? (Risos) (Aplausos) Não senhor, não, não se incomode comigo. (Risos) Estou há um longo tempo nisto, desde os quinze anos. Para mim, quando nasci, provavelmente ele não estava lá. Mas isso é completamente irrelevante para você. O que é relevante é você, é por que você se atém a esta coisa este « eu » sofredor, desafortunado e infeliz. E para escapar disso você vai para a Índia põe roupas e põe contas – você sabe. (Risos) Toda essa besteira acontece.

Questioner: Porque vivemos no passado ou no futuro, não no presente.

Krishnamurti: Por favor não se incomode comigo. Apenas descubra por que você constrói veja as consequências da construção desta estrutura as consequências desta estrutura e se você gostar, se isto lhe agrada se lhe dá conforto, saiba que nesse conforto existe tremendo perigo de que você sofra, de que passe por todos os tipos de neuroses você sabe o que está acontecendo. Se você diz isso me dá conforto, fique com ele.

Questioner: Em outras palavras, somos muito preguiçosos para mudar.

Krishnamurti: Sim. Ora, como é isso? Eu percebo, ou estou ciente de que estou construindo esta estrutura o pensamento está construindo esta estrutura o tempo todo dormindo, acordando, sonhando, sonhando acordado, andando o tempo todo, preocupado com si mesmo. Ora, qual é o caminho, qual é o processo para acabar com esta coisa – não se pergunta isso.

Questioner: Se me permite – se pergunto a mim mesmo por que coleto estas coisas que me identificam para quem eu pergunto para ir além do eu?

Krishnamurti: Não, eu estou perguntando para você.

Questioner: Entendo. Não quero dizer perguntar a alguém. Eu digo, como um eu faz isto?

Krishnamurti: Eu lhe mostrarei senhor em um minuto, olhe.

Questioner: Ok.

Krishnamurti: É um fato para você que você está psicologicamente construindo esta estrutura ilusória que se tornou uma tamanha e extraordinária realidade para si? Você está ciente da estrutura, primeiro?

Questioner: Acho que sim, sim.

Krishnamurti: Se está ciente disto, o que quer dizer com estar ciente disto? Voltamos à pergunta original: qual é a relação entre consciência e fé? Não há relação alguma entre consciência e fé. Fé não é um fato. É uma crença.

Questioner: Defina fé. O que fé significa para você?

Krishnamurti: Nada. Por favor não se incomode com isso então, você está ciente da estrutura? Por favor, sejamos sérios por 5 minutos. Você está ciente da estrutura em si mesmo? Se está, o que quer dizer com estar ciente? Nessa consciência existe uma dualidade, que é estou ciente daquilo? Entende minha pergunta senhor?

Questioner: Sim.

Krishnamurti: Estou ciente daquela luz, aquela luz é diferente de mim. Ora, estou nessa mesma posição quando digo que estou ciente da estrutura a estrutura sendo diferente de mim? Ou a estrutura sou eu?

Questioner: É um sentimento muito desconfortável.

Krishnamurti: Não, não. Não é uma questão de conforto ou desconforto. Por favor, afaste-se dessas coisas perdoe-me, você está apenas voltando a algo. Que é, estou ciente como se a estrutura fosse algo separado de mim lá longe, ou perto, e o eu que está ciente é diferente disso? Ou eu sou aquilo? Entende?

Questioner: Sim.

Krishnamurti: Obviamente. Certo? Eu sou aquilo. Ou seja, o observador é o observado. Certo?

Questioner: É uma questão de se isso é verdade ou não.

Krishnamurti: Não, não. Questione senhor, não hesite, veja, é tão simples. Eu construí esta estrutura, a estrutura foi construída. E parte da estrutura é, eu sou diferente da estrutura. Eu sou a alma, sou o grande homem, eu sou, etc. etc. Ou estou cheio de conhecimento e a estrutura não é conhecimento. Está seguindo? Assim, estou perguntando: você vê a estrutura como algo separado de si mesmo?

Questioner: Não.

Krishnamurti: Se você diz realmente que não, isso significa – o que significa?

Questioner: (Inaudível)

Krishnamurti: Não, apenas senhor. Isto é de fato para meia hora por favor, apliquem suas mentes nisto, eu imploro. Você é diferente da sua agressão? Obviamente não é. Você é agressão, ela é parte de você.

Questioner: Mas só nós podemos mudar isto.

Krishnamurti: Não. Quem é nós?

Questioner: Quero dizer nós mesmos. Nós podemos mudar.

Questioner: Se eu fosse somente minha agressão eu não saberia sobre minha agressão.

Krishnamurti: Oh, sim, saberia.

Questioner: Como?

Krishnamurti: Seus amigos lhe diriam, « Não seja tão agressivo » (Risos) se ele é um amigo. (Risos)

Questioner: Você nos pede para olharmos para nós mesmos, isso certamente implica

Krishnamurti: Não, senhora, estou perguntando isto por favor ouça silenciosamente, se me permite sugerir. Estou perguntando como você observa esta estrutura? Você pode observar a construção, vê-la separada de você. Mas esta estrutura você não pode separar dizer « Isso não sou eu », é você. Seus medos, suas lutas, suas ambições, sua agressividade suas ansiedades, toda essa estrutura é você. Não há argumento a respeito.

Questioner: Mas você não é uma coisa unida. Você é todo tipo de coisas e elas todas estão em conflito uma com a outra.

Krishnamurti: Isso é o que estou dizendo.

Questioner: Posso tomar o lado de uma parte de você você pode observar a outra parte.

Krishnamurti: Não. O observador é parte do observado.

Questioner: Sim, mas você não poderia observar a si mesmo totalmente se estivesse

Krishnamurti: Oh, sim. Eu posso observar, posso dizer que sou o medo. No dia seguinte digo que sou o prazer. No terceiro dia digo oh, sou tão ciumento. Mas é parte da coisa toda. Agora é isso o que estou dizendo. Por favor se me permite sugerir, por favor preste atenção nisto, que é: enquanto o « eu » separar a si próprio da estrutura o « eu » que separa a si mesmo da estrutura enquanto houver esta divisão, haverá conflito haverá luta, haverá chateação haverá ansiedade, todo o resto. Mas o fato é: a estrutura é você.

Questioner: Senhor, o conflito parece ser interior, no indivíduo e de alguma forma parece ser um conflito entre o que você estava falando sobre os sentidos não estar plenamente alerta, e também a mente a mente intelectual querendo tomar problemas individuais e medos ou tendências.

Krishnamurti: Não, senhor, tudo aquilo está incluído nisso. Suas tendências individuais, idiossincrasias seu talento particular, ou falta de talento sua capacidade – inclua tudo que o pensamento juntou como « eu ». Essa é a estrutura que o pensamento criou. Então o pensamento diz, « eu sou diferente da estrutura »

Questioner: Eu não acho que todos pensam que são diferentes da estrutura.

Krishnamurti: Eu não sei.

Questioner: Bem, eu não.

Krishnamurti: Não? Não estou falando com você pessoalmente, senhora mas estou apenas perguntando: cada um de nós percebe que somos a estrutura e a estrutura não é separada de nós? Se você percebe isso, se isso é um fato real então uma ação totalmente diferente acontece.

Questioner: Você está dizendo que parte de nós que é feita da nossa crença, é a nossa camada externa e que para crescer e evoluir temos que romper algo

Krishnamurti: Não, não, não. Não estou dizendo nada desse tipo. Só estou dizendo, senhor não traduza o que estou dizendo para si próprio sabe, quando eu falo na Índia, o que eu faço infelizmente, ou felizmente eles traduzem o que eu digo na sua própria linguagem particular e a maioria das linguagens na Índia são derivadas do Sânscrito e as palavras que eles usam são carregadas com tradição todo tipo de significados. Eu digo, por favor não traduza o que estou dizendo apenas escute o que estou dizendo o que é muito difícil porque eles traduzem imediatamente. Eles acham que ao traduzir eles entenderam. Eles entenderam o significado tradicional digamos, por exemplo, de consciência. Eles têm uma palavra especial em Sânscrito para isto naquela palavra há todos os tipos de conotações naquela palavra. Então por favor, estou apenas dizendo enquanto houver uma diferença entre a estrutura e o observador deve haver supressão, deve haver conflito deve haver fuga, deve haver ir para a Índia para descobrir como fazer isto e como fazer aquilo, meditar certamente, não cozinhar, e etc e etc e etc. Ao passo que quando há a verdade real o fato de que o observador é o observado a estrutura sou eu, o eu não é diferente da estrutura então há uma ação totalmente diferente. É aí que eu quero chegar.

Questioner: Senhor, se você percebe isso e há um tipo de silêncio como mantemos isso e não voltamos?

Krishnamurti: Quando se vê o perigo de um precipício, ou um animal perigoso você não volta para ele, está terminado.

Questioner: Para mim parece que esse processo de separação é um processo fundamental de todo o condicionamento que acontece, e tudo que eu pareço fazer para tentar e ir contra este condicionamento sempre parece ser apenas outra parte deste condicionamento.

Krishnamurti: Sim, senhor.

Questioner: Como é que eu contorno isso, por deus?

Krishnamurti: Eu estou lhe mostrando algo, você não ouve. Não que você precise ouvir, senhor, mas estou apontando algo. Quando você diz « eu sou esse condicionamento condicionamento não é diferente de mim » quando isso torna-se uma verdade absoluta, irrevogável, um fato então há uma ação totalmente diferente a partir desse fato.

Questioner: Então o que acontece?

Krishnamurti: Ah! Então o que acontece – é exatamente o que é. Primeiro você não chega lá mas diz então conte-me o que acontece. (Risos) Você não quer escalar a montanha, o que é árduo o que demanda que você carregue pouco, é perigoso, ser içado nós brincamos com isto tudo, eu fiz isto, uma parte disto. É perigoso escalar montanhas. Assim você vai leve – certo? não com uma mochila pesada e todo o resto. Então isto exige que você trabalhe, que você olhe. Mas infelizmente todos os tipos de interrupções acontecem. Alguns de vocês nesta manhã eu vi fazendo exercícios bem ou mal, cabe a você mas aqui você não dá nem dez minutos para descobrir. Descubra o que acontece realmente quando o observador da estrutura é o próprio observador – a estrutura é o observador. Então você irá descobrir que não há conflito, absolutamente. Certo? Quando você é isso, o que você pode fazer? Está seguindo senhor? Assim, não há conflito e consequentemente há energia. Não irei mais nisto porque isso também é onde há energia, energia completa, há vazio. Isso é suficiente por hoje, não é? Talvez possamos continuar com isto na quinta-feira. Vocês por favor concordariam com isso?

Questioner: Sim.

Krishnamurti: « Bene ».

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