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Pode-se conhecer a si próprio completamente?

Third Public Talk at Brockwood Park

Saturday, September 1, 1979

Será que podemos continuar com o que estávamos falando no último domingo e investigar mais a fundo?

Estávamos dizendo, não estávamos que a mente humana e a nossa maneira de viver é tão fragmentada tão despedaçada, e porque os seres humanos são assim transformamos o mundo no que ele é um mundo caótico, cruel, confuso, amedrontado. E estávamos também dizendo que a autoconsciência isto é, saber tudo sobre si mesmo tanto o consciente como o inconsciente a mente profunda e a mente manifesta de forma que conhecendo-se a si mesmo completamente e é possível conhecer-se a si mesmo completamente possamos então abordar o mundo e a nós mesmos como um todo. Nossa vida, como é agora vivida em que conhecemos muito pouco sobre nós mesmos e talvez os psicólogos os terapeutas e os psicanalistas nos digam o que somos mas para descobrir o que somos não podemos ouvi-los porque eles são como nós, igualmente confusos igualmente incertos igualmente amedrontados de várias maneiras diferentes. Portanto faz-se necessário confiar completamente em si mesmo e não olhar para o outro para que nos diga o que fazer incluindo o orador, naturalmente.

É possível conhecer-nos a nós mesmos tão completamente? As feridas, os medos, as ansiedades as incertezas, a complexíssima rede dos prazeres morte, amor, e se há uma continuidade após morrermos. E também devemos estar cientes e saber e compreender o que é meditação. Tudo isso é a nossa vida nossa educação, nossos trabalhos, nossa maneira de pensar nossas crenças, nossas experiências nossas opiniões profundas e convictas e assim por diante. Tudo isso é a nossa vida, com todas as suas batalhas com todos os seus escapes, misérias e assim por diante. Será possível conhecermo-nos completamente – tudo isso? Daí talvez fosse possível abordar a nossa vida como um todo não como seres humanos fragmentados. Portanto vamos falar juntos nessa manhã sobre se é possível sem qualquer orientação vinda do exterior porque todas elas nos ludibriaram todas elas nos levaram a este presente estado do mundo o político, o economista, os religiosos e os gurus e todo o resto da gangue. E torna-se cada vez mais imperativo e necessário descobrir por nós mesmos o que é ação correta independentemente das circunstâncias. Uma tal ação que não vai trazer mais confusão arrependimentos, sofrimento, mais miséria e assim por diante.

Então será possível alguém, cada um conhecer a si mesmo tão completamente? Ou será necessário ser guiado, estar preparado para investigar para explorar, com a ajuda dos outros? Os outros, ainda que eruditos, ainda que conhecedores experientes, são exatamente como nós, psicologicamente eles têm mais habilidade, mais capacidade de se expressarem , etc. Mas nós somos, cada um de nós, como salientamos no outro dia como o resto do mundo com seus sofrimentos, infortúnios, confusões, inseguranças medo intolerável e assim por diante. Será possível conhecer-se a si mesmo tão completamente de maneira que não haja um ponto que não esteja sendo explorado compreendido, transcendido? É sobre isso que vamos conversar juntos esta manhã. Ou seja: conhecer-se a si mesmo todos os movimentos do pensamento os medos, ocultos e manifestos todas as buscas do prazer, sexual e outros. E descobrir por nós mesmos o que é o amor. E compreender o significado inteiro não apenas do sofrimento pessoal, mas também do sofrimento da espécie humana. E, também, será possível compreender o evento final de nossas vidas, que é a morte? Tudo isso é o nosso viver. E se não estivermos claros em nós mesmos, o que quer que façamos causará mais confusão. Então nos cabe, nos parece tão absolutamente necessário descobrir se podemos conhecer a nós mesmos – certo? Vamos começar.

O que significa: o orador não vai investigar e vocês meramente escutam aceitando ou negando, mas juntos. Juntos, pensar juntos se é possível porque aparentemente nem um só par de pessoas está pensando junto. E sem pressão sem nenhuma forma de compulsão juntos, investigar esse assunto. Isso requer antes de tudo uma certa atenção não concentração, mas uma certa qualidade de interesse profundo uma mente que esteja empenhada em descobrir e portanto cuidado, liberdade para observar. Certo? Isso é absolutamente, obviamente necessário. Se a pessoa tem certos preconceitos experiências às quais se agarra daí não podemos pensar juntos investigar juntos, ou descobrir. Então é preciso ser em certa medida livre, ao menos por esta manhã para que você comece – a pessoa comece a explorar – certo? Vamos primeiro explorar como fizémos no outro dia as feridas psicológicas que se recebe na infância. Entramos nessa questão no outro dia.

E esta manhã vamos primeiro começar com o medo. Os medos que estão profundamente escondidos dos quais vocês não estão conscientes, não sabem ou estão cônscios e aqueles medos óbvios, tanto psicológicos quanto físicos Certo? Estamos nos compreendendo uns aos outros? Por favor, estamos juntos, andando juntos. O orador não está andando sozinho falando sozinho. Juntos, estamos indo ao longo da estrada que talvez nos possa ajudar se vocês estiverem interessados, se forem sérios se quiserem ir mesmo até o fim dela investigar esse problema enorme do medo.

Há o medo da inseguraça fisicamente, não ter empregos, ou ter empregos o pavor de perdê-los, as várias formas de greves que estão acontecendo neste país e assim por diante. Então a maioria de nós é bastante nervosa apavorada de não estar completamente segura fisicamente. Obviamente. Por quê? Será porque estamos sempre isolando a nós mesmos como nação, como família, como grupo? E então esse lento processo de isolamento os franceses se isolando a si mesmos os alemães e assim por diante está gradualmente criando insegurança para todos nós o que é óbvio. Então, será que podemos observar isso, não apenas externamente? Observando o que está acontecendo externamente sabendo exatamente o que está acontecendo a partir daí podemos então começar a investigar em nós mesmos porque caso contrário você não tem um critério caso contrário a pessoa pode enganar-se a si mesma. Então precisamos começar pelo externo e trabalhar em direção ao interno. Certo? É como uma maré que está indo e vindo. Não é uma maré fixa, ela está sempre se movendo para dentro e para fora. Espero que vocês estejam acompanhando isso.

E esse isolamento que tem sido a expressão tribal de todos os seres humanos está criando esta falta de segurança física. Certo? Se uma pessoa vê a verdade disso não a explicação verbal ou a aceitação intelectual de uma idéia mas se uma pessoa realmente vê isto como um fato daí não se pertence a grupo algum, nação alguma cultura alguma, a nenhuma organização religiosa porque todas elas são tão separativas, a católica a protestante, a hindu e assim por diante. Você fará isso, enquanto estamos discutindo, andando juntos largará as coisas que são falsas, que não são factuais que não têm valor algum? Apesar de pensarmos que elas têm valor na verdade, quando você observa a nacionalidade gera guerras e tudo mais. Então será que podemos largar isso, de forma que fisicamente possamos criar uma unidade do homem? Vocês entendem, senhores? E essa unidade do homem só pode surgir através da religião não as religiões fictícias que temos desculpem, espero não estar ofendendo ninguém. Seja a religião católica, a protestante, a hindu a muçulmana, a árabe vocês sabem, todas essas religiões são baseadas no pensamento construídas pelo pensamento e aquilo que o pensamento criou não é sagrado é apenas pensamento, é apenas uma ideia. E você projeta uma ideia, simboliza-a, e depois a venera e nesse símbolo, ou nessa imagem ou nesse ritual, não há absolutamente nada de sagrado. E se uma pessoa realmente observa isso então ela se livra de tudo isso para descobrir o que é verdadeira religião porque isso pode nos unir. Então se pudermos entrar em níveis muito mais profundos do medo que são os medos psicológicos – certo? Medos psicológicos no relacionamento, um com o outro medos psicológicos com relação ao futuro medos do passado, isso é, medos do tempo – certo? Vocês estão acompanhando isso, por favor? Temos muito a tratar nesta manhã. Por favor, não sou um professor, um erudito dando um sermão e voltando à sua vida apodrecida. Mas isso é algo muito, muito sério que afeta a vida de todos nós então por favor deem a sua atenção e cuidado. Então há medos no relacionamento medos de incerteza medos do passado e do futuro medos de não saber medos da morte, medo da solidão Certo? Olhem para si mesmos, por favor, não para o orador e as palavras. O sentimento agonizante de solidão você pode estar relacionado a outros pode ter muitos amigos, pode estar casado com filhos, mas existe esse sentimento profundo de isolamento sentimento de solidão. Esse é um dos fatores do medo.

Há também o medo de não ser capaz de satisfazer-se. Eu não sei o que é que isso pode significar. E o desejo de satisfazer-se traz consigo o sentimento de frustração e nisso há medo. Há o medo de não ser capaz de estar absolutamente esclarecido acerca de tudo – certo? Então há muitas, muitas, muitas formas de medo. Você pode observar o seu medo particular se estiver interessado, se for sério. Porque uma mente que está apavorada consciente ou inconscientemente pode tentar meditar – certo? e essa meditação leva apenas a mais dor a mais corrupção, porque uma mente que está apavorada jamais consegue ver o que é a verdade. Certo? Então nós vamos descobrir juntos, se é possível ser completamente livre do medo em toda a sua profundidade – certo?

Vocês sabem que estamos empreendendo um trabalho que requer uma observação muito cuidadosa: observar o seu próprio medo. E o modo como você observa esse medo é da maior importância – certo? Podemos prosseguir? Como você observa o medo? Será um medo de que você se lembrou e então o evoca e aí olha para ele? Ou será um medo que você não teve tempo para observar e que portanto ainda está lá? Ou será que a mente não quer olhar para o medo? Vocês estão acompanhando? Pergunto-me se estão. Então o que é que está de fato acontecendo? Relutância em olhar? Relutância em observar os próprios medos porque a maioria de nós não sabe como resolvê-los? Ou nós escapamos, fugimos, ou – vocês sabem todas as coisas analisar, pensando que desse modo nos livraremos disso mas o medo ainda está lá. Então é importante descobrir como você olha para esse medo – certo? Como você observa o medo? Certo. Agora vocês acabaram com ele, vamos voltar.

Como você observa o medo? Esta não é uma pergunta boba porque ou você o observa depois de ter acontecido ou você o observa enquanto está acontecendo. Certo? Para a maioria de nós a observação se dá depois de ter acontecido – certo? Agora, estamos perguntando se é possível observar o medo enquanto ele surge – certo? Ou seja, você é ameaçado por outra crença uma crença que você mantém muito fortemente você está apavorado por isso, há medo aí – certo? Estou desafiando-os agora. Vocês têm certas crenças, certas experiências certas opiniões, julgamentos, avaliações e assim por diante quando se está desafiando essas crenças ou há resistência a construção de um muro contra isso ou vocês estão em dúvida se serão atacados e então o medo surge. Ora, você pode observar esse medo enquanto ele surge – certo? Vamos, senhores. Certo? Vocês estão acompanhando? Estão observando? Agora, como vocês observam esse medo? A palavra, o reconhecimento da resposta que você chama medo porque você teve esse medo previamente a memória dele é armazenada e quando o medo surge você o reconhece – certo? Então você não está observando, e sim reconhecendo. Pergunto-me se vocês veem isso?

Então o reconhecimento não liberta a mente do medo. Apenas fortalece o medo. Ao passo que se você for capaz de observar o medo assim que surge daí há dois fatores acontecendo aí. Um, que você é diferente do medo – certo? E então você pode atuar sobre esse medo, controlá-lo afungentá-lo, racionalizá-lo e assim por diante. Isso é, você fazendo algo com relação ao medo – certo? Esse é o modo como em geral observamos. Nisso há uma divisão: o eu, e o medo, então há conflito nessa divisão. Certo? Ao passo que, se você observa, esse medo é você. Você não é diferente desse medo. Pergunto-me se você entendem isso. Uma vez que tenha apreendido o princípio disso que o observador é o observado que a pessoa que diz « Eu estou observando » então ela está separando-se daquilo que ela está observando enquanto que o fato é que o observador é aquele medo. Portanto não há divisão entre o observador e o medo – certo? Isso é um fato.

Então o que acontece? Vamos primeiro parar por um minuto. Estão todos acompanhando tudo isso? Como dissemos será que estamos observando o medo através do processo da memória que é o reconhecimento, o nomear – certo? Daí a tradição diz « controle isso » a tradição diz « fuja disso » a tradição diz « faça algo com relação a isso para não ter medo ». Então a tradição nos educou para dizer que nós o « eu », é diferente do medo. Certo? Então será que você pode ser livre dessa tradição e observar esse medo? Ou seja, observar sem o pensamento que se recordou daquela reação que foi chamada de medo no passado. Isso requer imensa atenção. Vocês entedem? Requer habilidade na observação. Isso também faz parte do yoga. Vocês entendem? Não é meramente fazer exercícios o que não é yoga em absoluto mas a habilidade na observação. Isso é, na observação há apenas percepção pura não a interpretação dessa percepção pelo pensamento. Vocês entendem isso tudo? Por favor façam isso enquanto estamos conversando sobre isso. Então o que é o medo? Vocês entendem? Agora eu observei alguém ameaçando a crença que mantenho a experiência a que me agarro a idéia de « eu alcancei », e alguém ameaça isso e portanto o medo surge. Ao observar esse medo, nós já o explicamos chegamos ao ponto em que você observa sem divisão – certo? Agora, a próxima questão é: o que é o medo? Vocês estão acompanhando isso? O que é o medo? Medo do escuro, medo do marido, da esposa, da namorada ou seja lá o que for, medo, artificial e real e assim por diante o que é medo, à parte da palavra? A palavra não é a coisa. Certo? Por favor, é preciso reconhecer isto muito profundamente a palavra não é a coisa. Certo? Podemos prosseguir?

Então o que é isso a que chamamos medo sem a palavra? Ou, a palavra cria o medo. Vocês estão interessados nisto tudo? Porque se a palavra cria o medo a palavra sendo o reconhecimento de algo que aconteceu antes o que significa que foi atribuída uma palavra a algo que aconteceu anteriormente a que chamamos de medo então a palavra se torna importante – certo? Como o inglês, o francês, o russo a palavra é tremendamente importante para a maioria de nós. Mas a palavra não é a coisa – certo? Então o que é o medo? À parte de todas as expressões do medo, qual é a raiz dele? Porque então, se conseguirmos achar a raiz dele daí os medos inconscientes e conscientes podem ser compreendidos. A raiz, no momento em que você tem uma percepção da raiz a mente consciente e a mente inconsciente não têm importância, há a percepção disso – certo? Qual é a raiz do medo? Medo do ontem de milhares de ontens, medo do amanhã. Certo? Amanhã a morte – não para você. Ou o medo de algo que aconteceu no passado. Não há qualquer medo real agora. Por favor, entendam isso cuidadosamente. Se a morte surgir repentinamente, acabou-se. Terminou. Você tem um ataque do coração e acabou-se. Mas a idéia que um ataque do coração pode acontecer no futuro – certo? Então será o medo- por favor acompanhem isso cuidadosamente será o medo – a raiz do medo – o tempo? Vocês entendem? O tempo. Sendo o tempo um movimento do passado modificado no presente e continuando no futuro. Esse movimento inteiro será ele a causa do medo, a raiz dele?

Estamos perguntando: será o pensamento, que é tempo, a raiz do medo? O pensamento é movimento. Certo? Qualquer movimento é tempo. Então eu estava perguntando: será o tempo a raiz do medo? O pensamento? E se nós podemos compreender o movimento inteiro do tempo Certo? – o tempo tanto psicologicamente como fisicamente o tempo que leva para você ir daqui de volta até em casa o tempo físico para cobrir a distância e o tempo psicológico, que é o amanhã Certo? Então será o amanhã a raiz do medo? Certo? O que significa, pode uma pessoa viver por favor, estamos falando da vida cotidiana, não meras teorias pode alguém viver sem amanhã? Vocês estão acompanhando isso? Façam-no. Isso é, se você teve uma dor ontem, uma dor física acabar com aquela dor ontem, não carregá-la para hoje e para amanhã. Vocês entendem a questão? É o carregar, que é tempo, que traz o medo. Pergunto-me se vocês podem fazer isso tudo?

Então é totalmente possível e absolutamente possível que o medo, o medo psicológico, possa acabar se você aplicar o que está sendo dito. O cozinheiro pode fazer um prato maravilhoso mas se você não está com fome se você não come, então fica meramente no menu e não tem valor algum. Enquanto que se você o comer, o aplicar adentrar nisto por si mesmo, você verá que o medo psicologicamente, pode chegar a um fim absolutamente então a mente é liberta desse terrível fardo que o homem carregou Certo?

A próxima questão é que é parte da nossa vida, que é o prazer. Certo? Será que vocês têm medo de abordar isso? Pois para a maioria de nós o prazer é algo de extraordinária importância. O prazer da posse, o prazer de alcançar o prazer da fama, o prazer de fazer algo habilidosamente e assim por diante – prazer. Sexual, sensorial e intelectual. Um homem que tem uma grande carga de conhecimento ele se deleita nesse conhecimento. Mas como salientamos com esse conhecimento vai também a ignorância porque o conhecimento nunca é completo mas ele se esquece dessa parte e se lembra apenas do conhecimento que adquiriu. E nisso há grande prazer sensorial, sexual, romântico, sentimental intelectual, ter experiências, que são sensoriais. Então essa combinação toda de vários elementos traz esse extraordinário sentimento de prazer – certo? Por que não deveríamos ter prazer? Vocês entendem? As religiões ao redor do mundo disseram « Não tenha apenas o prazer de servir a Deus ». Vocês entendem? Todos os seus sentidos, sexual tudo isso deve ser dissipado, posto de lado. Isso é o que as religiões organizadas ao redor do mundo disseram. Nós não estamos dizendo isso. Estamos dizendo investigue pois o homem, o ser humano, demanda, persegue esta coisa, o prazer Por quê? Vamos, senhores. Há o prazer, o prazer físico, sexual. Ver um belo pôr-do-sol ver a beleza de uma montanha as águas calmas de um belo lago observá-lo. Mas tendo-o observado, tendo-o visto e o desfrutado, a mente tem uma lembrança desse deleite e persegue esse deleite – certo? Essa é a continuação do prazer: tendo visto o pôr-do-sol tendo-se deleitado com ele não acabar com ele, mas lembrá-lo e a demanda de que o prazer prévio continue.

Então o pensamento certo, vocês estão acompanhando isso? o pensamento interfere naquele momento de percepção. e então se lembra daquilo, e então quer mais daquilo. Vocês viram isso tudo, sexo, vocês sabem tudo sobre isso. A recordação, a imagem, a excitação o mecanismo inteiro do pensamento operando e perseguindo aquilo – certo? Por que o pensamento faz isso? Vocês estão acompanhando minha questão? Por que é que o pensamento toma um incidente que está acabado recorda-se dele e o persegue? A perseguição é o prazer. Vocês estão acompanhando isso? Por quê? Por que é que o pensamento faz isso? Será parte da nossa educação parte da nossa tradição, parte do nosso hábito todo homem faz isso melhor incluir a mulher também, porque caso contrário! Todo ser humano faz isso, por quê? Entrem na questão, senhores, não olhem para mim. Por que é que vocês perseguem o prazer? Será que é porque isso cria isolamento? Vocês estão acompanhando isso? Será que é isso que produz o chamado « indivíduo »? Meu prazer, e é privado. Todo prazer é privado a menos que você vá ao futebol e a todo esse tipo de coisa. O prazer é privado será essa uma das razões pelas quais os seres humanos secretamente perseguem esse prazer? Porque lhes dá importância de si mesmos. Vocês estão acompanhado tudo isso? Portanto o prazer pode ser a causa desse tremendo isolamento como grupo, como família, como tribo, como nação. Pergunto-me se vocês veem isso tudo?

Então quando alguém vê a verdade disto a verdade, não as palavras, não o conceito intelectual então o pensamento assumirá e transformará isso em uma lembrança? Vocês entendem? Ou apenas vê o pôr-do-sol – acabou-se. Experimente com isso, você verá por si mesmo se você o fizer, esse pensamento, como no caso do medo é a origem, o começo desse conflito tanto do medo como da procura do prazer – certo?

Daí há a questão estamos lidando com a totalidade da nossa vida daí há a questão por que é que os seres humanos ao redor do mundo sofrem. Não estamos falando do sofrimento físico que pode ser encarado também se a mente não estiver continuamente apegada sempre preocupada consigo mesma – vocês entendem? Vocês tiveram uma dor, uma doença uma enfermidade de algum tipo ou de outro. O pensamento então se torna tão preocupado – certo? E então identifica-se com aquilo e então a própria mente fica tolhida – certo? Portanto, pode a mente, o pensamento ver a enfermidade a doença, a dor – « Sim » – entende? Tente, faça, você vai descobrir. Quando você está sentado na cadeira do dentista o orador o fez por quatro horas quando você se senta na cadeira do dentista e a broca está ligada, observe. Você verá, descobrirá. Ou olhar para fora da janela e ver a beleza das árvores de forma que a mente seja capaz de se observar a si mesma com um desapego – vocês entendem? Ah, vocês não conseguem fazer tudo isso.

Então estamos perguntando: por que os seres humanos ao redor do mundo sofrem, aceitam o sofrimento e vivem com ele? Houve duas guerras, terríveis pense nas lágrimas que os seres humanos derramaram. E os seus filhos, os seus netos sustentarão a guerra. Então o sofrimento, ao que tudo indica, não ensina o homem – certo? Eles veneram o sofrimento – os cristãos o fazem. Os hindus têm diferentes explicações para o sofrimento para o que você fez no passado, na vida passada e assim por diante. Não vou entrar nisso tudo.

Então estamos perguntando: o que é o sofrimento? E por que o homem vive com o sofrimento? Vocês entendem? Descubram, senhores, deem suas mente a isto. Como entregam suas mentes ao sexo, ao trabalho, a isso ou àquilo deem suas mentes e corações para descobrir se o homem pode ser livre do sofrimento. Será o sofrimento parte da atitude egoísta frente à vida? Isso é, meu filho está morto, ou minha mulher foi embora ou isso ou aquilo a que eu sou grandemente apegado e ele é levado embora por várias razões, e eu sofro. Há desgosto, há lágrimas, há antagonismo há amargura, cinismo Por quê? Vocês entendem? Será que é por que sou tão emaranhado nos meus próprios problemas Sou tão egocêntrico, meu filho sou eu – certo? Ou minha filha sou eu. Sou apegado. Me seguro. E quando aquilo se vai há uma grande sensação de vazio uma grande sensação de solidão, de falta de relacionamento. Certo? É essa a razão por que as pessoas sofrem? Isso é, o filho sendo levado embora, a morte ou o que for revelou-me o que eu sou, a minha solidão o meu isolamento, a minha falta de relacionamento verdadeiro. Eu achava que eu estava relacionado mas é o meu filho – vocês entendem? Então o filho sendo levado embora revela a minha condição. Entrem nisso cuidadosamente. E eu subitamente percebo a minha solidão, do meu senso de perda a privação de algo a que sou grandemente apegado. A morte do filho revelou a mim – certo? Mas essa revelação uma consciência do ego, do « eu » revelou-se antes do incidente. Pergunto-me se vocês veem isso? Certo? Vocês estão vendo isso?

Como dissemos no começo da fala autoconsciência. Autoconsciência é conhecer o seu « eu », os seus apegos sua solidão, seu senso de isolamento e tudo isso conhecer a totalidade de si mesmo. O incidente do filho revela isso – certo? Isso é, revela depois do incidente. Mas se houver autoconsciência desde o começo o filho levado embora, o filho morrendo, é o quê? Não é mais o sofrimento que é trazido pelo apego. Certo, vocês entenderam? Agora minha mente aceita isso. Não é mais pega em autopiedade na luta por livrar-se do isolamento extraindo conforto de uma crença, ou disso ou daquilo – certo? Então a pessoa vê que o sofrimento existe enquanto o « eu » estiver lá. Pergunto-me se vocês veem isto? Então o abandono total do « eu » é o fim do sofrimento. Estão acompanhando tudo isso? Vão abandonar o « eu »? Não, senhores. Portanto nós veneramos o sofrimento, ou fugimos dele.

E também deveríamos ir juntos e investigar essa questão toda da morte. Não apenas para as pessoas velhas como nós mas também para todos no mundo jovens, velhos ou de meia idade – a morte é uma das coisas mais extraordinárias que acontecem na vida – certo? O que vocês pensam disso? Qual é a sua resposta instintiva à palavra e ao fato? O que é a morte? A morte é um acabar. Certo? Por favor acompanhem isso cuidadosamente. Um acabar. Acabando voluntariamente, você não pode argumentar com a morte você não pode dizer, « Por favor, dê-me mais uma semana » você não pode discutir, está lá, acabado. Então será que você pode voluntariamente acabar seu apego que é a morte? Vocês entendem? Acabar é algo como a morte. O fim de um hábito particular não esforçar-se, lutar, degladiar-se, mas terminá-lo. Se você fuma, se você toma drogas, se você bebe isso é o que vai acontecer quando você bater as botas! (Risos)

Então será que podemos acabar voluntariamente Vocês entendem? – suas experiências suas opiniões, suas atitudes, suas crenças, seus deuses, acabar. Temos medo de acabar – certo? Acabar qualquer coisa voluntariamente. Se você diz, « O que há lá se eu acabar? » É que então você está buscando uma recompensa. Então você considera o acabar como uma punição. Portanto com o fim sendo considerado como dor você vai naturalmente requerer uma recompensa. Se eu desistir, então o quê? Não se pede isso à morte. Então será que você pode acabar e ver que nesse próprio fim há o começo de algo novo? Vocês entendem? Isso é, a pessoa acaba com o apego apego aos móveis, às pessoas, ideias, crenças, deuses a coisa toda, acaba. E você acaba com ela voluntariamente, porque é inteligente acabar. Certo? Então nesse fim uma nova – isso não é uma promessa vocês entendem – uma coisa nova acontece. Tentem, senhores. Isso é, enquanto vivendo convidar a morte, que é o acabar. Vocês entendem? Morrer para o seu incrível e complexo modo de vida. De forma que a mente porque acabou com tudo, vocês entendem façam-no e descobrirão por si mesmos Portanto é sempre nova. Nova no sentido de fresca. Vocês sabem, quando vocês escalam uma montanha vocês precisam deixar para trás todos os seus móveis todos os seus problemas porque vocês não podem carregar todos os móveis que vocês acumularam pelo morro acima. Então vocês deixam partir e vocês descobrirão por si mesmos que há uma qualidade da mente que, sendo completamente livre é capaz de perceber aquilo que é eterno. A palavra eterno não é uma ideia, vocês entendem? Eterno significa fora do tempo. Morte é tempo. Pergunto-me se vocês veem isso?

Então a mente que compreende este extraordinário mistério é um mistério porque aquilo a que estamos nos agarrando são os nossos problemas nossos móveis, ideias, tudo isso, estamos nos agarrando a isso que é construído pelo tempo e com o fim disso há algo totalmente, uma nova dimensão. Agora é com vocês. Certo. Certo, senhores.

Third Public Talk at Brockwood Park

Saturday, September 1, 1979

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