Sugestão
Subscribe to the Subscribe
And/or subscribe to the Daily Meditation Newsletter (Many languages)
Print   pdf Pdf
                         Diaspora      rss 

O que nos fará mudar?

First Public Talk at Brockwood Park

Saturday, August 25, 1979

Sinto que o tempo esteja tão desagradável. Estou certo de que muitos de vocês vieram com seus problemas pessoais e esperam com estas palestras que eles serão solucionados mas eles apenas podem ser solucionados se aplicarmos autopercepção sem escolha e uma qualidade de totalidade religiosa. Quero dizer – queremos dizer por « religião » não crenças, dogmas, rituais e a ampla rede de superstição mas religião no sentido profundo dessa palavra que somente passa a existir quando há esta autopercepção e meditação. E sobre isso é o que vamos falar durante estas quatro palestras e dois encontros de perguntas e respostas, como foi explicado.

Para entrarmos neste assunto com bastante profundidade não apenas estar consciente natural e simplesmente com nossos próprios problemas particulares que estão relacionados com os problemas do mundo porque nós seres humanos somos mais ou menos psicologicamente parecidos em todo o mundo. Vocês podem ter cor, cultura diferentes, hábitos e costumes diferentes mas a despeito disso todos os seres humanos passam por muita labuta, muito sofrimento muitas ansiedades, solidão, desesperos, depressões. Não sendo capazes de solucioná-los eles buscam salvação por meio de mais alguém através de várias formas de crenças, dogmas, e aceitação de autoridades. Desse modo, quando estamos discutindo falando juntos sobre estes problemas se simplesmente nos confinamos ao nosso pequeno problema particular então essa atividade egocêntrica apenas os torna mais estreitos mais limitados e portanto isso torna-se mais como uma prisão. Enquanto que se pudermos durante estas palestras e diálogos ou perguntas e respostas se pudermos nos relacionar com o todo da espécie humana com o todo da humanidade. Somos parte dessa humanidade. Lá no oriente eles sofrem tanto quando vocês eles têm seus sofrimentos sua infelicidade sua completa solidão um senso de negligência por parte da sociedade não existe segurança certeza eles estão confusos tanto quanto nós estamos aqui. Assim, somos psicologicamente, essencial e profundamente parte dessa humanidade. Penso que isto deve ser entendido realmente não meramente verbal ou intelectualmente ou por meio da razão mas deve-se sentir isto. Não é um sentimento, ou uma idéia romântica, mas uma verdade que somos parte deste todo da humanidade e portanto temos uma tremenda responsabilidade. E para produzir uma unidade de todos os outros seres humanos somente a religião pode fazer isto unir todos nós. Não a política a ciência alguma nova filosofia ou alguma economia ampla ou várias organizações políticas, religiosas, nenhuma delas nos irá unir como um todo. Penso que deve-se perceber muito profundamente que nenhuma organização religiosa, política, econômica ou as várias formas de organizações de Nações Unidas irão unir o homem. É somente a religião no sentido profundo dessa palavra pode unir todos nós. Religião – com essa palavra queremos dizer não tudo isso que está acontecendo no mundo as várias superstições, a impostura a estrutura hierárquica os dogmas, os rituais, as crenças religião está muito além disso tudo é um modo de viver, diariamente. E se pudermos ponderar sobre isso juntos, pensar juntos não acerca de alguma coisa, mas ter a capacidade de ser capaz de olhar, ouvir e pensar conjuntamente. Poderíamos durante estas palestras fazer isso? Não que devamos concordar uns com os outros ou aceitar as opinões e julgamentos uns dos outros mas sim colocando de lado nosso próprio ponto de vista particular nossa própria experiência, nossas próprias conclusões se pudermos colocar essas coisas de lado e ter a capacidade de pensar juntos não sobre alguma coisa o que é claramente fácil mas ser capaz de ver a mesma coisa juntos de ouvir o mesmo sentido, significado a profundidade da palavra de ouvir a mesma canção não interpretar isso de acordo com o seu gostar e não-gostar mas ouvir isso conjuntamente porque penso que é muito importante ser capaz de pensar juntamente não como um grupo que tenha o mesmo pensamento o mesmo ponto de vista a mesma perspectiva mas tendo posto de lado suas próprias idiossincrasias peculiares hábitos de pensamento reunir-se em pensamento. Digamos por exemplo que podemos pensar juntos sobre a crença Podemos arguir a favor ou contra isso. Podemos ver quão importante a crença é ter algum tipo de segurança psicológica. E desejando essa segurança acreditaremos em qualquer coisa. Isto está acontecendo no mundo. Crença na mais rídícula bobagem tanto economicamente, religiosamente como sob todos os aspectos. Então podemos pensar sobre uma crença juntos, concordando ou discordando. Mas estamos tentando algo diferente que não é o pensar em alguma coisa, mas o pensar propriamente dito em conjunto. Não sei se estou sendo claro. Obviamente duas pessoas não são capazes de pensar conjuntamente a menos que haja alguma catástofre a menos que haja algum grande sofrimento uma crise, então as pessoas reunem-se e pensam em conjunto sobre uma guerra e assim por diante. É sempre pensar em conjunto sobre alguma coisa – certo? Mas estamos tentando algo, que é pensar conjuntamente. O que é possível somente se por ora esqueçamos de nós mesmos nossos próprios problemas, nossas próprias inclinações nossas capacidades intelectuais e assim por diante. e encontrarmo-nos uns com os outros. Isso requer um certo senso de atenção um certo senso de percepção que cada um de nós estamos juntos na qualidade de pensar. Não sei como expressá-lo mais claramente do que isso. Poderíamos fazer isso em relação a todos os nossos problemas? Nós podemos pensar juntos acerca de nossos problemas mas ter a capacidade de pensar no mesmo nível com a mesma intensidade não sobre algo, mas o sentimento de pensar em conjunto. Me pergunto se vocês entendem?

Se pudermos fazer isso poderemos entrar juntos em muitas coisas. Isso significa uma certa qualidade de liberdade um certo sentido de desapego não forçado, compelido dirigido mas a liberdade do nosso próprio quintal e então nos encontrarmos juntos. Porque isto torna-se muito importante quando você quer criar uma boa sociedade. Os filósofos falaram sobre isso os gregos antigos, os antigos hindus e os chineses falaram a respeito sobre produzir uma boa sociedade. Isso está no futuro, em algum tempo no futuro criaremos uma boa sociedade de acordo com um ideal, um padrão um certo senso de ideais e assim por diante. E evidentemente através do mundo uma boa sociedade jamais veio a existir talvez existam boas pessoas. Está se tornando cada vez mais difícil ser bom neste mundo. E estamos sempre olhando para o futuro para produzir esta sociedade boa boa no sentido em que as pessoas possam viver nesta terra sem guerras pacificamente, sem massacrarmos uns aos outros sem competição, num sentimento de grande liberdade e assim por diante. Não estamos definindo o que é bom por ora a definição de bom não torna alguém bom.

Desse modo, podemos pensar juntos a absoluta necessidade de uma boa sociedade? A sociedade é o que somos a sociedade não surge misteriosamente não é criada por Deus, o homem criou esta sociedade com todas as guerras e todas essas coisas que estão acontecendo. Não precisamos entrar em todos esses horríveis detalhes. E essa sociedade é o que somos, o que cada ser humano é. Isso é completamente óbvio. Isso é, nós criamos a sociedade com todas as suas divisões com seus conflitos, com seu terror com sua desigualdade e assim por diante indefinidamente porque em nós mesmos somos isso que é o que somos em nossas relações uns com os outros. Podemos ser razoalmente tolerantes razoalmente afetuosos nas relações privadas mesmo isso é um tanto duvidoso mas com relação ao resto dos seres humanos, não somos. O que novamente é completamente óbvio quando vocês leem os jornais, revistas e realmente veem o que está acontecendo. Desse modo a boa sociedade somente pode existir não no futuro, mas agora quando nós, seres humanos tivermos estabelecido relação correta entre nós mesmos. Isso é possível? Não em alguma data futura mas realmente no presente em nossa vida diária poderíamos produzir uma relação que seja essencialmente boa? Sendo boa sem dominação sem interesse pessoal sem vaidade pessoal, ambição e assim por diante. De tal modo que exista uma relação entre as pessoas que seja essencialmente baseada no se posso empregar a palavra e espero que não se incomodem – amor. Isso é possível?

Podemos, enquanto seres humanos viver neste mundo horrível que nós criamos Poderíamos produzir uma mudança radical em nós mesmos? Essa é a questão toda. Alguns filósofos e outros disseram que é impossível mudar radicalmente o condicionamento humano vocês podem modificá-lo, aprimorá-lo, refiná-lo mas a qualidade básica do condicionamento vocês não podem alterar. Há um grande número de pessoas que pensa isso os existencialistas e assim por diante. Por que aceitamos tal condicionamento? Espero que vocês estejam acompanhando o que estamos falando. Por que aceitamos nosso condicionamento que produziu este mundo realmente louco, insano? Onde queremos paz e estamos fornecendo armamentos onde queremos paz e estamos nacionalisticamente economica e socialmente nos separando uns dos outros.. queremos paz e todas as religiões estão nos tornando separados como elas são, as organizações. Lá fora existe uma contradição tão vasta assim como em nós mesmos. Não sei se alguém está consciente de tudo isto em nós mesmos, não o que está acontecendo lá fora. A maioria de nós sabe o que está acontecendo exteriormente não precisam ser muito inteligentes para descobrir, basta observar. E essa confusão externa é parcialmente responsável pelo nosso próprio condicionamento. Estamos perguntando: é possível produzir em nós mesmos uma transformação radical disto? Porque só então poderemos ter uma boa sociedade na qual não nos feriríamos reciprocamente tanto psicologicamente assim como fisicamente.

Quando fazemos esta pergunta a nós mesmos qual é a nossa resposta íntima a essa pergunta? Se alguém está condicionado não apenas como um inglês, ou um alemão ou francês, e assim por diante mas também está condicionado pelas várias formas de desejos crenças prazeres e conflito, conflitos psicológicos tudo isso contribui para este condicionamento e outros. Entraremos nisso. Estamos nos perguntando pensando juntos porque estamos pensando juntos eu espero pode este condicionamento esta prisão humana com suas aflições, solidão, ansiedades afirmações pessoais exigências pessoais, realizações, e tudo isso isso é o nosso condicionamento isso é a nossa consciência e a nossa consciência é o seu conteúdo. E estamos perguntando: pode toda essa estrutura ser transformada? De outro modo jamais teremos paz neste mundo. Haverá talvez pequenas modificações mas o homem estará lutando, discutindo perpetuamente em conflito consigo mesmo e exteriormente. Assim, essa é a nossa questão. Podemos pensar juntos a respeito disto?

Então surge a pergunta: o que se pode fazer? Percebe-se que se está condicionado, sabe-se, se está cônscio. Este condicionamento surgiu por meio de nossos próprios desejos atividades egocêntricas através da falta de relacionamento correto uns com os outros do próprio sentimento de solidão. Pode-se viver no meio de muitas pessoas ter relacionamentos íntimos mas sempre existe este turbulento sentimento de vazio dentro de si. Tudo isso é o nosso condicionamento intelectual, psicológico, emocional e naturalmente também o físico. Ora, pode isto ser totalmente transformado? Essa, eu sinto, é a verdadeira revolução. Nela não há violência.

Agora, podemos fazer isso juntos? Ou se você fizer isso se compreender o condicionamento e resolvê-lo e o outro está condicionado aquele que está condicionado o escutará? Compreendem? Talvez você não esteja condicionado eu escutarei você? E o que me fará escutá-lo? Que pressão que influência que recompensa? O que me fará escutá-lo com o meu coração, com a minha mente, com todo o meu ser? Porque se puder escutar de tal modo completo talvez a solução esteja aí. Mas claramente parecemos não escutar. Assim, estamos perguntando: o que fará um ser humano conhecendo seu condicionamento, a maioria de nós conhece se você está absoluta e inteligentemente cônscio o que nos fará mudar? Por favor façam esta pergunta para vocês mesmos, cada um de nós descubram o que fará cada um de nós produzir uma mudança, uma libertação deste condicionamento? Não pular para outro condicionamento: é como deixar o catolicismo e tornar-se um budista É o mesmo padrão. O que fará alguém, cada um de nós que, com certeza está desejoso de criar uma sociedade boa O que o fará mudar? A mudança tem sido prometida através de recompensa Paraíso, um novo tipo de cenoura uma nova ideologia, uma nova comunidade um novo conjunto de grupos, novos gurus, uma recompensa. Ou uma punição « Se você não fizer isto você irá para o inferno ». Desse modo, nosso inteiro pensar está baseado neste princípio de recompensa e punição. « Eu farei isto se conseguir alguma coisa com isso. » Mas esse tipo de atitude, ou esse modo de pensar não causa uma mudança radical. E essa mudança é absolutamente necessária. Estou certo de que estamos todos cônscios disso. Assim, o que iremos fazer?

Alguns de vocês têm escutado o orador por muitos anos Me pergunto por quê. E tendo escutado, isto tornou-se um novo tipo de mantra Sabem o que é essa palavra? É uma palavra sânscrita significa, no seu verdadeiro significado não ser egocêntrico. e ponderar sobre o não vir-a-ser. O significado disso é que – mantra significa isso. Abolir o egocentrismo e ponderar, meditar olhem para si mesmos de modo a não se tornarem algum coisa. Esse é o verdadeiro sentido dessa palavra que foi arruinado por toda essa bobagem de meditação transcendental.

Assim, alguns de vocês escutaram por muitos anos e realmente escutamos e portanto provocamos uma mudança ou acostumaram-se com as palavras e simplesmente continuam os mesmos? Desse modo, estamos perguntando: o que fará um homem, um ser humano que viveu por tantos milhões de anos continuando o mesmo velho padrão que herdou os mesmos instintos autopreservação, medo, segurança senso de preocupação consigo mesmo o que causa grande isolamento o que fará esse homem mudar? Um novo deus? Uma nova forma de entretenimento? Um novo futebol-religião? Um novo tipo de circo com todas – vocês sabem – com todas essas tolices? O que nos fará mudar? O sofrimento evidentemente não mudou o homem porque temos sofrido muito não apenas individualmente mas coletivamente a humanidade como um todo tem sofrido tremendamente guerras, doença, dor, morte. Temos sofrido enormemente e obviamente o sofrimento não nos transformou. Nem o medo Nem isso nos mudou porque nossa mente está constantemente perseguindo buscando o prazer e mesmo esse prazer é o mesmo prazer sob formas diferentes, que não nos transformou. Assim, o que nos transformará?

Parece que não somos capazes de fazer qualquer coisa voluntariamente. Faremos coisas sob pressão. Se não houver pressão nenhum sentimento de recompensa ou punição porque ambas são muito tolas para sequer serem consideradas se não houver nenhum senso de futuro Não sei se entraram em toda essa questão do futuro, que pode ser nossa decepção, psicologicamente. Vamos entrar nisso presentemente. Se você abandona todas essas coisas então qual é a qualidade da mente que encara absolutamente o presente? Compreendem minha pergunta? Estamos nos comunicando uns com os outros? Por favor, digam sim ou não, não sei onde estamos. Espero não estar falando para mim mesmo.

Se alguém percebe que está num prisão essa prisão criada por ele próprio.. ele próprio sendo o resultado do passado pais, avós e assim por diante herdada, adquirida, imposta essa é nossa prisão psicológica na qual vivemos. E naturalmente o instinto é transpor essa prisão. Agora, percebe-se isso não como uma ideia não como um conceito, mas com uma verdade psicologicamente um fato? Quando se encara esse fato por que nem mesmo assim há possibilidade de mudança? Compreendem minha pergunta?

Este tem sido um problema um problema para todas as pessoas sérias para todas as pessoas que estão interessadas na tragédia humana na miséria humana e se perguntando por que todos nós não causamos um sentimento de claridade em nós mesmos? Um sentimento de liberdade um sentimento de sermos essencialmente bons? Não sei se perceberam os intelectuais os literatos, os escritores e os assim chamados líderes do mundo não estão falando sobre produzir uma boa sociedade eles desistiram disto. Estávamos falando outro dia para algumas destas pessoas e eles disseram, « Que bobagem é isso isso está fora de moda, jogue isso fora. » « Não existe mais tal coisa como uma boa sociedade. » « Isto é vitoriano, estúpido, absurdo. » « Temos que aceitar as coisas como elas são e viver com elas. » E provavelmente para a maioria de nós isso é assim. Assim, você e eu como dois amigos conversando sobre isto, o que iremos fazer?

A autoridade do outro não transforma não causa esta mudança – certo? Se aceito você como minha autoridade porque quero causar uma revolução em mim mesmo e assim talvez produzir uma boa sociedade a própria idéia de segui-lo você me instruindo, isso põe fim à boa sociedade. Não sei se veem isso? Eu não sou bom porque você me diz para ser bom ou eu o aceito como a suprema autoridade acima da retidão e eu o sigo. A própria aceitação da autoridade e obediência é a própria destruição de uma boa sociedade Isso não é assim? Pergunto-me se veem isto. Podemos ir mais longe neste assunto?

Se tenho um guru – graças à deus não tenho nenhum se tenho um guru e o sigo o que eu fiz a mim mesmo? O que fiz no mundo? Nada. Ele me diz alguma bobagem como meditar, isto ou aquilo e eu realizarei uma maravilhosa experiência ou levitarei e todo o resto dessa bobagem e minha intenção é produzir uma boa sociedade onde podemos ser felizes, onde existe um sentimento de afeição, um relacionamento de modo que não exista barreira essa é minha aspiração. Eu vou a você como meu guru e o que foi que eu fiz? Destruí a própria coisa que eu queria porque a autoridade separada da lei e tudo o que se relaciona a ela a autoridade psicológica é divisiva é na sua própria natureza separativa. Você lá no alto e eu lá embaixo e desse modo, você está sempre subindo cada vaz mais e eu igualmente também estou, nunca nos encontramos! (Risos) Vocês riem, eu entendo mas de fato isto é o que estamos fazendo. Assim, consigo perceber que a autoridade com sua implicação de organização jamais me libertará? A autoridade confere à pessoa um senso de segurança. « Eu não sei, estou confuso, você sabe ou pelo menos eu penso que você sabe isso é suficiente para mim Eu invisto minha energia e minha necessidade por segurança em você naquilo que você está falando ». E criamos uma organização em torno disso e essa própria organização se torna a prisão. Não sei se vocês conhecem tudo isto. É por isso que não se deve pertencer à nenhuma organização espiritual por mais que prometa, por mais sedutora ou romântica que seja. Podemos ao menos aceitar, ver isso juntos? Compreendem minha pergunta? Ver isso juntos, ser um fato e portanto quando virmos isso juntos, está acabado. Vendo que a própria natureza da autoridade com sua organização, religiosa e de outra forma é separativa e a obediência estabelecendo o sistema hierárquico que é o que está acontecendo no mundo e portanto é parte da natureza destrutiva do mundo vendo a verdade disso, jogue isso fora. Conseguimos fazer isso? De modo que nenhum de nós – Desculpe de modo que nenhum de nós pertença a qualquer organização espiritual Organizações religiosas, ou seja católica, protestante, hindu, budista, nenhuma delas.

Em pertencendo a alguma coisa nos sentimos seguros. Certo? Obviamente. Mas pertencer a alguma coisa invariavelmente causa insegurança porque isso em si mesmo é separativo. Você tem seu guru, sua autoridade, você é um católico protestante, e outra pessoa é alguma coisa diferente. De modo que eles nunca se encontram, embora todas religiões digam estamos trabalhando todas juntas pela verdade. Assim, podemos, escutando um ao outro, este fato eliminar de nosso pensar todo sentimento de aceitação de autoridade autoridade psicológica e portanto todas as organizações criadas em torno disso então, o que acontece? Abandonei a autoridade porque você assim disse e vejo a natureza destrutiva destas assim chamadas organizações? E vejo isso como um fato e portanto com inteligência? Ou aceito isso apenas vagamente? Não sei se estão seguindo isto? Se alguém vê o fato a própria percepção desse fato é inteligência e nessa inteligência existe segurança e não em alguma bobagem supersticiosa. Não sei se vocês entendem? Estamos nos encontrando? Estou um pouco perdido. Poderiam me dizer, estamos nos encontrando? Plateia: Sim. K. Não, não verbalmente, por favor. Isso é muito fácil porque todos estamos falando inglês ou francês ou seja lá o que for. Intelectualmente, verbalmente não é encontrarmos-nos conjuntamente. É quando vocês veem o fato conjuntamente.

Agora podemos – estamos perguntando podemos olhar para o fato do nosso condicionamento? Não a ideia do nosso condicionamento. O fato de que somos ingleses, alemães, americanos, russos ou hindus, orientais ou seja lá o que for, isso é uma coisa. O condicionamento causado por razões econômicas clima, alimentação, roupas e assim por diante, razões físicas. Mas também há uma grande quantidade de condicionamento psicológico. Podemos olhar para isso como um fato? Como o medo. Podem olhar para isso? Ou se não podem por ora podemos olhar para as ofensas que recebemos as feridas, as feridas psicológicas que entesouramos as feridas que recebemos a partir da infância. Olhem para isso, não analisem isso. Os psicoterapeutas desculpem, espero que não haja nenhum aqui os psicoterapeutas retrocedem, investigam o passado. Isso é, buscam a causa das feridas que alguém tenha sofrido investigando, analisando todo o movimento do passado. Isso é geralmente chamado análise, psicoterapia. Agora, descobrindo a causa, isso ajuda? E você dispendeu muito tempo, anos talvez é um jogo que todos nós jogamos porque nunca queremos encarar o fato mas « Vamos investigar como os fatos surgiram ». Não sei se vocês estão acompanhando tudo isto?

Desse modo vocês dispenderam uma grande quantidade de energia e provavelmente uma grande quantidade de dinheiro numa proficiente investigação no passado ou sua própria investigação, se você é capaz disso. E estamos dizendo que tais formas de análise não são apenas sepativas porque o analista pensa que é diferente da coisa que está analisando – certo? Estão acompanhando tudo isto? Desse modo ele mantém esta divisão através da análise enquanto o fato óbvio é que o analista é o analisado. Não sei se veem isso? No momento em que se reconhece isso o analista é o analisado porque quando você está enraivecido você é isso isto é um enigma? – que o observador é o observado? Quando existe a realidade atual desse fato então o analista não tem nenhum significado existe apenas a observação pura do fato que está acontecendo agora. Não sei se veem isto? Isso pode ser bastante difícil porque a maioria de nós está tão condicionada ao processo analítico auto-análise investigação introspectiva estamos tão acostumados a isso, tão condicionados por isto que talvez se alguma coisa nova é dita você instantaneamente rejeita ou desconsidera. Assim, por favor investiguem, olhem para isso.

Estamos dizendo: é possível olhar para o fato no momento em que está acontecendo raiva, ciúme, violência prazer, medo, seja lá o que for olhar para isto, não analisar isto apenas olhar para isto e nessa própria observação está o observador meramente observando o fato como algo separado dele mesmo ou ele é o o fato? Me pergunto se vocês captaram isto? Estou sendo claro? Compreendem a distinção? A maioria de nós está condicionada à idéia de que o observador é diferente da coisa observada. Tenho sido ganancioso, tenho sido violento. Desse modo, no momento da violência não existe divisão é somente mais tarde que o pensamento pega e se separa do fato. Assim, o observador é o passado olhando para o que está acontecendo de fato no momento. Não sei se captaram tudo isto? Desse modo, conseguem olhar para o fato você está enraivecido, angustiado, solitário, o quer que seja olhar para esse fato sem o observador dizendo « Eu estou separado » e olhando diferentemente para isso. Compreendem? Ou ele reconhece que o fato é ele mesmo não há divisão entre o fato e ele mesmo? O fato é ele mesmo. Não sei se vocês veem. E consequentemente o que ocorre quando essa realidade acontece? Compreendem o que estou dizendo?

Vejam, minha mente tem sido condicionada a olhar para o fato. que é a solidão, vamos ficar com isso não, nós começamos com as ofensas sofridas a partir da infância. Vamos olhar para isso. Me acostumei, habituei-me a pensar que sou diferente da dor – certo? E portanto minha ação com respeito a essa dor ou é supressão, o evitar ou construir em torno da minha dor uma resistência de modo que eu não sinta mais dor. Portanto essa dor está me fazendo mais e mais isolado mais e mais temeroso. Assim, esta divisão ocorreu porque penso que sou diferente da dor – certo? Estão seguindo tudo isto? Mas a dor sou eu. O « eu » é a imagem que criei acerca de mim mesmo que é a dor – certo? Me pergunto se veem tudo isto? Posso continuar? Estão seguindo tudo isto?

Assim, criei uma imagem através da educação através da minha família, através da sociedade através de todas as idéias religiosas da alma, separatividade indíviduo, tudo isso, criei uma imagem acerca de mim mesmo e você pisa sobre essa imagem, eu fico ferido. Então digo que a dor não sou eu Devo fazer algo acerca dessa dor. Dessa maneira mantenho a divisão entre a dor e eu mesmo. Mas o fato é que eu sou a imagem que foi ferida. Certo? Assim, posso olhar para esse fato? Olhar para o fato de que a imagem sou eu mesmo e enquanto tenho a imagem de mim mesmo alguém pisará nela. Isso é um fato. Pode a mente ficar livre da imagem? Porque se percebe que enquanto essa imagem existe você irá fazer-lhe algo, alfinetá-la e portanto haverá dor resultando em isolamente, medo, resistência a construção de um muro em torno de mim mesmo tudo isso acontece quando existe a divisâo entre o observador e o observado, que é a dor. Certo? Isto não é intelectual, por favor. Isto é apenas a observação simples de si mesmo a qual começamos por dizer « auto-percepção ».

Desse modo, o que acontece então quando o observador é o observado Compreendem? – a realidade disso não a idéia sobre isso, então o que acontece? Eu tenho sido ferido desde a infância através da escola, dos pais através de outros meninos e meninas, vocês sabem tenho sido ofendido, ferido, psicologicamente. E eu carrego essa dor durante toda a minha vida escondida ansioso, amedrontado e conheço o resultado de tudo isso. E agora vejo que a dor existe enquanto a imagem que eu criei que tem sido causada conjuntamente ..enquanto ela existe, haverá dor. Essa imagem sou eu. Consigo olhar para esse fato? Não como uma ideia olhando para isso, mas o fato real de que a imagem é a dor, a imagem sou eu. Me pergunto se vocês veem? Certo? Poderíamos ao menos chegar juntos nesse ponto, pensar juntos? Então o que acontece? Antes eu tentei, o observador tentou fazer algo acerca disso. Aqui o observador está ausente portanto ele não pode fazer nada acerca disso. Captaram? Compreendem o que ocorreu? Antes o observador esforçava-se em suprimir isto controlando, para não ser ferido, isolando-se resistindo e tudo o mais, fazendo um esforço tremendo. Mas quando é considerado o fato de que o observador é o observado, então o que ocorre? Por favor, vocês querem que eu lhes diga? Então não estamos em lugar nenhum, o que eu digo não terá sentido algum. Mas se estivermos juntos pensarmos juntos e chegarmos até este ponto então vocês descobrirão por si mesmos que enquanto fazem um esforço existe a divisão – certo? Desse modo, na observação pura não existe esforço e portanto a coisa que foi formada como imagem começa a se dissolver. Essa é a questão toda.

Nós começamos por dizer que a « autopercepção » e a qualidade meditativa nessa percepção causa um sentimento religioso de unidade. E os seres humanos precisam deste imenso sentimento de unidade que não pode ser encontrado através das nacionalidades através desse negócio todo. Assim, podemos nós enquanto seres humanos após ouvir por talvez uma hora ver pelo menos um fato juntos? E ao ver esse fato juntos resolvê-lo completamente assim enquanto seres humanos nunca seremos feridos psicologicamente Esse pensar juntos implica que nós dois vemos a mesma coisa ao mesmo tempo, no mesmo nível, o que significa amor. Estão acompanhando, senhores? Acho que é o suficiente por esta manhã, não é? Nos encontraremos novamente amanhã pela manhã.

First Public Talk at Brockwood Park

Saturday, August 25, 1979

© 2016 Copyright by Krishnamurti Foundations

Exceto quando houver diferente indicação, o conteúdo deste site está licenciado sob a 'Creative Commons Attribution 4.0 International License'
Web Statistics