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No presente está a totalidade do tempo

First Public Talk in Washington D.C.

Saturday, April 20, 1985

(Aplauso) Realmente não sei por que vocês estão aplaudindo. Já tentaram aplaudir com uma só mão? Por favor, façam isso de agora em diante. Esta não é uma conferência sobre algum assunto em particular... ... de acordo com certas matérias, científicas ou filosóficas. Conferências são para informar sobre um determinado assunto, ou para instruir. Mas não iremos fazer isso. Esta não é uma conferência. Nem é uma forma de entretenimento. Especialmente neste país, onde as pessoas estão muito acostumadas... ...a serem entretidas, a se divertirem, a estimularem suas próprias sensações. Mas nestas palestras, hoje e amanhã de manhã... ...vamos conversar juntos... ...sobre a totalidade de nossa existência... ...desde o momento de nosso nascimento até morrermos. Nesse período de tempo, seja ele de 50, 90 ou 100 anos... ... passamos por todo tipo de problemas e dificuldades. Nós temos problemas econômicos, sociais, religiosos; problemas de relacionamento pessoal, problemas de realização pessoal; o querer encontrar nossas raízes aqui ou em outro lugar. E temos inumeráveis feridas psicológicas, medos, prazeres, sensações. E também existe um enorme medo em todos os seres humanos; uma grande ansiedade, incerteza, e uma busca de prazer. E também todos os seres humanos nessa linda terra... ...sofrem muita dor, solidão. Nós vamos conversar sobre tudo isso juntos. E que lugar tem a religião na vida moderna? Vamos também juntos conversar sobre a questão da morte; o que é uma mente religiosa, e o que é meditação; ... e se existe alguma coisa que esteja além de todo o pensamento... ...se na vida existe alguma coisa sagrada... ...ou se tudo é matéria e por isso levamos uma vida materialista. Nós juntos vamos conversar sobre todos esses problemas... ... nesta tarde e amanhã de manhã. Assim, como dissemos, isso não é uma conferência. É uma conversa entre você e o orador. Uma conversa que não implica em converter ninguém... ...fazer propaganda ou apresentar novas teorias, idéias e tolices exóticas. Vamos, se vocês permitirem, conversar juntos sobre nossos problemas... ...como dois amigos, mesmo que não nos conheçamos um ao outro, vamos falar... discutir, ter uma conversa. O que é muito mais importante que ir a conferências... ...ou ser instruído no que fazer, no que acreditar, ou ter alguma fé, etc. Pelo contrário, vamos observar desapaixonadamente, impessoalmente... ...não apoiados em algum problema ou teoria particular... ...mas vamos juntos conversar sobre o que a humanidade tem feito com o mundo... ...e o que nós temos feito uns aos outros. Assim, isso não é um entretenimento, uma viagem romântica, sentimental. Não é apenas importante intelectualmente, o que faz parte do nosso ser... ...mas também devemos olhar para todos esses problemas... ...as mil questões que a humanidade tem, não a partir de um ponto de vista... ...não a partir de uma crença ou fé determinada... ...mas explorarmos juntos, investigarmos juntos. O orador não está tentando fazer nenhum tipo de propaganda... isso seria terrível demais. Ou tentando converter qualquer pessoa a uma concepção particular. Ou a uma crença particular. Vamos fazer juntos uma longa e complexa viagem juntos. Assim, é sua responsabilidade, tanto quanto do orador, que caminhemos juntos, ...que investiguemos juntos; que vejamos o mundo que criamos. A sociedade na qual vivemos é construída pelo homem... ...seja economica, social, o rico e o pobre, etc. A sociedade na qual vivemos. Cada um de nós tem contribuído para ela. E se vocês estão dispostos – e, pelo visto, vocês estão... ...porque estão aqui, e eu estou aqui, para fazer essa longa e complexa viagem... ...porque a vida é muito complexa. E gostamos de olhar para a complexidade e ficarmos mais e mais complexos. Mas nunca olhamos para qualquer coisa simplesmente. Com nossos cérebros, com nosso coração, com todo nosso ser. Assim, vamos fazer essa viagem juntos. O orador pode estar dando voz, colocando em palavras o que está acontecendo: ...objetivamente, claramente, e de forma totalmente desapaixonada. A humanidade viveu nessa terra talvez por um milhão ou cinquenta mil anos. Vivemos nessa terra por muitos e muitos milênios. E durante esse longo período de tempo a humanidade tem sofrido... ...prazer, solidão, desespero, incerteza, confusão, múltiplas escolhas... ...portanto múltiplas complexidades; e tem havido guerras. Não apenas guerras físicas sangrentas, mas também guerras psicológicas. E a humanidade tem se perguntado se pode haver paz na terra... ...pacem in terris – paz na terra, em latim. E, pelo visto, isso não tem sido possível. Há por volta de quarenta guerras acontecendo neste presente momento. Sejam elas ideológicas, teóricas, econômicas, sociais. Desde os tempos históricos, de cinco a seis mil anos atrás... ...têm havido guerras praticamente todos os anos. E também estamos nos preparando para a guerra agora. Uma ideologia, como a dos comunistas... ...o tirânico e brutal mundo da Rússia... ...e a democracia, o assim chamado mundo ocidental democrático. Duas ideologias em guerra. Que tipo de arsenal deveríamos usar... ...controle de armamentos e tudo o mais. As guerras parecem ser o destino comum da humanidade. E também observamos por todo o mundo um armazenamento de armas; ...desde a menor nação ou tribo... ...até a mais rica e sofisticada sociedade como a de vocês. E como podemos ter paz na terra? Isso é realmente possível? E também dizemos que não existe paz na terra, só no céu. E tudo isso é repetido de diferentes formas... ...tanto no Oriente, na Índia, quanto aqui. Os cristãos têm matado mais do que ninguém na terra. Assim, estamos observando, não tomando partido... ...que esses são os fatos, a realidade. E há essas religiões: cristianismo, islamismo, os fundamentalistas. E o hinduísmo e o budismo. E as várias seitas dentro do cristianismo organizado... ...e também na Índia e na Ásia, eles acreditam no Buda. No budismo não há deus; no hinduísmo, alguém calculou... ...que existem cerca de trezentos mil deuses. Isso é engraçado, você pode escolher o deus que você gosta. E no cristianismo e no islamismo existe apenas um deus... ...baseado em dois livros, a Bíblia e o Corão. Assim, as religiões têm dividido o homem. Como o nacionalismo -uma forma de tribalismo glorificado- ...tem dividido o homem. O nacionalismo, o patriotismo, o fervor religioso... ...os fundamentalistas tanto na Índia quanto aqui e na Europa... ...estão voltando atrás, revivendo suas tradições religiosas. Eu me pergunto se vocês algumas vez consideraram a palavra « reviver ». Você só pode reviver algo que está morto ou morrendo, e não algo vivo -você não pode reviver uma coisa viva. E neste país estão revivendo a religião. E também estão fazendo a mesma coisa em diferentes partes do mundo. E existe divisão entre as nacionalidades, as religiões, as economias, etc. E o homem está sempre em conflito... ...assim como cada pessoa nesse mundo passando por todo tipo de miséria... ...todo tipo de sofrimento: dor, solidão desesperada. E sonhamos fugir de tudo isso. Mas vamos olhar juntos, observar esse fenômeno extraordinário: ...o que o homem fez; depois desses milhares de anos... ele ainda continua um bárbaro: cruel, vulgar, cheio de ansiedade e ódio. E a violência está crescendo no mundo. E, assim, perguntamos: pode haver paz nessa terra? Pois sem paz, interiormente... ...primeiro psicologicamente, o cérebro não pode florescer, os seres humanos não podem viver completamente, holisticamente. Assim, por que estamos, depois dessa longa evolução -período em que... armazenamos uma imensa experiência, conhecimento, muita informação- ...por que nós, como seres humanos, estamos perpetuamente em conflito? Esta é a questão real. Porque quando não existe conflito, existe, naturalmente, paz. E o homem – isso inclui a mulher, por favor, quando eu uso a palavra « homem »... ...não estou excluindo a mulher. Não se agitem com isso. (risos) E, se podemos apontar, não fiquem zangados, irritados... ...com o que estamos investigando juntos. É responsabilidade de vocês questionar, não apenas intelectualmente... ...verbalmente, mas com o coração, o cérebro, com todo o seu ser. E descobrir por que nós somos o que somos. Nós tentamos várias religiões, vários sistemas econômicos... ...diferenças sociais, e ainda assim nós vivemos em conflito. Pode esse conflito, em cada um de nós, acabar? Completamente, não parcialmente, não ocasionalmente. Esta é uma questão muito séria. Exige uma resposta séria. Não se « é possível » ou se « não é possível », mas investigar isso bem profundamente... ...por que os seres humanos, incluindo vocês, e talvez o orador,... ...vivem em conflito perpétuo, problemas, divisões. Por que nós dividimos o mundo em nacionalidades, grupos religosos... ...comportamentos sociais e tudo o mais? Podemos seriamente, nesta tarde, perguntar se é possível terminar o conflito? Primeiro psicologicamente, interiormente,... ...porque se existe uma certa qualidade de liberdade interiormente,... ...então produziremos uma sociedade na qual não haverá conflito algum. Assim, é nossa responsabilidade... ...como seres humanos, os assim chamados indivíduos... ...que seriamente coloquemos nossos cérebros, nossa energia, nossa paixão... ...para descobrirmos, por nós mesmos, não de acordo com algum filósofo... ...não de acordo com algum psiquiatra, etc., mas perguntar, observar... ...descobrir por si mesmo se esse conflito entre dois seres humanos... ..sejam íntimos ou não, se ele poderia acabar. O que é conflito? Por que temos vivido em conflito? Por que temos problemas? O que é um problema? Por favor, investiguem com o orador esta questão. O que é um problema? O significado etimológico desta palavra é « alguma coisa atirada a você ». Um problema é um desafio, algo a que você tem que responder. Mas se você começa a investigar toda a natureza de um problema... Se você começa a investigar toda a natureza de um problema,... ...mesmo que seja o mais íntimo problema ou um problema mundial... ...como dissemos, o significado desta palavra, etimologicamente,... ...significa « algo atirado a você ». Gostaria de saber se vocês notaram, a partir desta questão sobre problemas... ...quando você é uma criança, você é mandado para a escola. Lá você tem o problema do escrever; problema de matemática... ...problemas de história, ciências, química e tudo o mais. Assim, desde a infância, você é treinado para ter problemas. Por favor, tenham paciência. Olhem para isso cuidadosamente. Assim, seu cérebro é condicionado, treinado, educado para ter problemas. Observe isso por você mesmo. E, por favor, não fiquem meramente escutando o orador. Nós estamos juntos investigando, olhando para os problemas que temos. Assim, desde a infância, somos treinados, educados, condicionados... ...a ter problemas, e quando novos problemas aparecem... ...o que inevitavelmente acontece... ...nosso cérebro, estando cheio de problemas... ...tenta resolver um outro problema, e com isso... ...acrescenta mais problemas; que é o que está acontecendo no mundo. Os políticos, por todo o mundo, estão... ...acrescentado um problema em cima do outro. E eles não têm encontrado resposta. Assim, é possível – por favor, escutem, se quiserem – é possível... ...ter um cérebro que está livre de problemas... ...para que se possa resolver os problemas? Não um cérebro tumultuado, cheio de problemas. Isso é possível? E também – se você diz que não é possível ou que é possível... ...você interrompeu a investigação. O que é importante nessa investigação... ...é que devemos ter muitas dúvidas, ceticismo. Nunca aceitar qualquer coisa pela aparência, ou... ...de acordo com o seu prazer ou gratificação. A vida é séria demais. Assim, deveríamos investigar... ...não somente a natureza do conflito e dos problemas... ...mas, também – e isso talvez seja muito mais importante... ...quando se vai pelo mundo todo, onde... ...quer que seja, cada ser humano nesta terra... ...cada ser humano, onde quer que ele viva... ...na Rússia, na China, na Ásia, na Índia... ...na Europa, ou aqui, ele passa por todo o tipo de sofrimento. Milhares e milhões têm chorado e riem ocasionalmente. Cada ser humano nesta terra tem estado em grande solidão, desespero,... ...ansiedade, confusão, incerteza – como vocês. Cada ser humano, preto, branco, púrpura ou a cor que você queira. E, psicologicamente, isso é um fato, uma realidade; não inventada pelo orador. Isso é observável; você pode ver isso em cada rosto nessa terra. E, assim, psicologicamente, você é o resto da humanidade. Você pode ser alto, baixo, preto ou branco, ou a cor que você desejar... ...mas, psicologicamente, você é a humanidade. Por favor, entenda isso – não intelectual ou ideologicamente, ou como hipótese... ...mas é uma realidade, uma realidade que queima... ...que você, psicologicamente, é o resto da humanidade. Por isso, psicologicamente, vocês não são indivíduos. Mesmo que as religiões, com exceção talvez de partes do hinduísmo e budismo... ...tenham se ocupado, encorajado a sensação de crescimento individual... ...a salvação de almas individuais e todo esse negócio, de fato... ...na sua consciência, a sua consciência não é sua. É a consciência do resto da humanidade. Porque nós todos passamos pelo mesmo moinho, o mesmo conflito sem fim, etc. Quando você se dá conta disso, não emocionalmente... ...não como um conceito intelectual, mas como algo real, verdadeiro... ...então você não matará outro ser humano. Você nunca matará outro, seja verbal ou intelectualmente... ...ideologica ou fisicamente, porque então você está matando a si mesmo. Mas a individualidade tem sido encorajada por todo mundo. Cada um está brigando por si mesmo: pelo seu sucesso, sua realização... ... sua conquista, perseguindo seus desejos e criando destruição no mundo. Por favor, compreendam isso muito cuidadosamente. Não estamos dizendo que cada indivíduo é importante: pelo contrário. Se você está interessado na paz global... ...não apenas na sua pequena paz no seu quintal... ...as nações se tornaram o quintal. Se vocês estão realmente interessados, como... ...a maioria das pessoas sérias devem estar... ...que você é o resto da humanidade – isso é uma grande responsabilidade. Assim, devemos voltar e descobrir por nós mesmos... ...por que os seres humanos reduziram o mundo ao que ele é agora. Qual é a causa de tudo isso? Por que temos feito tanta confusão em tudo que tocamos? Tanto em nosso relacionamento pessoal, entre homem e mulher... ...entre um e outro. Por que existe conflito entre deuses – o seu deus e o deus do outro? Assim, temos que investigar juntos... ...se é possível acabar o conflito. De outra forma, nós nunca teremos paz nesse mundo. Muito antes do cristianismo, eles falavam sobre paz na terra. Muito antes do cristianismo, no hinduísmo, eles adoravam árvores... ...pedras, animais, a natureza, o relâmpago, o sol; ...nunca houve qualquer sentido de deus antes... ...porque eles consideravam a terra como a mãe a ser adorada... ...a ser cuidada, preservada, poupada... ...não destruída como estamos fazendo agora. Assim, vamos investigar juntos – por favor, eu quero dizer juntos... ...não eu investigando e você escutando... ...ocasionalmente concordando ou discordando. Podemos, nesta tarde, colocar de lado toda essa idéia de concordar ou discordar? Vocês farão isso? Para que possamos olhar as coisas como são, não como vocês pensam que elas são, não a sua idéia ou conceito do que sejam, mas apenas olhar para elas? Olhar para elas nem mesmo verbalmente, se isso for possível. Isso já é muito mais difícil. (Suspiro) Em primeiro lugar, esse é o mundo real em que vivemos. Você não pode escapar dele nos mosteiros... ...pelas experiências religiosas... (e devemos duvidar de todas as nossas experiências) O homem tem feito tudo o que foi possível na terra... ...para fugir da realidade do viver diário, com todas as suas complexidades. Por que temos conflito no relacionamento entre homem e mulher: sexual, divisão sensorial. E nesse relacionamento peculiar, o homem está buscando sua própria ambição... ...sua própria avidez, seus próprios desejos, seu próprio preenchimento... ...e a mulher também está fazendo o mesmo. Não sei se vocês notaram tudo isso por vocês mesmos. Assim, existem dois seres ambiciosos conduzidos pelo desejo, etc., duas linhas paralelas nunca se encontrando, exceto, talvez, sexualmente. Assim, como pode haver um relacionamento entre duas pessoas... ...quando cada uma está buscando os seus próprios desejos, ambições, cobiças? Nesse relacionamento, porque existe essa divisão, não existe amor. Por favor, aguentem firme. Essa palavra « amor » está poluída, cuspida, degradada; ...ela se tornou meramente sensual, prazerosa. Amor não é prazer. Amor não é algo produzido pelo pensamento... ...não é algo que dependa de sensação. Falaremos sobre isso mais tarde. Assim, como pode haver um relacionamento certo, verdadeiro... ...entre duas pessoas, quando cada uma só leva em conta sua própria importância? O auto-interesse é o começo da corrupção, da destruição... ...seja no homem que é um político, ou um religioso, etc.; ...o auto-interesse domina o mundo e por isso existe conflito. Onde existe dualidade, separação, como o grego e o muçulmano... ...como o judeu e o árabe, como o cristão que acredita em um salvador... ...e o hindu que não acredita em tudo isso, existe essa divisão: ...divisão nacional, divisão religiosa, divisão individual. Onde existe divisão, tem que existir conflito. Isso é uma lei. Assim, vivemos nossa vida diária em um... ...pequeno e circunscrito « eu », um « eu » limitado. Não o « eu » elevado, o limitado, o « eu » é sempre limitado... ...e essa é a causa do conflito. Esse é o núcleo central da nossa luta, dor, ansiedade e tudo o mais. Se nos tornamos atentos a isso, como a maioria das pessoa... ...deve naturalmente estar não porque alguém lhe disse ou porque você lê... ...algum livro filosófico ou psicológico, mas porque isso é um fato real. Cada um está interessado em si mesmo. Vive em um mundo separado, totalmente em si mesmo. E por isso existe divisão entre você e ou outro... ...entre você e a sua religião, entre você e o seu deus... ...entre você e as suas ideologias. Assim, é possível compreender, não intelectual, mas profundadamente... ...que você é o resto da humanidade? O que quer que faça, bem ou mal, afeta o... ...resto da humanidade, pois você é a humanidade. A sua consciência não é sua. A sua consciência é formada pelo seu próprio conteúdo. Sem o conteúdo, não existe consciência. A sua consciência, como o resto da humanidade... ...é constituída de crenças, medos, fé, deuses, ambições pessoais, e... ...tudo o mais, medos e tudo isso; toda a sua consciência... ...é constituída de tudo isso, é produzida pelo pensamento. Espero que tenhamos feito a viagem juntos. Juntos estamos caminhando pela mesma estrada... ...não que vocês estejam escutando uma série de idéias. Não estamos buscando idéias ou ideologias, mas encarando a realidade. Porque na realidade, e indo além dessa realidade, está a verdade. E quando você descobre, quando existe verdade... – a verdade é a coisa mais perigosa. A verdade é muito perigosa porque ela traz uma revolução em nós mesmos. MULHER: Por favor, desculpe-me, é possível aumentar o volume? Por favor, desculpe, desculpe, perdoe-me... ...perdoe o orador se ele não responde perguntas. Porque então nos desviaríamos demais. Você sabe, é bom fazer perguntas. Mas para quem você está perguntando, para quem? Você está fazendo a pergunta para o orador? Isso significa que você está esperando por uma resposta do orador. Então você depende do orador. Então você estabelece gurus. Vocês alguma vez já aprofundaram a questão: por que fazemos perguntas? Não que vocês não devessem fazer perguntas, mas estamos investigando. Suponham que vocês façam uma pergunta ao orador e ele a responda: ou você aceita a resposta ou a nega. Se ela lhe for satisfatória, de acordo com... ...seu condicionamento, ou seu « background »... então você diz: « Sim, eu concordo inteiramente com você. » Ou, se você não concorda, você diz: « Que absurdo! » Mas, se você começa a investigar a própria questão... ...a resposta está separada da pergunta? Ou a resposta encontra-se na própria pergunta? O perfume de uma flor é a flor. A própria flor é a essência desse perfume. Dependemos tanto dos outros para sermos ajudados... ...encorajados a resolver nossos problemas... ...por isso, a partir de nossa confusão, criamos autoridade, os gurus, os padres. Assim, por favor, é bom fazer perguntas. Não sei se vocês entraram nisso. Você sabe, perdemos a arte da investigação, da discussão: ...não tomar partidos, mas olhar para isso. É muito complexo, talvez não seja a ocasião para aprofundar isso. Também investigar por que desde criança... ...estamos feridos psicologicamente, magoados. A maioria de nós está magoada psicologicamente... ...e, a partir dessa mágoa... ...seja consciente disso ou não, muitos dos nossos problemas surgem. A ferida, como a criança se fere, pelo xingamento, por palavra ofensiva... ...brutal, violenta, nós somos feridos. Quando falamos « estou ferido », o que é isso que está ferido? É a imagem que você construiu sobre si mesmo que está ferida – a psique? Por favor, o orador não leu nenhum dos livros de psicologia ou... ...livros de filosofia, ou de religião, ele está apenas investigando com você. A psique, que é o « eu » – e o « eu » é a imagem que construí sobre mim mesmo... ...não há nada de espiritual nisso... (essa é uma outra palavra horrível, « espiritual'). Essa imagem é ferida e carregamos essa imagem ao longo de nossa vida. Se uma imagem não é agradável, construímos uma outra que o seja... ...a encorajamos – ela tem valor, significado... ...dá sentido intelectual à nossa vida. Esse é o mundo que criamos... ...a partir da imagem que cada um construiu sobre si mesmo. É possível viver nessa terra não tendo uma única imagem sobre ninguém... ...incluindo deus, se é que existe tal entidade... ...nenhuma imagem sobre sua mulher e seus filhos, seu marido, etc.? Não ter uma única imagem. Então é possível nunca ser magoado. E também, como nosso tempo é limitado, porque temos apenas ...essa meia-palestra nesta tarde e amanhã de manhã... ...devemos investigar cuidadosamente se é possível ser livre do medo. Esta é realmente uma pergunta muito importante a fazer. Não que eu esteja perguntando a você... ...mas você está perguntando isso por você mesmo. Se é possível, vivendo numa sociedade moderna, com toda brutalidade... ...com toda tremenda violência, que está aumentando... ...é possível ser livre do medo? Isso é totalmente diferente de análise. Apenas observar, sem qualquer distorção, observar esta sala, por exemplo... ...quantas fileiras existem (cinco, quatro)... ...observar a roupa do seu vizinho, o rosto, como ele fala... ...apenas observar, não criticar, não avaliar, julgar,... ...mas observar uma árvore, observar a lua e as águas correntes. Quando você observa assim, então você se pergunta o que é... – Voltarei ao medo em seguida – ...o que é beleza? Falam muito sobre a beleza nas revistas: ...como você tem que ser bonita, o seu rosto, o seu cabelo... ...a sua aparência, e tudo o mais. Assim, o que é beleza? A beleza está numa foto, num quadro, na estranha construção moderna? A beleza está num poema? A beleza está no rosto e corpo físico apenas? Alguma vez vocês se fizeram essa pergunta? Se você é um artista ou um poeta, ou um escritor... ...você pode descrever algo com muita beleza, pintar algo adorável... ...escrever um poema que realmente mexa com o seu próprio ser. Assim, o que é a beleza? Porque liberdade quer dizer – etimologicamente a palavra « liberdade »... ...nesta palavra « liberdade » existe amor. Na palavra « liberdade » existe um significado etimológico... ...também, que é amor. Qual é a relação entre amor e beleza? Quando falarmos sobre o amor, talvez mais tarde... o que é beleza? Ela está nos olhos de quem vê? Você já percebeu que dar um brinquedo bonito ou complicado a uma criança... ... que está sendo malcriada, está gritando, brincando... ...e quando você dá um brinquedo, ela fica completamente absorvida nele... ...e toda a sua travessura pára, a malcriação, se posso usar essa palavra... ...porque ela está absorta. Estar absorto num poema, num rosto, numa foto, o estar absorto nisso... ...ou atraído por isso, essa absorção é beleza? Quando você olha para uma montanha maravilhosa... ...com o pico nevado, neve eterna... ...o horizonte contra o céu azul, por um segundo a imensidão dessa montanha... ...afasta o ego, o « eu », com todos meus problemas, toda minha ansiedade; ...essa majestade das grandes rochas e os vales lindos e adoráveis, e os rios; ...neste momento, neste segundo, o eu não está. Assim, a montanha afugentou o eu, como o brinquedo aquietou a criança. Assim, essa montanha, esse rio, a profundeza dos vales azuis... ...dissipam, por um segundo... ...todos os problemas, todas as suas vaidades e ansiedades. Então você diz, « Como isso é lindo! » Assim, existe beleza sem que se esteja absorvido por alguma coisa de fora? Isto é, existe beleza, ou a beleza está onde o eu não está? Vocês compreendem isso? Por favor, não durmam. (Risos) Talvez vocês tenham tido um bom almoço, espero que sim... ...mas este não é o lugar para dormir. É seu problema, sua vida, não a vida do orador, é a sua vida: ...estamos falando sobre suas vaidades, seus desesperos, seus sofrimentos. Assim, fiquem acordados por mais quinze, vinte minutos, uma meia hora... ...se estiverem interessados. Assim, a beleza está onde o eu não está. E isso requer grande meditação, grande investigação... ...um tremendo senso de disciplina. A palavra « disciplina » significa um discípulo que está aprendendo do mestre. Aprendendo, não se disciplinando, conformando... ...imitando, ajustando, mas aprendendo. O aprender traz sua própria e tremenda disciplina. E para esse senso interno de austeridade, é necessário disciplina. Assim, devemos investigar juntos o que é medo. Que horas são, senhor? Podemos continuar? Vocês não estão cansados? O que é medo? Repetindo – a humanidade tem tolerado o medo. Nunca foi capaz de resolver o medo. Nunca. Há várias formas de medo; você pode ter a sua forma própria e particular de medo: ...medo da morte, medo dos deuses, medo de sua esposa, medo de seu marido... ...medo dos políticos, sabe lá Deus quantos medos tem a humanidade... ...do diabo, etc. O que é medo? Não a mera experiência do medo em suas múltiplas formas... ...mas a realidade, o fato do medo. Como ele surge? Por que nós, o homem, a mulher, a humanidade... ...aceitou o medo como um modo de vida? Como vocês aceitam a violência como um modo de viver: violência na televisão... ...violência da guerra, violência em sua vida diária. Por que aceitamos a violência? A violência final é ir para a matança organizada, que é chamada de guerra. O medo não está relacionado com a violência? Assim, na investigação do medo, a verdade real do medo... ...não a idéia do medo – você compreende a diferença? A idéia do medo é diferente da realidade do medo; certo? Certo. Assim, o que é medo? Como ele surgiu? Qual é a relação do medo com o tempo, com o pensamento? O medo – podemos estar com medo do amanhã, ou dos muitos amanhãs; ...medo de morrer, o medo derradeiro. O medo do que aconteceu antes, no passado; ...medo do que está realmente acontecendo agora. Assim, temos que investigar juntos... ...por favor, o orador continua repetindo: juntos; ...caso contrário, não tem graça falar para mim mesmo. O medo é produzido pelo pensamento? Alguém fez algo no passado que o feriu, e o passado é tempo. O futuro é tempo. O presente é tempo. Assim, estamos perguntando: o tempo é um fator central do medo? O medo tem muitos galhos, folhas, mas não é bom podar os galhos; ...estamos perguntando: qual é a raiz do medo? Não as formas múltiplas do medo, porque medo é medo. A partir do medo você inventa deuses, salvadores. Se você, absolutamente, não tivesse medo psicológico... ...então haveria um alívio tremendo, um grande senso de liberdade. Você largou todos os pesos da vida. Assim, devemos investigar muito seriamente, intimamente, hesitantemente, ...essa questão: o tempo é um fator? Obviamente. Tenho um bom emprego agora, posso perdê-lo amanhã, tenho medo. E posso estar casado, estou com medo. Quando há medo, há ciúme, ansiedade, ódio, violência. Assim, o tempo é um fator do medo. Por favor, escutem até o fim, não digam: « Como vou parar o tempo? »... ...esse não é o problema. Aliás, é uma questão bem absurda de se fazer. O tempo é um fator e o pensamento é um fator: ...o pensar sobre o que aconteceu, o que poderia ter acontecido; pensar. O pesamento é um fator no medo? O pensar produziu o medo? Como vemos, o tempo tem trazido medo, certo? O tempo. Não apenas o tempo pelo relógio, mas o tempo psicológico, o tempo interior: ...'Eu vou ser; eu não sou bom, mas vou ser. » « Vou me livrar da minha violência », o que de novo é futuro. Ou: « Tenho sido violento, mas não serei mais. » Tudo isso implica tempo. Temos que perguntar: o que é tempo? Vocês estão preparados para isso? Querem investigar tudo isso? Realmente? Fico muito surpeso. Porque vocês todos têm sido instruídos, têm sido informados... ...ensinados sobre o que fazer pelos psicólogos, pelos padres... pelos seus líderes; sempre buscando ajuda... ...e descobrindo novas formas de serem ajudados. Assim, temos nos tornado escravos dos outros. Nunca somos livres para investigar, ficar psicologicamente completamente a sós. Assim, vamos agora investigar o tempo. O que é tempo? Fora o tempo do relógio, fora do nascer e do pôr-do-sol... ...a beleza do nascer e do pôr-do-sol... ...tirando a luz e a escuridão, o que é tempo? Por favor, se realmente você entende isso, a natureza do tempo interiormente... ...você descobrirá, por você mesmo... ...um extraordinário senso de não haver tempo algum. Voltaremos a isso. Tempo é passado, não é? Tempo é o futuro, e tempo é o presente. Todo ciclo é tempo. O passado – o seu background, o que você pensou... ...o que você viveu, suas experiências, seu condicionamento... ...como cristão, hindu, budista, tudo mais... ...ou você põe de lado todas essas tolices e diz... ...vou viver desse jeito – o que é o passado. Assim, o passado é o presente, certo? Sem o passado você não estaria aqui: o seu background, o seu condicionamento... ...o seu cérebro sendo programado como cristão, hindu, budista... ...e tudo o mais. Temos sido programados por dois mil anos. E os hindus por três a cinco mil anos. Como um computador, eles repetem, repetem, repetem. Assim, o passado é o presente; o que você é agora é o resultado do passado. E amanhã, ou daqui a mil amanhãs, é o futuro. Assim, o futuro é o que você é agora. Certo? Entenderam? Não devo fazer essa pergunta; isso é com vocês. Assim, o futuro é agora. No agora todo o tempo está contido. Isso também é um fato, uma realidade, não uma teoria. O que você é, é resultado do passado... ...e o que você será amanhã é o que você é agora. Se sou violento agora, amanhã serei violento. Assim, o amanhã está no agora, no presente... ...a menos que eu, radical e fundamentalmente, produza uma mutação. Senão serei o que tenho sido. Ou seja, tivemos uma longa evolução – evoluindo, evoluindo, evoluindo. E evoluímos para o que somos agora. E se você continua com esse jogo, você será um bárbaro amanhã. Assim, como todo o tempo está contido no agora – o que é um fato, uma realidade – ...será que pode haver uma mutação total agora... ...em todo nosso comportamento e nosso jeito de viver, pensar, sentir? Não sendo um americano, um hindu, um budista, nada disso. Mas se, radical e psicologicamente, você não produz uma mutação... ...então você será exatamente o que tem sido no passado. Assim, é possível produzir essa mutação psicológica realmente? Sabe, quando você tem ido para o norte toda sua vida... ...seguindo uma direção particular ou não tendo direção alguma... ...apenas vagando incerto por todo lugar, como a maioria das pessoas o faz... ...se você está indo para o norte e alguém aparece e lhe diz seriamente... ...e você o escuta seriamente, não apenas com o ouvido... ...mas também ouvindo profundamente, quando você o ouve dizer... ...que o caminho que você está seguindo, norte, não leva você a lugar nenhum... ...não há nada no final; mas vá para o leste ou oeste ou sul. E você escuta e você diz: vou fazer isso. No momento em que você diz, você tomou uma nova direção, há uma mutação. O orador está colocando isso de forma muito simples. Mas é um problema muito complexo, que é: ...perceber profundamente que estamos seguindo por este caminho... ...por séculos e séculos e ele não tem mudado nada. Ainda somos violentos, brutais, e tudo mais. Se realmente percebemos isso, não intelectual ou verbalmente... ...mas profundamente, então tomamos uma outra direção. Nesse segundo há uma mutação nas próprias células cerebrais. Porque o orador tem discutido essas questões com alguns neurologistas. Com certeza eles não concordam completamente... ...ele vão parcialmente em um caminho. É sempre um jogo, vocês entendem. Consideramos a vida como um jogo: parcialmente certa, parcialmente errada; ...parcialmente correta e você pode estar certo ou pode estar errado. Mas nunca nos perguntamos qual é a maneira de viver, a arte de viver... ...que é a maior das artes, maior do que qualquer arte no mundo, a arte de viver. E- quelle heure – ... HOMEM: 3:57 Eu falei por uma hora? HOMEM: Um pouco mais de uma hora. Vocês aguentam isto? AUDIÊNCIA: Sim. Bem, terminaremos essa questão. Depois disso vamos nos encontrar de novo amanhã. Se vocês quiserem... não estou convidando ninguém; é com vocês. Dissemos que o tempo é importante porque vivemos pelo tempo... ...mas não vivemos o tempo como um todo, que é o presente. No presente todo tempo está contido: o futuro e o passado. Se sou violento hoje, serei violento amanhã. E posso acabar com essa violência hoje – completamente, não parcialmente. Pode. Entraremos nisso. E também: o medo é produzido pelo pensamento? Claro que é. Não aceitem a palavra do orador; examinem isso. Eu sou isso, estou com medo do amanhã, do que pode acontecer. Estou seguro hoje, e pode ser que haja guerra, pode haver isso... ...pode ser que aconteça uma catástrofe, estou com medo. Assim, tempo e pensamento são as raízes do medo. Assim, o que é pensar? Vocês entendem minha pergunta? Se tempo e pensamento são a raiz do medo – o que, de fato, são – ... ...o que é pensar? Por que vivemos, agimos, fazemos tudo com base no pensamento? As catedrais maravilhosas da Europa, a beleza, a estrutura, a arquitetura... ...foram criadas pelo pensamento. Todas as religiões e suas parafernálias, suas vestes... ...todos os mantos medievais, são criados pelo pensamento. Todos os rituais são tramados, organizados pelo pensamento. E em todo nosso relacionamento uns com os outros, homem e mulher... o relacionamento é baseado no pensamento. Quando você guia seu carro, isso é baseado no pensamento. Reconhecimento, tudo isso, é pensamento. Assim, temos que investigar, se vocês não estão muito cansados... – e iremos parar ao fim disso – ...o que é pensar? Provavelmente ninguém faz essa pergunta. Pouquíssimas pessoas fazem. Temos feito essa pergunta por sessenta anos. O que é pensamento? Porque se você descobrir qual é a origem, o começo do pensamento... ...por que o pensamento se tornou tão... ...extraordinariamente importante em nossa vida... ...pode ser que nessa própria investigação uma mutação aconteça. Assim, colocamos a pergunta: o que é pensamento, o que é pensar? Não esperem que eu a responda. Olhem para ela, observem. Pensar é a palavra; a palavra é importante, o som da palavra... ...a qualidade da palavra; a profundidade, a beleza de uma palavra. Especialmente o som. Não entrarei na questão do som e do silêncio... ...falaremos disso talvez amanhã. Pensar é parte da memória, não é? Investiguem isso com o orador, por favor... ...não fique maí sentados confortavel ou desconfortavelmente. Pensar é parte da memória, não é? Se você não tivesse memória, você seria capaz de pensar? Não seria. Nosso cérebro é o instrumento da memória: ...memória das coisas que aconteceram... ...a experiência, etc, todo o background da memória. A memória surge do conhecimento, da experiência, certo? Assim, a experiência, o conhecimento, a memória... ...e a resposta da memória é pensamento. Esse processo de experimentar, de lembrar... ...de sustentar, que se torna conhecimento. A esperiência é sempre limitada, naturalmente. Porque – é uma questão complicada porque... ...oh Deus, tudo é complicado. A experiência é diferente do experimentador? Usem seus cérebros, descubram. Se não existe o experimentador, existe experiência? Claro que não! Assim, o experimentador e a experiência são o mesmo. Como o observador e a coisa observada... ...o pensador não é separado de seus pensamentos. O pensador é o pensamento. Assim, a experiência é limitada... ...como vocês podem observar no mundo científico ou em qualquer outro campo. Eles estão adicionando mais e mais e mais a cada dia... ...ao conhecimento que já têm, através da experimentação... ...através de experimentos com animais e todo esse horror que vem acontecendo. E esse conhecimento é limitado, porque estão apenas adicionando a ele. Assim, a memória é limitada. E, a partir dessa memória, o pensamento é limitado. Assim, o pensamento sendo limitado, invariavelmente produz conflito. Apenas vejam o padrão disso. Não aceitem o que o orador está dizendo, isso é absurdo. Ele não é uma autoridade, ele não é um guru, graças a Deus. Mas se pudermos ver esse fato juntos... ...que o pensamento e o tempo são a raiz do medo. Tempo e pensamento são o mesmo, não são dois movimentos separados. Quando vêem esse fato, essa realidade: ...que tempo e pensamento são a raiz do medo... ...tempo, pensamento – apenas observar isso em você mesmo... ...não se afaste dessa realidade, da verdade disso... ...que o medo é causado por isso: tempo e pensamento; ...sustentar isso, ficar com isso, não fugir, não racionalizar; é assim. Então é como segurar uma jóia preciosa em sua mão. Vocês vêem toda a beleza dessa jóia. Então verão por vocês mesmos que... ...psicologicamente, o medo acaba completamente. E quando não há medo você é livre. E quando há essa liberdade total... ...você não tem deuses, rituais, é um homem livre. Continuaremos amanhã, se não se importarem. Não sei por que vocês estão aplaudindo. Talvez estejam batendo palmas para vocês mesmos. Vocês não estão encorajando ou desencorajando o orador. Ele não quer coisa alguma de vocês. Quando você se torna tanto o mestre quanto o discípulo... ...discípulo sendo aquele que está aprendendo, aprendendo, aprendendo... ...não acumulando conhecimento... ...então você é um ser humano extraordinário. Podemos nos levantar agora?

First Public Talk in Washington D.C.

Saturday, April 20, 1985

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