Sugestão
Subscribe to the Subscribe
And/or subscribe to the Daily Meditation Newsletter (Many languages)
Print   pdf Pdf
                         Diaspora      rss 

Meditação, o atemporal e o amor

Fourth Public Talk at Brockwood Park

Sunday, September 2, 1979

Esta é a última palestra ou encontro juntos. Não sei exatamente sobre o que falar. É um bom começo! Acho que se formos realmente sérios tomaremos a vida como um todo não apenas o que nos serve, o que é mais conveniente o que é mais vantajoso ou agradável Mas a vida é um negócio tão complexo com toda a labuta, todo o esforço, conflito e as muitas pressões e demandas da vida das pessoas. E nós parecemos pegar um ponto de vista particular ou escolher o que é mais satisfatório e ir no encalço disso. Aparentemente parece que nunca tomamos a vida como um todo nossa educação, nossos empregos, nosso modo de viver nossas relações, amor – o que quer que signifique essa palavra. Talvez devêssemos examinar isso nesta manhã e a possibilidade de viver uma vida muito boa.

E a religião através dos tempos tem tido um extraordinário papel em nossa vida. Pode-se descartá-la, pode-se dizer que é tolice superstição, mas o homem, os seres humanos no mundo todo têm buscado ou perguntado se existe alguma coisa muito além de toda esta excitação sensorial, prazeres sensoriais, sexo e da rotina comum da vida. Sempre perguntamos sobre isso. Quanto mais séria é a pessoa quanto mais ela investiga profundamente a própria vida invariavelmente ela pergunta se existe uma coisa muito maior além desta existência com suas complexidades com seu tédio, com sua solidão. E espero que sejamos sérios o bastante, ao menos nesta manhã para que possamos examinar isso.

E se me permitem pedir e salientar por favor, não façam deste lugar um resort um lugar para onde vocês vêm por dez dias e fazem vocês sabem, todo o resto. Por favor, não façam isso. Não vale a pena. Há outros lugares onde vocês podem passar muito melhor. E se usam drogas e tudo isso não venham aqui, não vale a pena. Então como nós, seres humanos, vamos tratar disto? Vocês entendem? Como devemos começar a examinar se existe alguma coisa muito maior alguma coisa realmente duradoura alguma coisa que seja muito, muito imóvel alguma coisa que não pode ser transitória, mutável de acordo com as circunstâncias, com as culturas e assim por diante? Como a pessoa começa a examinar esta necessidade que o homem, os seres humanos no mundo inteiro têm buscado desde tempos imemoriais? Certo? Podemos investigar isto juntos?

Se podemos, a primeira coisa é descobrir como ouvimos não só o que dizem os outros mas ouvir a nós mesmos ouvir todos os pensamentos, todas as emoções e os problemas e as angústias, ouvi-las sem nenhum tipo de distorção sem nenhum tipo de direção. Apenas ouvir como você ouviria um belo concerto. De modo que a pessoa comece a descobrir enquanto ouve as distorções, que a mente ou o pensamento em sua atividade, distorce o que é real. Entendem? Porque o pensamento está sempre buscando mais e assim ele se afasta do real.

Então podemos nesta manhã como eu disse que não sabia exatamente sobre o que falaria mas já que começamos nisso poderíamos ouvir nesta manhã não só o orador que não é realmente muito importante mas o orador está só atuando como um espelho no qual a pessoa vê a si mesma. E quando você observa a si mesmo o espelho não é importante então você pode quebrá-lo, jogar fora, enterrá-lo, o que quiser. Então poderíamos, nesta manhã investigar juntos este enorme e complexo problema de qual é o significado da vida e se existe alguma coisa além do tempo além do amanhã além do enorme fardo da memória? Se existe alguma coisa muito maior do que a mera existência sensorial superficial. E para examinar isso temos que ter uma certa qualidade de liberdade não vinculada a alguma experiência particular nem ansiar ou pedir alguma coisa mais. Porque então você já está se afastando da observação real – certo? Poderíamos, por favor, fazer isto nesta manhã?

Ou seja, estamos examinando o que é chamado de religião. Examinamos o que é o medo, o prazer o sofrimento e de algum modo toda a questão da morte. E acho que deveríamos também examinar muito profundamente esta questão de o que é religião. Porque o homem tem vivido segundo ela. O homem tem dito, em sua busca para descobrir algo fora do normal que não seja anormal, que não seja neurótico algo além do real do acontecimento real, da dor real, da mágoa real da angústia real das reais demandas sensoriais sexuais e suas experiências se existe algo mais além. Certo? Essa tem sido a indagação do homem e que ele chamou de busca por Deus a busca da verdade, busca de várias formas, na Ásia chamada Nirvana, Moksha, Liberação e assim por diante – Iluminação. Esta tem sido a demanda constante, profunda, de pessoas sérias. E na sua busca a pessoa fica presa. Ela adere a uma religião, abandona-a aí vai para outra, abandona também e fica presa em várias armadilhas na sua busca. No final da busca, quando está quase morrendo ela diz « Eu nada encontrei » – compreendem? « Fui a esse guru, àquele guru, a esse templo àquela igreja, segui vários padres rabugentos, supersticiosos e assim por diante ». E no final de tudo, quando a pessoa está prestes a morrer a pessoa percebe que não há nada, não há nada exceto cinzas. Então poderíamos em nosso exame, se vocês são sérios abandonar tudo isso? Porque todas as religiões que o homem organizou são construídas pelo pensamento. E o pensamento, como investigamos outro dia é limitado, pois se baseia no conhecimento e o conhecimento anda sempre com a ignorância. Não existe conhecimento completo. Certo? Por isso existe nele a qualidade da ignorância e assim o pensamento nasce do conhecimento das experiências e por isso é eternamente limitado. E todas as coisas que o pensamento criou as igrejas, os avanços tecnológicos, ciência literatura, pintura e as coisas nas igrejas nos templos, nas mesquitas, todas foram postas lá pelo pensamento não há dúvida sobre isso. Você pode dizer que o salvador as colocou lá mas continua a ser o movimento do pensamento. E por aí vai. Poderíamos ver isso muito claramente não verbalmente, intelectualmente, ou sendo persuadidos ver este fato que todas as coisas que o pensamento criou embora ilusórias, são uma realidade. Esperem um pouco, vou investigar isto. Estou usando a palavra « realidade » no sentido de « isto é real ». O microfone na frente desta pessoa é verdadeiro, real, você pode tocá-lo. E as coisas que o pensamento criou que ele chamou de religião, e organizou isso que ele chama religião, é uma realidade. O ritual é uma realidade Os vários trajes extravagantes que eles usam são realidade portanto isso é real. E os símbolos, as ideias, são reais – não são? Assim como as ilusões, pois o pensamento criou as ilusões. Vocês estão entendendo tudo isto?

Portanto as ilusões, as ideias fantasiosas, todos os rituais Tudo que o pensamento construiu é real. As armas, os submarinos, a ida à lua e assim por diante são todas realidades. Mas essa realidade é criada pelo pensamento – certo? O pensamento não criou a natureza. Então a natureza é real, verdadeira mas não é o produto do pensamento. Mas o pensamento pode usar a natureza fazendo uma cadeira, que torna-se uma realidade. Certo?

Assim, investigando este assunto do que é religião se existe alguma coisa além deve-se distinguir entre o real, a realidade. Realidade, na qual se incluem as ilusões Certo, estão acompanhando? – e a natureza. Essas são todas realidades, mas o pensamento não criou a natureza. Portanto se a pessoa está bem esclarecida nesse ponto podemos então prosseguir para descobrir: essa busca humana por alguma coisa infinita, fora do tempo é isso uma criação do homem, criação do pensamento ou existe alguma coisa que não seja produto do pensamento? Estão entendendo tudo isto?

Por favor estamos investigando juntos. Por favor, tenham o tempo todo em mente este fato central que estamos examinando juntos. Vocês não estão aceitando o que o orador está dizendo. Ele não tem qualquer autoridade. Portanto nós todos estamos seriamente empenhados nesta investigação. Você pode sair no meio dela. Isso é igualmente certo. Mas tendo iniciado a investigação, vá tão longe quanto puder. Provavelmente as mentes das pessoas não são fortes o bastante claras o bastante. Por isso eu disse no início que a pessoa tem que ouvir a si mesma onde está bloqueada, onde está apegada a uma experiência, a um desejo e por aí vai. Portanto deve-se pôr de lado estas coisas, se você está investigando. E nessa investigação deve haver liberdade para observar. Você não pode dizer, « Bem, acredito em Deus ou Jesus, ou Krishna » ou quem quer que seja, e então investigar, você não pode. Isso é fazer truques. Você pode fazer truques com você mesmo mas quando está investigando seriamente, deve proceder honestamente.

Então, existe alguma coisa que não seja produto do pensamento? Certo? Ou seja: existe algo que está além do tempo? Por favor, vá devagar, nós vamos investigar. Estamos acostumados com a ideia de evolução evolução física em primeiro lugar. Isto é, a semente gerando o carvalho leva tempo infinito, muitos anos. E esse mesmo conceito ou realidade é considerado psicologicamente. Isto é, psicologicamente, a pessoa tem que ter tempo para aprender para compreender – certo? para captar aquilo que está muito mais avançado. Portanto estamos acostumados com a ideia de evolução, tempo – certo? Portanto temos que ter muito claro se existe de fato o tempo psicológico. Existe o tempo físico. Por favor, vocês têm que dar um pouco mais de atenção a isto se estão de fato interessados na investigação. Existe o tempo físico para ir daqui até aquela casa. leva exatamente três minutos. Portanto fisicamente o tempo é necessário para ir de determinado ponto a outro determinado ponto. Esse é o tempo para cobrir a distância.

Agora assumimos esse conceito essa conclusão, psicologicamente. Sou ignorante, a pessoa é ignorante ela não sabe, eu não conheço a mim mesmo, preciso de tempo. Ora, o tempo é psicologicamente posto ali pelo pensamento. Você de fato precisa de tempo para libertar-se digamos, por exemplo, da ganância? Estou usando isso como exemplo. Você precisa realmente de tempo? Isto é, vários dias, tempo sendo o futuro. Você precisa do futuro, do tempo, para libertar-se do ciúme o que seja, ansiedade, ganância, inveja? Você precisa realmente de tempo? Não, não balance a cabeça. Mas estamos acostumados a isso. Quando digo, « Vou superar isso » – o vou é tempo. Vocês entendem? Me pergunto se entendem. Não fiquem tão perplexos.

Portanto é nosso hábito, nossa tradição nosso modo de viver dizer, « Eu vou superar minha raiva meu ciúme, minha sensação de inadequação » e assim por diante. Portanto a mente ficou acostumada psicologicamente com a ideia de tempo, que é amanhã, ou muitos amanhãs. Agora estamos questionando isso. Compreendem? Estamos dizendo que ele não é necessário. O tempo não é necessário para libertar-se da ganância Certo? Ou seja, se você está livre do tempo e é ganancioso não existe amanhã. Você ataca isso. Você age, faz alguma coisa imediatamente. Não sei se vocês estão acompanhando tudo isto. Portanto psicologicamente o pensamento inventou o tempo como meio de impedir, como meio de adiar como meio de se satisfazer com aquilo que ele já tem. Não sei se vocês estão acompanhando tudo isso – certo? Portanto o pensamento inventou psicologicamente o tempo a partir da preguiça e assim por diante.

Ora, será que você pode libertar-se da ideia de amanhã psicologicamente? Por favor, investiguem, olhem para isso. Tome sua própria ansiedade, ou o que seja sua satisfação sexual, se você quer isso ou se achar que através de certa atividade sensorial vai alcançar o que quer que queira alcançar isto é, o alcançar é o movimento do tempo. Será que você pode ver a verdade disso e a própria percepção acaba com isto? Será que vocês entenderam? Certo? Estão fazendo isso enquanto falamos? Ou é apenas uma ideia?

Portanto a mente investigou o tempo o que é muito complicado, estamos resumindo o assunto que o conceito de que o amanhã é um meio para um fim é ilusório, psicologicamente. Assim só existe percepção e ação sem o intervalo de tempo. Será que vocês entenderam? A pessoa vê o perigo do nacionalismo o perigo, por causa das guerras e assim por diante A própria percepção é a ação e o fim do sentimento de se estar apegado a um grupo particular. Certo? Estão fazendo isso? Quando toda noite a televisão repete « Britânico, britânico, britânico » ou o francês e francês e francês quando se está na França e assim por diante. Ver que esta divisão produz desastre e então « Dê-me tempo para me libertar do condicionamento que tenho desde a infância de que sou britânico – ou isto, ou aquilo », ver isso sem a ideia de tempo e portanto a ação. Estão entendendo? Gostaria que o fizessem. Portanto isso acaba com o conflito. Compreendem? A luta de que devo libertar-me. Estamos de algum modo juntos nisso? Vejo que não estão porque isso exige realmente uma mente muito séria uma mente que diz, « Eu quero descobrir ».

Portanto meditação é o fim do tempo. Compreendem? Oh, não, não compreendem. Porque foi isso que acabamos de fazer nós meditamos meditamos para descobrir a natureza do tempo. O tempo é real, necessário para ir daqui para lá mas psicologicamente o tempo não existe. Descobrir isso é uma tremenda verdade, tremendo fato porque você terá se afastado de todas as tradições. Compreendem? A tradição diz « Leva tempo, você chega a Deus se fizer isto, isto e aquilo ». E também significa esperança, o fim da esperança. Compreendem? Será que vocês compreendem isto? De acordo com o Inferno de Dante ..significa o fim da esperança – compreendem? Ao passo que estamos dizendo que esperança implica futuro. Isto é, a pessoa está deprimida, ansiosa um sentimento desesperado de inadequação dê-me esperança para avançar, aprender, libertar-me. Portanto quando você vê que não existe futuro psicologicamente então está lidando com fatos, não com esperanças. Será que vocês veem isso? Porque esperança é tempo – certo?

Portanto o que fizemos na investigação do tempo é o início da meditação. É parte da meditação. E para descobrir se existe algo fora do tempo – fora do tempo não devemos carregar nenhum problema conosco – certo? pois estamos sobrecarregados de problemas – certo? Não é? Problemas pessoais, problemas coletivos problemas internacionais, e assim por diante. Por que temos problemas? Por favor, pergunte-se: por que você tem problemas? Sexuais, imaginários, problemas de não ter emprego e por aí vai problemas de inadequação problemas de dizer « Quero chegar ao paraíso e não posso » e todo o resto – vocês sabem, problemas. Por que os temos? É possível – por favor, ouçam é possível viver a vida sem um único problema? Entendem o que isso significa? Quando surge um problema resolvê-lo instantaneamente, não levá-lo adiante. Levá-lo adiante, que é o movimento do tempo cria o problema. Será que vocês veem isso? Certo? Se tenho um problema – se a pessoa tem um problema primeiro, por que a pessoa tem problema? O que é um problema? Um problema é uma coisa que você não entendeu não resolveu, não encerrou mas que aborrece você, que preocupa você você não pode entender e briga e briga dia após dia, dia após dia, dia após dia. Então a mente fica tolhida neste processo – compreendem? Então se não existe tempo – compreendem? não existe problema algum. Será que vocês veem isso? Você realmente vê isto, de fato no seu coração não aqui em cima na sua mente, mas em seu coração você vê que o homem ou a mulher que tem problemas está preso no tempo? Mas quando aparece um problema, se a mente estiver livre do tempo, ela lida com ele instantaneamente, encerrado. Será que vocês veem isso? No momento em que você tem a ideia de tempo, digamos « Vou resolvê-lo », « Levarei tempo ». O movimento para longe do fato é o problema. Vocês estão com sono? Portanto, se vamos investigar isto não pode haver qualquer problema ou seja, a mente deve estar livre para olhar. Certo?

Um problema surge quando nossas relações não são compreendidas. Certo? Sejam íntimas, ou impessoais. Por que não compreendemos a relação e vemos a profundeza dela ou sua futilidade e continuamos com ela? Mas aparentemente nós nunca resolvemos este problema da relação – certo? Vocês conhecem tudo isso, não é? Por quê? É que você ama e não é amado? É esse um problema? Vamos, senhores. É, é um problema. Ou você ama e o outro não ama – certo? Ou na sua relação com o outro você é possessivo é dominador, você sabe, dependente você quer alguma coisa dela ou dele sexo, prazer, conforto. Alguém disse ao orador outro dia « Se vou embora, quem vai lavar minhas roupas? » Compreendem? Será que vocês compreendem tudo isto?

Portanto o que é relação da qual fizemos um tremendo problema? É estar relacionado com outro relação significa relacionado com outro. Com um ou com muitos, ou com toda a humanidade – certo? Com um, ou muitos ou com toda a humanidade Compreendem? Oh, não compreendem! Por que não existe paz nesta relação? Uma compreensão profunda um do outro que gera amor – vocês compreendem? Por que não existe? A relação entre duas pessoas – homem, mulher com o sexo é chamada amor – certo? Certo? Oh, por Deus, não vamos ser hipócritas vamos encarar estas coisas. É chamada amor, e será que é amor? Ou é a necessidade de satisfação sensorial a necessidade de companhia a necessidade nascida da solidão a necessidade que diz, « Não posso ficar sozinho » « não posso suportar esta imensa solidão em mim mesmo e assim preciso de alguém de quem possa depender » psicologicamente tudo isto. Você precisa do carteiro, do porteiro e todo o resto mas, psicologicamente, na relação entre homem e mulher por que há esta tremenda divisão – compreendem? E se está consciente disso? Consciente dessa grande divisão entre você e o outro a quem você diz amar. Precisamos investigar isso? É necessário? Aparentemente é. Tudo bem.

Vocês já notaram que entre duas pessoas seus pensamentos, seus sentimentos nunca são iguais – certo? Uma é ambiciosa, a outra não uma é agressiva, a outra não uma é possessiva, a outra não uma é dominadora e a outra é dócil Isso significa o quê? Cada uma é egocêntrica em sua atividade – certo? Estão acompanhando? Observe você mesmo. Egocêntrico em si mesmo e o outro também é egocêntrico portanto há divisão. Onde há divisão, tem que haver disputas tem que haver antagonismo tem que haver todos os tipos de coisas acontecendo entre nacionalidade, quando há divisão há caos – certo? E a esta divisão nós chamamos amor – certo? Vocês não encaram isso. Portanto ao investigar alguma coisa além do tempo tem que haver completo sentido de relação que só pode surgir quando existe amor. Certo? Amor não é prazer, obviamente. Vocês o depreciam. Certo? Amor não é desejo amor não é a realização de suas próprias necessidades sensoriais Estão acompanhando tudo isto?

Portanto sem amor faça o que fizer fique de cabeça para baixo e sente em meditação pelo resto de sua vida de pernas cruzadas use vestes extravagantes, faça o que quiser Sem essa qualidade não há nada. Então se a pessoa quer descobrir algo fora do tempo deve haver correta relação completamente de modo que não existam problemas. E esta qualidade de grande afeição, amor que não é resultado do pensamento Certo? – isso tem que existir.

Então podemos prosseguir para descobrir. Vejam como isso é difícil. Porque a maioria de nós é tão indulgente consigo mesmo A maioria de nós é tão mesquinha – certo? Tão pequena em sua perspectiva. Portanto sua mente deve estar livre de todos estes movimentos egocêntricos e ansiosos – certo? Porque isso cria o problema e quando a mente tem problemas ela não pode ver claramente. A mente que está sempre tagarelando tal mente não é uma mente quieta – certo?

Aí surge o problema: como vou parar de tagarelar – entendem? Ouçam muito cuidadosamente. Você percebe que sua mente está tagarelando daí você diz, « Como vou parar isso? » No momento em que você fez a pergunta já entrou no elemento do tempo. Me pergunto se vocês veem isso. Sim? Portanto o « como » significa tempo e porque você pergunta « como » o outro companheiro inventa o sistema inventa o método, a prática veste o traje amarelo, traje azul, ou o que seja. Então veja a mente tagarelando e você não é diferente desse tagarelar. Sua mente está tagarelando e sua mente é você. Portanto quando você tem esse princípio essa verdade real que você e o problema são o mesmo você e o tagarelar são o mesmo então todo seu esforço para mudar isto chega ao fim. Então você está encarando o fato que sua mente está tagarelando, que você está tagarelando. E quando você observa assim, o que acontece? Nessa observação você trouxe toda sua energia para observar. Essa energia foi dissipada ao dizer « Como vou parar? » Vocês entendem? Será que vocês entendem isso? Podemos continuar?

Portanto o problema é: Pode a mente Isto é, a mente sendo os sentidos, os sentimentos as reações, as emoções, o intelecto tudo isso é a mente – certo? Pode essa mente, incluindo o cérebro Pode essa mente ficar absolutamente quieta? Vocês entendem minha pergunta? Porque isso é parte da meditação Produzir, como as pessoas tentam fazer Produzir através de vários sistemas, métodos controles etc, de modo que a mente fique totalmente quieta pois apenas quando a mente está completamente quieta você pode ouvir, pode ver. Portanto as várias formas de meditação a tibetana, a hindu, a absurda meditação M.T. vocês sabem, meditação transcedental, uma bela palavra que foi estragada, não é? O transcedental está arruinado por este absurdo banal. Todas essas várias formas de meditação tentaram através do controle, do relaxamento, da autohipnose pela repetição, produzir uma mente quieta o que significa – ouçam isso o que significa permitir que o tempo traga isto. Compreendem? A mente da pessoa não está quieta agora mas vou praticar, vou controlar Vou ficar consciente e através do tempo isso vai acontecer – certo? Mas quando há a compreensão da verdade que o tempo é ilusório, você não pode mudá-lo o tempo não mudará – compreende? então você encara o fato de que sua mente está tagarelando. Quando você está observando um fato completamente com toda sua energia, o fato muda. Você verá, se o fizer, você verá. Porque você trouxe sua energia para a observação e essa energia foi dissipada quando você tentava mudar « o que é ». Olhem, vou lhes mostrar uma coisa! Os seres humanos são violentos – certo? Por várias razões, não vamos investigar isto agora. E os seres humanos inventaram a não-violência – certo? A não-violência é um não-fato. Estão acompanhando isto? O fato é a violência Mas quando você tenta buscar a não-violência está buscando um não-fato e também buscando, admitindo o tempo. E quando você percebe que o tempo não muda não produz mudança, então você encara o fato que é a violência. Não como mudá-la. Existe este fato da violência. Agora, pode a mente observar este fato da violência sem nenhuma direção, sem nenhuma pressão, apenas observá-lo? Compreendem? Observá-lo. Nessa observação a mente concentrou toda sua energia – certo? Assim essa energia é como luz focada na coisa chamada violência e essa violência se dissipa. Não adormeçam, por favor.

Na meditação, que é gerar uma mente que fique absolutamente quieta toda forma de esforço é fútil – certo? Será que vocês entendem isto? Fazer um esforço para meditar, que significa tempo que significa luta, que significa conseguir alguma coisa que você projetou. Então pode haver observação sem esforço? Sem controle? Por favor, ouçam com cuidado. Estou usando a palavra « controle » com muita hesitação pois vivemos numa sociedade permissiva – certo? E se faz o que se gosta quanto mais idiota melhor drogas, sexo usar roupas que são tão sem sentido – entendem? O desleixo de tudo isso. E o orador está usando a palavra « controle » no sentido de que quando há observação pura não há necessidade de controle. Não se engane dizendo « Estou observando puramente portanto não tenho controle » e seja autocomplacente, o que se torna absurdo. A menos que você ouça cuidadosamente que a mente que está sob controle controle esse produzido pelo pensamento esse pensamento sendo limitado e a partir de sua limitação ele está desejando algo e portanto ele diz, « Tenho que controlar » Tal mente tornou-se escrava de uma ideia Compreendem? – não de um fato mas de um conceito, de uma conclusão. Como aquelas pessoas religiosas que acreditam muito firmemente em uma coisa ou outra Elas são incapazes de conversar sobre outra coisa de pensar livremente. Uma vez o orador estava viajando na Índia, de trem e lá havia um europeu, na verdade um inglês, e um indiano muito instruído estava no mesmo compartimento. O inglês estava dizendo ao indiano que a religião deles era uma tolice total, estúpida.. sabem, continuou com isso por certo tempo. E o indiano disse polidamente « Mas você também tem suas crenças, não tem? Você acredita em Cristo e na Virgem Maria ». « Oh, ele disse, « isso é um fato ». (Risos) Esse é o fim da conversa. E a maioria de nós é assim.

Portanto estamos dizendo: uma mente que está em conflito seja produzido pelo controle, pela vontade que é desejo, uma mente que tem problemas a mente que não resolveu as relações e portanto não tem amor tal mente é incapaz de ir além. Vocês compreendem? Ela só pode ir ao que ela acha que está dentro de seu próprio círculo. E ela pode inventar que está indo além, mas não está. Certo? Portanto se somos sérios, se chegamos a este ponto em que a mente, todos os sentidos, o cérebro e todas as coisas nas quais o homem ficou preso são postas de lado, porque existe esse tremendo sentimento de amor com sua inteligência então podemos passar a descobrir. Certo? Isso significa uma mente que está quieta não só fisicamente quieta, comprendem? Mas a quietude não é necessariamente sentar numa certa posição, você pode deitar fazer o que quiser, mas o corpo deve estar absolutamente quieto. Certo? Não controlado porque então você impõe e há conflito. E a mente estando livre e portanto absolutamente quieta, pode observar. Não é « Eu estou observando » – compreendem? Pois se existe « eu observando » existe dualidade, existe separação mas existe apenas observação sem o « eu ». Será que vocês veem tudo isso? O « eu » é constituído de muitas coisas lembranças passadas, experiências passadas, problemas passados problemas presentes, ansiedade – o « eu », que sou eu, que é você. Se chegamos tão longe, o « eu » está agora ausente. Compreendem? Não sou « eu » que estou observando mas existe apenas observação.

Então o que acontece? Compreendem, senhores isto é verdadeira meditação, agora, o que fizemos. O sentido de examinar em si mesmo, a autoconsciência conhecendo todos os seus problemas conhecendo todos os desejos, pressões, conflitos sofrimento, dor, tudo isso, estar consciente de tudo isso. E essa consciência só pode existir quando você está observando suas reações na relação, – certo? Você não pode se observar apenas saindo e sentando sob uma árvore. Você pode de algum modo observar isto mas só na relação todas as suas reações surgem. Portanto a mente está agora em um estado onde não existe problema, nem esforço, nem controle e essencialmente não há vontade porque a vontade é a essência do desejo. Não sei se vocês investigaram isso. Certo? Eu tenho um propósito, eu quero, eu tenho que. Ou seja, desejo exigindo algo que está no tempo. Certo? E para ter aquilo, eu devo exercer a vontade de obtê-lo. Portanto a mente está livre de tudo isso.

Se você chegou tão longe então o que há lá? O homem tem buscado algo sagrado – certo? Alguma coisa sagrada, algo imperecível incorruptível, atemporal – não importa o quê. E ele diz, « Eu trabalhei, aproveitei minha vida Compreendi minha vida completamente, agora o que há? » Vocês compreendem? O que mais, o que existe mais além? Porque toda busca tem que cessar também – entendem? Porque no momento em que você está buscando como sabe o que encontra? Entendem o que estou perguntando? Você está buscando Deus, a verdade, ou seja lá o que você esteja buscando Pode ser seu próprio prazer, pode ser sua própria ânsia sexual Pode ser seu próprio fim para certos problemas e por aí vai Você está buscando. Nessa busca estão implicadas várias coisas. Primeiro quando você encontra tem que reconhecer – certo? Nessa busca isso tem que ser satisfatório Se não você jogará fora. Ela deve responder a todos os seus problemas e não o fará porque os problemas são criados por você mesmo. Portanto a pessoa que diz, « Eu estou buscando » é realmente bem desequilibrada porque está pregando peças em si mesma. Portanto tudo isso agora está totalmente suspenso, acabado. Então a mente fica absolutamente quieta em pura observação. Agora qualquer coisa além disso é meramente uma descrição Vocês compreendem? é meramente juntar palavras para transmitir algo que é incomunicável. Compreendem?

Então tudo que se pode fazer é não descrever isso mas encontrar outro com a mesma capacidade com a mesma intensidade, no mesmo nível. Vocês compreendem sobre o que estou falando? O que é amor? É encontrar outro com a mesma intensidade, no mesmo nível, ao mesmo tempo. Vocês compreendem? Não é? Isso é amor. Não estou falando de amor físico, estou falando de amor que não é desejo, que não é prazer Encontrar alguém com a mesma intensidade – certo? com o mesmo sentido de tempo, – tempo no sentido, vocês sabem e com a mesma paixão. Isso é amor.

Agora, se existe esse amor no outro e você tem esta qualidade da mente que está silenciosa há comunicação – certo? – sem palavras. Essa é uma comunicação que é realmente comunhão o partilhar completo de alguma coisa que não é capaz de ser posta em palavras. No momento em que você a coloca em palavras acabou, porque a palavra não é a coisa.

Assim, ao fim destas palestras quatro palestras e duas de perguntas e respostas, onde estamos? Onde cada um de nós está em relação ao que vocês ouviram, ao que aprenderam ao que viram por vocês mesmos? São meras palavras para vocês levarem? Ou há uma profunda, fundamental mudança de modo que você está livre de todos os seus problemas livre do medo e há esse perfume que não pode nunca morrer, que é amor. E dessa ação daí vem inteligência e ação. Compreendem? Certo, senhores.

Fourth Public Talk at Brockwood Park

Sunday, September 2, 1979

© 2016 Copyright by Krishnamurti Foundations

Exceto quando houver diferente indicação, o conteúdo deste site está licenciado sob a 'Creative Commons Attribution 4.0 International License'
Web Statistics