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Há Afinal Segurança Psicológica?

Third Public Talk in Saanen

Thursday, July 12, 1979

Eu quase não vim esta manhã. Estou com um terrível resfriado. Devemos continuar com o que conversávamos anteontem? Devemos? Parece-me que nunca refletimos seriamente sobre as coisas. Vamos até o meio do caminho e desistimos. E acho que não somos bastante sérios para entrar nisto. Gostaria de discutir ou conversar com vocês, se puder, não só sobre o que estivemos falando, pensando juntos, mas do problema da segurança, por que os seres humanos mundo afora buscam segurança psicológica. É preciso segurança física. Devemos ter alimento, roupas e abrigo. E aparentemente através de milênios o homem não foi capaz de organizar sua sociedade de modo que todos pudessem ter comida, roupas e abrigo. Houve muitas, muitas revoluções para produzir isto, totalitária, esta e a outra mas aparentemente elas não conseguiram ter sucesso. E é porque buscamos segurança física, e esse desejo por segurança física assumiu psicologicamente as necessidades físicas? Entende minha...? É preciso segurança física e essa é a função da boa sociedade. O que examinaremos agora: o que é uma boa sociedade. E por que os seres humanos não foram capazes de formar e eles têm capacidade para organizar, bastante energia para cuidar que todos os seres humanos tenham suficiente alimento, roupas e abrigo. Esse é um problema. O outro é: cada ser humano busca segurança psicológica, segurança interior, confiando na crença, apegando-se, esperando assim encontrar segurança numa crença, num ideal, numa pessoa, num conceito, numa experiência e ele encontra segurança em algum deles? Compreende minha pergunta? E se não encontra, por que apega-se a eles? Compreende minha pergunta? Se possível, vamos refletir juntos sobre esta questão. Isto é, se você quiser, deixe de lado sua vaidade particular, seu preconceito particular, suas próprias conclusões e vamos refletir sobre este problema juntos. Significando que você não está aceitando o que o orador diz nem está aceitando suas próprias conclusões pois você não tem nenhuma, deixou-as de lado. Então vamos refletir muito cuidadosamente e este pode ser um dos fatores, dos seres humanos terem tanto medo. Por que a mente se prende a uma memória particular, experiência particular, agarra-se a uma crença que perdeu todo o significado, por quê? Vamos conversar juntos. Ou ele é incapaz de ver os fatos ou gosta de viver numa ilusão, num simulacro que nada tem a ver com a realidade: a realidade sendo o que está acontecendo agora. Ou ele separa a experiência, a ideia, o ideal, a crença como sendo não exata mas prende-se a elas porque intelectualmente é incapaz de investigar. Entende? Agora se pudermos, vamos seguir passo a passo. Você tem alguma crença a que se agarra? E se você se agarra a uma crença, que crença é essa? Como ela surgiu? Ou por séculos de propaganda, como a maioria das religiões fez, esse é o « metier » delas, o investimento delas. Por séculos uma crença foi criada e a pessoa a aceita naturalmente desde a infância, e é mais fácil seguir o que tem sido a tradição do que rompê-la. Está entendendo tudo isto? Se você não tem crenças particulares, então ideais. A palavra « ideia » creio que vem do grego que significa ver, observar. Compreende? Não observar e daí tirar uma conclusão, o que se torna uma ideia. A palavra « ideia » de fato significa observar. Agora nós temos ideais, o que é o futuro? O futuro que vai ser alcançado. O ideal foi projetado das experiências do passado, de certas conclusões que foram acumuladas e daí você projeta um ideal, histórico, mundano, ou pessoal. Certo? Isso é o passado projetando um conceito como um ideal que está no futuro, e adaptando-se ao futuro, àquele ideal. É o mesmo movimento do passado modificado através do presente, e o futuro. Certo, está claro, não está? Agora se você vê isso, que quando você tem um ideal haverá uma contradição em sua vida diária pois aquele ideal é uma coisa não real – certo? – não fatual. Mas o fatual é o que está acontecendo e daí um conflito, um ajustamento, uma imitação, uma divisão. Assim há constantemente o aproximar da ação da pessoa de uma coisa que não é fatual. Imagino se você percebe. Aquilo é ilusão, isto é real. Agora, depois de explicar isso cuidadosamente, podemos ver mais detalhes. Você realmente vê este fato? Ou já o está traduzindo numa ideia? Compreende? Por favor, observe a si mesmo. Ou seja, se a pessoa tem um ideal e você vê a natureza do ideal, como o ideal surge. Lenin, todos os marxistas, maoístas, têm estes ideais depois de estudar história e chegarem à suas próprias conclusões sobre história e então projetam as ideias e fazem seres humanos se adaptarem àquela ideia. Então você, como um ser humano, refletiu sobre isso com muito cuidado, você vê a falsidade dela e portanto deixa passar? Ou sente que se tiver um ideal, está fazendo alguma coisa, está ativo, está realizando, preenchendo seus ideais. E isso dá à pessoa grande satisfação, vaidade, um sentido de propósito. Você está acompanhando tudo isto? Então depois de conversamos juntos – juntos – põe-se de lado os ideais? Se o fizer, então você pergunta, é possível então encarar de fato o que está acontecendo? Não em oposição ao ideal e medindo o que está acontecendo de acordo com o ideal, mas ter a capacidade de olhar o que de fato está ocorrendo. Nessa observação do que de fato está ocorrendo não existe conflito, você está olhando. Imagino se você percebe isto. Estamos juntos nisto ou eu estou...? Por favor tenha em mente que estamos pensando juntos. É muito importante não só aprendermos a ouvir adequadamente mas também ter a capacidade que vem naturalmente se você está interessado em ser capaz de ver que isso é falso e está acabado. Deixarei de lado minha opinião, não vou deixá-la interferir. E podemos juntos deixar de lado todos os nossos ideais? Porque estamos pensando nisto juntos porque estamos investigando a questão da segurança. Achamos que estamos seguros quando perseguimos um ideal conquanto falso ele seja, conquanto irreal ele seja o que não tem validade, isso dá certo sentido de propósito. E esse sentido de propósito dá certa qualidade de garantia, satisfação, segurança. Certo? Podemos prosseguir? Não prosseguir verbalmente mas de fato você pôs de lado seus ideais. Então agora estamos examinando a questão da segurança. E por que os humanos, no mundo todo, apegam-se à experiência? Por favor, pergunte a você mesmo. Não só experiências sexuais físicas mas também as chamadas experiências espirituais, que são muito mais perigosas. Você caminha por si mesmo ou com outros e de repente tem algum tipo de êxtase, algum tipo de deleite e essa experiência você guarda, apega-se a ela. A coisa acabou – certo? – existe a memória dela e a pessoa se apega a essa memória, que é chamada experiência. A presente palavra « experiência » significa passar por. Passar por e encerrá-la não carregar na sua memória aquilo que aconteceu. Agora especialmente nas ditas experiências psicológicas ou experiências religiosas que são muito sutis quando ocorrem, a mente humana delicia-se com algo que não é comum. Comum significando aquilo que não acontece todo dia. E aquilo que aconteceu repetinamente, ou que aconteceu depois de inconscientemente se trabalhar nela e então acontecer... espero que estejam acompanhando – e se prender àquilo – por quê? Isso dá à pessoa certo sentido de ter experiências, saber? Aquilo que não é algo comum e que dá à pessoa deleite, grande prazer, e nessa experiência há certa qualidade de segurança porque você experimentou algo totalmente diverso de « o que é ». Certo, você está acompanhando tudo isto? E crença, ideal, experiência, lembranças dão segurança? Real segurança, como segurança física. Está entendendo tudo isto? Ou a mente gosta de viver numa certa área de ilusão? Por favor estamos refletindo juntos, não estamos fazendo propaganda ou tentando convencê-los de alguma coisa. Mas estamos tentando juntos descobrir por que os seres humanos se prendem a ilusões que são óbvias para outro. Agora, como dissemos, isso lhes dá grande sentido de superioridade? « Ah, eu tive uma coisa que vocês, colegas, não tiveram ». Essa é a cantilena dos gurus, você conhece isto – « Eu sei, você não sabe. » E por que os seres humanos vivem deste modo? Por que você ou « X » vive deste modo? Por favor, reflita. Vamos pensar juntos porque sua experiência é pessoal, fechada, autocentrada e a outra é o mesmo. Então existe sempre sua experiência é diferente da minha ou do outro e a minha é melhor que a sua assim existe sempre esta divisão seguindo. Então estamos nós, pensando juntos, nos fixando a nossas experiências, nossas crenças, nossos ideais, nossas conclusões, sabendo que elas são meramente estrutura verbal, sabendo que são meramente uma coisa que passou, acabou, no passado? Por que nos fixamos? É que queremos viver com certas ilusões com que nos deleitamos? Então a segurança está em ilusões? Aparentemente a vasta maioria das pessoas no mundo gosta de viver em ilusões, sejam ilusões científicas ou as ilusões religiosas, ou ilusões econômicas, ou ilusões nacionais. Elas parecem gostar disso. E talvez sejamos sérios, não querendo mero entretenimento estamos profundamente preocupados com a estrutura social que é destrutiva, perigosa, e nós seres humanos dizemos que devemos produzir uma qualidade diferente de mente e uma sociedade diferente. Então perguntamos: por que buscamos segurança em ilusões? Por favor, descubra. E por que não podemos encarar fatos? Digamos por exemplo, a inveja é a porção comum a toda a humanidade. Certo? Inveja sendo comparação, medida do que eu sou com o que você é. Isto é medida. Pensando juntos, por que não é possível acabar com ela completamente? Estou perguntando. Não estou dizendo que deveria ou não deveria. O fato é a reação que chamamos inveja. Esse é o fato. Mas o não-fato é eu não deveria ser invejoso. Certo? Concordamos nisto? O fato desta reação que chamamos inveja é o que está acontecendo, mas a mente projetou o conceito que a pessoa não deveria ser, o que é irreal. Então você luta para sair do fato para o não-fato. Será que vocês percebem tudo isto? Certo, senhor? Estamos nos entendendo? Ao contrário encarar o fato sem o não-fato. Estamos nos entendendo? Não sei. Vocês estão todos cansados esta manhã? Então fomos muito treinados, educados para aceitar não-fatos como sendo mais importantes que o real. E no não-fato pensamos que teremos encontrado segurança. Certo? Agora quando você ouve isso, é uma ideia, um conceito, ou você realmente está ouvindo e portanto vê o não-fato e – acaba com ele? Será que você vê isto? Certo? Então temos que examinar a questão: o que significa ouvir? Você ouviu por quase meia hora. Ouviu realmente por meia hora ao que tem sido dito, que é o que está dizendo para si mesmo, não o que o outro está dizendo. Certo? Está ouvindo tão completamente, você vê de fato a ilusão e vê o absurdo de viver na ilusão e acaba com isso? Quer dizer, podemos ficar com o fato e não ter relação com o não-fato? Porque nossas mentes, como dissemos, estão condicionadas a não-fatos. Apenas vejam o que fizemos. Outro dia um homem me disse: « Não posso cremar meu filho no campo santo o que é isto – cemitério porque ele não é batizado ». Compreende? Você entende o que estou dizendo? Não batizado, você sabe, passar por toda aquela bobagem. E ele estava horrorizado, miserável, infeliz que seu filho não podia ser cremado ali, no « solo sagrado » como ele chamou. Entende? Não, por favor senhor, isto é muito sério. Você pode rir disso, pode pôr de lado porque diz que é bobagem mas você tem sua própria bobagem. Então podemos ouvir, observar tão de perto, tão atentamente, dar toda nossa atenção a isto e daí toda ilusão passou? E esta ilusão é parte de nosso condicionamento. Se você é católico, olhe para as ilusões que tem ou hindu e assim por diante. Não temos que entrar nisso tudo. Agora uma mente que buscou segurança em não-fatos largou isso, descobriu que não há segurança ali, então por favor acompanhe isto – qual é o estado da mente que está observando o que está acontecendo, o real? Entende minha pergunta? Minha pergunta está clara? Por favor! Tudo bem. Suponha que eu não – não suponham – acabou, eu não tenho ilusões. O que não significa que sou cínico, não significa que sou indiferente ou que me tornei amargo, mas ilusões não fazem mais parte da minha vida. Então me pergunto: qual é a qualidade da mente, sua mente, juntos, qual é a qualidade de nossa mente que encara o que está acontecendo? Entendem minha pergunta? Entende minha pergunta, senhor? Qual é o estado de sua mente que está livre de toda forma de ilusão? Ilusão nacional, ilusões científicas, naturalmente todas as absurdas ilusões das religiões e a ilusão que você tem carregado como sua própria experiência. Certo? Qual é a qualidade da mente que está livre? Só tal mente pode observar o que está acontecendo, naturalmente. Entende? A questão então é: a mente busca segurança – certo? ela quer segurança, não encontrou segurança em nenhuma ilusão – certo? mas ainda diz « Tenho que ter segurança. » Imagino se você está acompanhando tudo isto. Então ela diz, « Tenho que encontrar segurança em minha relação. » Obviamente. « Deixei todas as crenças, ideais – ah, estou cansado (risos) as experiências, as lembranças, toda a bobagem nacionalista, tudo isso, tudo passou ». Mas a mente da pessoa não está livre da ideia de segurança. E aí pode estar o começo de todo o medo. Então ela diz, « Existe segurança na minha relação com o outro? » Continue, você é a pessoa que está presa nisto. Existe segurança na imagem que criei sobre minha esposa ou marido, minha namorada? Obviamente não. Porque essa imagem é a projeção da experiência passada. Certo? E a experiência passada gerou esta imagem e de acordo com essa imagem eu atuo, o que é o futuro. Certo? Estou tornando isto tremendamente difícil? Então a mente está dizendo agora: não há segurança em nenhuma imagem. Certo? Não na relação mas em nenhuma forma de possuir uma imagem que o pensamento criou a partir da experiência passada. Certo? Então se você não tem uma imagem qual é a relação na qual a mente ainda está buscando segurança. Certo? Vamos senhores! Existe uma relação entre duas pessoas quando elas não estão absolutamente pensando juntas? No pensar junto existe completa segurança. Certo? Ou seja, um deixou todas as suas opiniões, julgamentos, experiências e tudo isso, e o outro também, daí eles podem pensar juntos. Certo? Essa é a verdadeira relação na qual não existe divisão como meu pensar pessoal e o seu. Certo? Então estamos dizendo: existe segurança psicologicamente, total segurança quando a mente está livre de todas as ilusões e não busca segurança em qualquer forma de relação como apego. Certo? Porque o apego é uma das ilusões em que pensamos que vamos encontrar segurança. Sou apegado a você. Sou apegado a esta audiência. Venho aqui, o orador vem aqui e quer falar, expressar-se, realizar-se, e assim encontra certa segurança nisso. Quer dizer, o orador está explorando vocês para sua própria segurança. E quando o orador é honesto e bem decente ele diz que bobagem é essa e sai desse tipo de tolice. Então no apego queremos encontrar segurança. E quando você não encontra num apego particular, tenta encontrar em outro apego. A pessoa é casada com outra por 20 anos e está chateada e de repente (risos) foge com outra que é o que está acontecendo na sociedade, e aí você espera encontrar algum tipo de segurança, excitação, sexo e todo o resto. Vejam o que estamos fazendo, senhores. Ou você está apegado à sua atual senhora ou homem e está satisfeito, certo? – o que é outra segurança. Será que você vê tudo isto? Imagino se vê como sua mente lhe prega peças todo o tempo. Isto é chamado amor. Então estamos dizendo: existe de fato segurança psicologicamente? Reflita. Alguém investiu o desejo de segurança psicológica em crença, num ideal, na experiência, em lembranças, no apego, em Deus e por aí vai. E existe segurança? Ou é tudo ilusão? Quero dizer, pode-se ter tremendo conforto em qualquer tipo de ilusão: que Jesus irá salvá-lo, maravilha! Conforto, salvá-lo do que, deus sabe, mas não importa! E assim por diante. Os hindus têm isso, os budistas o mesmo padrão é repetido mundo afora. Significando que nunca encaramos o fato mas vivemos no não-fato. E quando fazemos isso, nossas mentes são despedaçadas. Certo? Tornamo-nos cruéis, achamos o conflito inevitável, é parte da vida. Quando você põe de lado tudo isso, como você põe de lado tudo isso? Esse é o ponto. Compreende? Você ouviu isto por 45 minutos e de que maneira, se você descobriu sua ilusão particular, de que maneira a colocou de lado? Compreende? Por favor, acompanhe. É um ato de determinação? É um ato de escolha, vendo que isto é ilusão, prefiro aquilo? É o resultado da concepção do outro imposta a você? É sua própria clareza de observação? Ou seja, você mesmo vê isso? Daí surge a pergunta: Como você vê isso? Estão acompanhando? Não estão ficando cansados? A pessoa vê que está presa numa ilusão, num ideal. Como você vê este fenômeno? É uma conclusão tirada de um raciocínio? Uma clareza de explicação verbal? É que você está sendo habilmente persuadido? Ou você mesmo vê este fato. Agora perguntamos: como você vê isto? Vê meramente como percepção visual, os fatos do mundo, e portanto da percepção visual, lendo livros, jornais, revistas, discutindo você chegou à concepção de que ideais são lixo. Isso é meramente um processo intelectual e portanto é meramente você vivendo num conceito e portanto não-fato, conquanto lógica, sensata e racionalmente você possa observá-lo e dizer:'Largarei isso ». Mas largá-lo não é real porque você tem outras ilusões logo na esquina. Mas já que estamos dizendo – por favor ouça isto se você observa sem nenhuma lembrança em sua observação... Tenho que ser muito claro ou vocês pensarão que estou louco. Estamos discutindo juntos a questão de ver se você chegou à conclusão de que ilusões são sem sentido e assim você não se envolverá nelas. Ou você tem um « insight » em todo o movimento da ilusão? Compreende minha pergunta? Posso usar – a pessoa pode usar um tipo de ilusão, crença, investigá-la, entrar nela, e dizer, « Bem, está acabado. » E investigar seus ideais e assim por diante. Isso realmente não o liberta, liberta? Investigar, mas isso realmente o liberta quando você racionalmente, logicamente, sensatamente investigou as várias formas de ilusões? Ou seja, como você investiga? Investiga pelo pensamento. Certo? O pensamento criou estas ilusões e com o pensamento você examina as ilusões, o que é outra vez um truque que você está fazendo. Então o pensamento pode outra vez criar ilusões e dizer « Eu não terei estas ilusões ». Mas o pensamento não compreendeu a própria natureza da ilusão e o criador das ilusões. Agora se você vê que o próprio pensamento é o criador de ilusões... -estão entendendo tudo isto? – então quando a própria mente vê que o pensamento é o criador de ilusões, então você tem um « insight » em toda a natureza das ilusões. É esse « insight » que vai dissolver todas as ilusões. Imagino se você entendeu. Devemos discutir, ou entrar na questão do « insight »? Temos sete minutos. Senhor, « insight » não é intuição. Intuição pode ser uma refinada forma de desejo. Não aceite o que o orador está dizendo, investigue. Intuição ou captação pode ser uma projeção inconsciente que é tomada como algo extraordinariamente real. Certo? Estamos dizendo, « insight » não tem relação com qualquer forma de desejo. « Eu quero compreender, Tenho que entrar nisto. » O motivo por trás é o desejo querendo compreender. Certo? O desejo está dizendo, « Isto, tenho que descobrir isto. » Então se você quer entrar nisto com muito cuidado « insight » não é a atividade do desejo. « Insight » não é a projeção da experiência passada. « Insight » não é uma ação relembrada. Ou seja, vou lhe mostrar uma coisa. É isso: quando você vê que todas as organizações religiosas, num instante, não logicamente, passo a passo, o que você pode fazer depois, se você vê que todas as organizações religiosas se baseiam no pensamento e portanto não têm nada a ver com o real, com a sacralidade da religião, você tem um « insight » nisso. Compreende o que estou dizendo? Agora sua ação em relação à ilusão é ação do « insight »? Compreende minha pergunta? Ou ainda a está analisando? Você está ainda mentalmente ativo na exploração? Ou vê instantaneamente a natureza da ilusão e acabou. Entende a diferença? Uma é determinação, escolha, uma forma sutil de conclusão e ação. Então a ação tem um intervalo, há um intervalo de tempo. Estamos dizendo: no « insight » há percepção imediata e ação na qual não há arrependimento, nem volta, é assim. Entenderam isso? Senhor, se quiser entrar nisto a pessoa tem que ter muito cuidado, não se iludir porque nossas mentes são muito rápidas na capacidade de se iludir. Posso dizer, « Sim, tive um « insight » nisto. » E a partir desse « insight » você age e então descobre « Queria não ter feito isso. » Remorsos – entende? – toda a sequência se segue. Mas « insight » é algo inteiramente diferente. Não há intervalo de tempo entre « insight » e ação, eles estão juntos. Agora depois de explicar tudo isto o que é uma forma de comunicação, você ouviu tão cuidadosamente que vê instantaneamente toda a estrutura da ilusão? Isso é sabedoria. Certo senhores. Podemos ir? Senhor, quando sentamos juntos assim bem quietos e silenciosos, ouvindo, o silêncio é inventado? Ou você está tão interessado não em resolver seus problemas pessoais que inevitavelmente acabarão quando você tiver entendido o ato de ouvir, o ato de observação. O ato de ouvir, nesse não existe desejo, apenas você ouve. Mas se você ouve Mozart e diz, « Por Deus, que beleza... » « Passei uma bela tarde outro dia ouvindo àquela música e quero tocá-la de novo, » você perdeu alguma coisa. E se ouviu tão completamente, então a coisa em si é como uma semente lançada na terra, ela brota, você não tem que fazer nada. Do mesmo modo se você observa de perto, onde há só observação, só observação – não o observador dizendo « Vou observar » então nessa observação e ouvir há uma estranha qualidade de atenção que é « insight ». Certo, senhores. Certo. Isso é suficiente?

Third Public Talk in Saanen

Thursday, July 12, 1979

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