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Existe uma maneira de sair da crise no mundo?

First Public Talk in Saanen

Sunday, July 8, 1979

Não esperava tantas pessoas. Estava imaginando sobre o que deveríamos conversar! Parece-me que os nossos problemas auto-centrados e os problemas que estão por trás de nossas crises pessoais, distúrbios e misérias o mundo ao nosso redor está mais ou menos em caos, em grande confusão. Acho que todo mundo admitirá isso sem grandes esforços com muita investigação. E ninguém aparentemente vê uma solução pra isso nem política, nem religiosa, nem econômica. Isso de novo é um fato óbvio. E ninguém se pergunta se há um caminho para sair disso a armadilha na qual os seres humanos estão presos por milênios se há uma saída para toda esta bagunça, confusão, tumulto, terror. E, não achando resposta, muitas pessoas recorrem a velhas tradições ligam-se a velhas religiões, ou formam uma pequena comunidade esperando assim resolver seus problemas particulares. E eu sugeriria que há uma saída para tudo isto para toda esta infindável miséria, conflito, luta várias formas de terror e a ameaça de guerras, perto e longe. Desta forma, para investigar tudo e achar uma solução, uma saída sem supressão, sem fuga, sem qualquer tipo de ilusão. E se você tiver a paciência, energia e a séria responsabilidade que isto traz, podemos pensar juntos. Eu espero que vocês estejam preparados para isto – pensar juntos. Há dois tipos de pensamento: um, pensar sobre algo sobre um problema, uma questão pessoal, ou sobre o mundo e por aí vai. Isto é, pensar sobre alguma coisa. E há outro tipo de pensamento que não é sobre alguma coisa? Por favor, eu vou entrar nisto amplamente e profundamente se puder. Então perguntamos: nossas mentes estão acostumadas a pensar em algo sobre um problema a partir de nossos interesses pessoais realizações, tristeza, ansiedade, etc., sobre alguma coisa. E nós estamos acostumados com isso, « pensar sobre ». Estamos perguntando, não sobre algo mas o pensamento em si. Se esta questão está clara não a respeito de algo que virá depois, mas pensar juntos. Por favor vejam a diferença: pensar juntos não significa que você concorda ou discorda, aceita ou rejeita, defende ou ataca mas juntos descobrir se é possível pensando juntos podemos agir juntos, não sobre algo – por favor usem suas mentes para isto um pouco – não sobre algo que podemos mais ou menos fazer. Nós podemos concordar em agir de uma certa forma podemos colocar nossas mentes juntas para investigar um certo problema mas nós não estamos entrando nisto agora. Mas perguntamos: pensar juntos sem quaisquer barreiras sem quaisquer inibições, sem preconceitos deixando de lado suas experiências pessoais, seu desejo de realização. O que significa você e o orador, juntos, livres para pensar. Isto está claro? Por favor, isto precisa de muita investigação porque nós estamos condicionados a pensar juntos sobre certas idéias sobre certas conclusões, filosóficas, históricas, etc. Então há os que concordam e os que discordam. Eles formam dois campos cada um opondo-se ao outro, que é o que está acontecendo no mundo. Os totalitários, os chamados democráticos, os capitalistas e os marxistas e etc, concordando e discordando, atacando e defendendo. Por isso, perguntamos se podemos pensar juntos livremente deixando de lado todas as suas experiências, conclusões, desejos preconceitos, etc. Deixando-os de lado para que possamos pensar juntos. Vocês farão isto? Você e o orador colocando de lado suas crenças suas opiniões, julgamentos e avaliações suas esperanças, e pensarmos juntos, não sobre algo mas pensar. Podemos fazer isto? Significa que estando livres dos nossos problemas, vontades, demandas realizações, etc, estando livres para investigarmos juntos, não investigar alguma coisa, mas sim a capacidade, o espírito de investigação. Está claro? O que requer não apenas que você ouça, não ao que está sendo dito mas ouvir a qualidade de uma mente que está pensando não em relação a algo mas ouvindo toda a qualidade do pensamento, o que requer certa conscientização e atenção. Certo? Onde há atenção não há um centro ao qual você está atrelado. Pergunto se você está fazendo isto conforme estamos conversando. Ou seja, quando você presta atenção, nisto não há divisão, então nesta atenção o pensamento não é o seu ou o meu pensamento, mas é pensar. Podemos proceder seguindo esta linha? Estamos nos entendendo? Quando você dá sua atenção, o que significa aplicar toda a sua mente seu coração, seus nervos, dar atenção completamente você percebe que há um centro a partir do qual você dá atenção? Então nesta atenção não há o seu pensamento ou o pensamento do orador há apenas a qualidade da atenção total. Certo? Não olhem assim mistificados (Riso), é na verdade bem simples. Você vê o nosso pensamento, o pensamento do dia-a-dia está relacionado a um assunto específico a uma certa ação, a um certo problema – pensar sobre alguma coisa. Certo? Certo? Este pensamento provém de uma experiência de uma memória, um conhecimento desta forma é a sua experiência opondo-se à experiência de outro. Por isso há sempre divisão. Certo? Por favor, sigam isto. Você tem a sua opinião e o outro tem a dele e as duas opiniões divididas, opiniões divergentes nunca serão iguais. Se você acredita em algo e o outro acredita em algo diferente fortemente, então há uma ampla divisão. Já estamos acostumados com essa maneria de pensar. Certo? Agora perguntamos: este pensamento nunca poderá ser « unido » porque ele está sempre opondo-se, defendendo ou aceitando. Estamos falando de algo inteiramente diferente. Pensar juntos implica no fato de que você e eu temos que nos livrar de todos os preconceitos e tudo mais pensando juntos – porque neste pensar junto não há seu pensamento e meu pensamento separados, é um pensamento conjunto. Certo? Vocês entenderam isto? Não, por favor isto é muito sério porque ou vocês aceitam isto como um conceito intelectual, que então torna-se o seu conceito e o dele. Se você simplesmente aceita uma explicação verbal e cria a partir daí uma conclusão de acordo com a sua experiência, conhecimento preconceitos, e o outro faz o mesmo, então não há união. Vocês compreendem isso tudo? É importante que estejamos juntos em nosso pensamento de forma que não haja barreira entre seu pensamento, e meu pensamento, o dele ou o dela. Podemos fazer isto juntos? Porque a partir daí podemos prosseguir porque a sua mente então tem uma qualidade totalmente diferente. Ela é completamente objetiva, nada pessoal. Os problemas egocêntricos que nos sobrecarregam não serão resolvidos a menos que haja uma qualidade diferente de pensamento, uma qualidade diferente de percepção, uma qualidade diferente de olhar o problema. Certo? Espero que vocês estejam seguindo tudo isso. A nossa questão então é: é possível para duas pessoas um grupo de pessoas, assumir esta responsabilidade? Colocar de lado sua ansiedade, apego e etc e o outro unir-se de forma que nunca haja uma questão de divisão opinião opondo-se a opinião, conhecimento opondo-se a conhecimento, experiência contradizendo outra experiência – vocês estão compreendendo? Assim nossas mentes estão unidas. Os estados totalitários querem isto. Eles são a autoridade e determinam o que as pessoas devem pensar, fazer, etc. É isso que está ocorrendo. Se você discorda, ou leva um tiro ou é enviado a um campo de concentração ou exilado. Não é sobre isso que estamos falando. Muito pelo contrário. Duas mentes educadas, preocupadas com o mundo e empenhadas em descobrir se há um caminho para sair disso, sair desta armadilha sair dessa terrível confusão que o homem criou para si e para os outros. Podemos fazer isto juntos? Hai capito? Vocês entendem a questão agora? Juntos – nossas mentes são iguais, o orador não está dizendo a você o que fazer e você obedece, ou desconsidera, ou aceita mas nossas mentes estão, unidas livres para resolver nossos problemas. Certo? Podemos fazer isto? Você vai desistir da sua meditação Zen, do seu Guru particular? Desistir da sua crença, sua própria experiência à qual você se agarra, os seus problemas de interesse pessoal, deixe-os e aí podemos nos unir. Você percebe o que ocorre se nós fazemos isto? Então podemos investigar juntos cada problema de modo muito simples e claro e direto e agir. Isto é clareza. Observar, ver sem distorção alguma, ouvir completamente sem fazer qualquer abstração do que você está escutando em uma idéia. Assim há apenas o ouvir, há então apenas o ver não você vê e eu vejo diferentemente, há apenas o « ver » juntos. Certo? Você vê que saímos num instante de nossa pequena esfera do nossos próprios quintais, dos nossos inumeráveis problemas de preocupação com nós mesmos. Vocês perceberam? Por favor, isto é sério se quisermos falar juntos, isto é realmente importante. Ou você carrega o fardo de todos os problemas, ansiedades, mágoas e tristezas, e tenta o ouvir outro companheiro, ao que ele está dizendo? Se faz isso, então você está tentando sujeitar-se ao padrão estabelecido por outro obviamente e por isso sempre haverá divisão. Certo? Nós estamos perguntando sobre algo muito sério e já que você se deu ao trabalho de chegar a esta tenda, custo, energia combustível e todo o resto, estamos pensando juntos? Não você pensa e eu penso, pensando juntos. Então nós podemos entrar nesta questão do tempo pensando juntos, não o seu tempo, o meu tempo. Isto é muito importante porque vamos descobrir se pensarmos juntos se existe psicologicamente um amanhã porque isso pode ser ilusão, ou realidade; que há psicologicamente o amanhã – amanhã significa muitos, muitos amanhãs. Pode ser que seja uma ilusão e sendo uma ilusão, podemos colocar isto de lado e encarar a questão se há psicologicamente um movimento progressivo de evolução, que é o tempo. Será que vocês estão acompanhando isso tudo? Você está acostumado com a minha linguagem e desta forma pode ir dormir? Você pode dizer: « Ah sim eu já ouvi isso tudo antes ». Se você pensa assim, então não está descobrindo por si mesmo não está pensando junto. Já parou de pensar junto e diz: « Já ouvi isso antes ». Porque nós vamos muito muito profundamente, e assim é a primeira vez que ouve isso. O orador vem falando nesta tenda pelos últimos 19 anos ano que vem serão 20 anos. E provavelmente vocês todos irão voltar-se e dizer « Ai meu Deus, olha ele de novo, está preso a uma rotina. » Nós não estamos presos a uma rotina. Estamos livres para ouvir, para observar e nesta própria observação ouvir revela a verdade, não a idéia sobre o que é a verdade. Por isto estamos perguntando sobre uma questão muito séria porque todo nosso condicionamento toda nossa educação, religiosa pessoal e mundana está permitindo ou dando tempo para alcançar algo. É preciso tempo para aprender um idioma é preciso tempo para aprender a dirigir um carro, tempo é necessário para adquirir uma habilidade técnica. Para ser um bom carpinteiro você precisa de tempo. Mas estamos perguntando algo totalmente diferente. Aí tempo é necessário. Psicologicamente, por favor tenha em mente, estamos pensando juntos não o que você pensa, se tempo é necessário ou não. Estamos investigando juntos por isso você está livre para olhar, questionar, perguntar. Você não pode indagar, exigir, ser cético se diz: « Vou persistir com meu conhecimento, eu acho que o tempo é necessário » e etc. – aí não estamos juntos. Estamos pensando juntos sobre a questão da evolução psicológica. Porque o homem através dos milênios, acostumou-se está habituado, condicionado a pensar que ele irá evoluir. « Eu sou isso hoje ». « Dê-me tempo para mudar ». « Sou invejoso, estou assustado, sobrecarregado com enorme tristeza e preciso de tempo para superar, ir além disso ». É com isso que estamos habituados. O orador está perguntando se esta evolução psicológica existe de fato. Ou se ela é uma invenção do pensamento pois ele diz « Eu não consigo mudar hoje, me dê tempo pelo amor de Deus, amanhã ». O eterno vir a ser. « Eu serei bem sucedido como executivo como um engenheiro de primeira, ou um carpinteiro de primeira ». Tudo isto requer habilidades e você precisa de tempo. Mas nós estamos perguntando: há evolução psicológica de fato, o « eu » vindo a tornar-se algo? Vocês entendem? Estamos pensando juntos não a respeito do fato se o tempo psicológico existe ou não. Estamos pensando juntos, assim não há oposição. Certo? Então vamos examinar todo o condicionamento do vir a ser juntos, vocês entendem? – não tirem conclusão alguma. Ou, se vocês têm conclusões, deixem pra lá e descubram. Você vê o problema? Se o condicionamento de alguém permite o tempo então você é apanhado neste movimento do vir a ser. Que é, eu estou com raiva, alguém está com raiva permita que o tempo dissolva esta raiva. Isto é o condicionamento, é o hábito que se tem. E se você se apega a isto então não podemos pensar em conjunto. Por isso é importante descobrir se você está apegado a algo e ao mesmo tempo tentando pensar em conjunto. Certo? Se me apego à minha crença, à minha experiência segundo essa crença e você faz o mesmo, nunca poderemos pensar juntos, nunca iremos cooperar com o outro, não há ação que não seja divisória. Vocês estão acompanhando? Estamos preparados para investigar juntos – investigar significa olhar observar, pensar – racionalmente, de forma sensata, pacientemente, profundamente. A pessoa está livre para investigar esta questão: o eu, a atividade egocêntrica, o movimento constante, esteja você dormindo, acordado andando, sonhando, falando, é esta atividade básica constante do eu. Isto tem um amanhã, um final gradual? Ou uma progressão contínua, um refinamento? Tudo isto exige um amanhã. Agora, psicologicamente, existe um amanhã? Por favor, está é uma questão muito séria. O orador questinou alguém há um tempo atrás e a pessoa disse: « Ah, Deus, vou encontrar meu marido amanhã ». Vocês entendem? Ah, vamos, não há nada de difícil nisso, não se confundam. Toda a esperança dela, o prazer – entendem? – a memória do marido e se não há amanhã, e o meu marido? (Risos) Certo? Por favor, juntos. Estamos livres para investigar juntos esta questão. O orador não está impondo nada a você. Mas é muito importante descobrir se há um amanhã. Se não há amanhã, o que acontece? Sabemos o que acontece quando nós permitimos múltiplos amanhãs: postergação, preguiça, indolência, atingir algo gradualmente iluminação – vocês entendem? – Nirvana, todo o resto. Progresso através de muitas vidas – vocês acompanham? Vocês estão acompanhando tudo isso, a seriedade desta investigação? Se não há amanhã psicologicamente então o que acontece com a qualidade da sua mente? A mente que está pensando em conjunto, qual é a qualidade da mente a mente, não sua mente, minha mente, mas a mente que observou todo este movimento gradual do « eu » vindo a ser que observou o que está envolvido nesta autorealização, tornar-se e o que está envolvido quando psicologicamente não há amanhã, nem futuro. Você entende, senhor? Psicologicamente então há uma revolução tremenda. Certo? Isto está acontecendo com você? Isto é o importante, não as palavras não o que o orador está colocando, mas realmente real significa aquilo que está ocorrendo agora, a realidade é uma realidade que investigando juntos a mente descobriu a verdade de que não há um amanhã, psicologicamente? Então o que ocorre com a qualidade da mente da pessoa? Vocês entendem o que estou dizendo? Todas as religiões, cristã, católica e todo o resto, todas disseram que o amanhã é importante. Amanhã no mundo cristão, uma vida. Quando você morre, uma vida apenas. Os asiáticos dizem: múltiplas vidas. Provavelmente você nem acredita ou aceita uma das duas – eu não sei. Mas quando você começa a investigar todo o movimento psicológico o « eu », o « X » tornando-se, vindo a ser – você entende? – o que está envolvido? Gradualmente você sofre e continua gradualmente diminuindo o sofrimento até que no fim está livre, seja nesta vida ou em vidas sucessivas. Os cristãos aceitam esta vida, um vida e os asiáticos aceitam muitas, muitas vidas – você compreende? Que é: psicologicamente uma vida e psicologicamente múltiplas vidas. E juntos, você e eu, nós olhamos sem qualquer preconceito, sem qualquer conclusão, estamos observando o fato, como as pessoas são apanhadas nisso. E também estamos perguntando: se não há psicologicamente um amanhã, o que acontece com a sua mente com a sua ação, o seu comportamento, com a sua responsabilidade? Vocês entedem a minha questão? Vocês entenderam a minha questão? – a questão? Qual é a sua conduta se não há amanhã? Conduta significando responsabilidade em relação ao outro em ação. Você entende, senhor? Então qual é o seu relacionamento com o próximo? Por favor estamos investigando juntos não olhe para mim e diga: « Por favor me conte ». Porque não há um você e um eu neste pensamento nesta observação, nesta qualidade de ouvir. Qual é o seu relacionamento com o próximo quando não há um amanhã, psicologicamente? Ou você se desespera, porque isto é um choque, você entende? Ou você se desespera ou desiste e diz: « Eu não sei » – deixa isso pra lá. Mas se você está empenhado neste pensar conjunto e investigar este negócio progressivo e o fim do hoje, psicologicamente então o que acontece realmente – realmente no sentido do que está acontecendo neste momento – no seu relacionamento com o próximo? Relacionamento sendo não apenas o contato físico, sexo e todo o resto mas também o relacionamento psicológico de dependência, apego conforto, solidão, todo o resto, o que acontece? Você pode me dizer? Ou isso é totalmente novo pra você? Você está ouvindo pela primeira vez e por isso não há uma resposta imediata. Certo? E por quê não? Você está entendendo? Não sei se está. Se não há futuro sem futuro, o futuro com o qual você está acostumado, nós sabemos bem: a visão, a imagem, o prazer, o desejo por sucesso espiritual e material, o padre querendo tornar-se bispo o bispo querendo tornar-se cardeal, o cardeal tornando-se o Papa toda a algazarra disto, e no mundo também, então se vocês vissem que isto implica num conflito constante, uma luta constante um sentimento implacável do « eu » agressivamente, forçando, forçando. E assim nesta realização agressiva há segurança a esperança de ter segurança. E no relacionamento a segurança no outro, com todas as suas implicações: ansiedade, ciúmes, descontentamento, lágrimas nós conhecemos tudo isso muito bem. Mas se não existem estes contínuos amanhãs qual é o relacionamento com o outro, íntimo ou não? Vamos lá senhores, descubram. Você percebe que se você entendeu a qualidade de pensar conjuntamente pensar em conjunto, não em algo, mas pensar juntos, você e eu então para onde este pensamento em conjunto direciona o meu relacionamento com o outro? Vocês estão acompanhando? A outra pessoa não sabe nada sobre isto, vamos supor. O outro está apegado e etc, qual é a sua relação com o outro se houver esta qualidade de pensamento que é absolutamente unida, não é divisória? Vocês querem que eu diga a vocês?

PJ: Não senhor.

Krishnamurti: Tudo bem, senhor. Quando você diz « Não senhor », então nós estamos juntos.

PJ: Não exatamente, senhor.

Krishnamurti: (Risos) Você percebe, está é a nossa dificuldade. Você quer pensar conjutamente comigo e eu não consigo largar minha ambição, vaidade, meu preconceito. Eu não consigo porque você diz, « Olha, vamos pensar juntos para que tenhamos esta qualidade, este espírito de cooperação no pensar ». E eu não consigo, porque estou apegado ao meu pensamento às minhas memórias, à minha experiência, ao meu saber acumulado. E sou eu quem criou a divisão e não você. Você entende? Você entende? Você está fazendo isto? Porque se você está pensando tendo esse espírito, então se não há amanhã, o quê? Você está deixando escapar, vamos senhor! É exatamente o que está ocorrendo (risos) entre você e o orador. O orador diz: « Eu não tenho problemas pessoais », o que é um fato. « Não tenho crença », o que é um fato. « Não tenho experiência ». Tive muitas mas eu não as carrego, elas se foram. Não estou preso em minha opinião particular, preconceito, avaliações. Certo? É um fato. Eu estaria sendo hipócrita, se dissesse o contrário. Pois então vamos pensar juntos e ver a beleza de pensar em conjunto. E você diz « Como posso deixar meu conhecimento, experiência, não posso, eu os amo ». « Isto é a minha vida ». Então você cria uma divisão no mundo – alemão, nacionalista, entende? Tanto externa quanto internamente. E onde há divisão haverá conflito, isto é uma lei: os católicos, os protestantes, os comunistas, os totalitários. Por isso o orador diz: « Por favor, meu amigo, vamos pensar juntos ». Entende, senhor, o que aconteceu? Quando pensamos em conjunto, você perde toda a sua personalidade. Ah, vocês não percebem. Vocês acompanham? Você não é mais o Sr. Smith e o Sr. K. Ah, vamos senhores! Que horas são, senhor? Este é o propósito destas palestras e diálogos que nós juntos dissolvamos nossos problemas porque problemas egocêntricos são maiores do que os problemas do mundo – políticos de energia, vários países divididos, não são nada comparados a isto. Porque quando você resolve isto, você é o mestre do mundo. Vocês entendem? Mestre. Não se percam em (Risos) Eu acho que é o bastante para esta manhã, não é? Basta? Bene.

First Public Talk in Saanen

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