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A libertação do eu

Third Public Talk at Brockwood Park

Saturday, September 3, 1983

Sinto por estarmos tendo um tempo tão ruim. Eu gostaria que tivéssemos aguardado apenas por mais dois dias. Podemos continuar de onde paramos no último domingo? Primeiramente, se podem lembrar-se, isto não é uma conferência... ...sobre um determinado assunto com a intenção de ser informado, instruído. Não é uma conferência. Estamos conversando juntos sobre problemas humanos... ...não somente os problemas diários de nossa vida, com toda a lida da existência... ...mas também deveríamos ir muito mais fundo, talvez irmos juntos na investigação... ...o que está além de todo o tempo, qual é... ...a fonte, a origem, de toda a criação? E para entrar nessa área toda deve-se começar, certamente... ...com todos os conteúdos de nossa consciência, com o que somos... ...nossas reações, nossas anxiedades, solidão... ...depressão, exaltação, medos, a continuidade do prazer. E investigar também se é possível findar todo o sofrimento. E também deveríamos investigar esta manhã, e talvez amanhã de manhã... ...a natureza do morrer, o que é religião... ...meditação, e toda a limitação do tempo. Temos de cobrir muita coisa nestas duas palestras. Assim devemos ir muito a fundo nesta matéria... ...porque sempre podemos arranhar... ...a superfície como geralmente o fazemos e descobrir muito pouco. Mas se pudéssemos ir muito, muito mais à fundo na questão toda... ...de se o conteúdo de nossa consciência pode em algum momento chegar a um fim; ...isso é, o fim de todas as nossas feridas, dores psicológicas, medos... ...além de todas as memórias as quais nos apegamos, e a dor, o prazer... ...a grande quantidade de pesar e sofrimento... ...tudo o que compõe a nossa consciência que é o que nós somos. Como muitos de nós estão preocupados consigo mesmos, com nossas próprias realizações... ...com nossos próprios sucessos, fracassos e dando grande importância a nós mesmos... ...em fazer pequenas coisas – se tudo isso pode findar... ...e descobrir algo totalmente novo. Não somente descobrir, mas experimentar. Deve-se ser muito cuidadoso no uso da palavra « experimentar ». Realmente não há nada para experimentar. Se você for além do tempo, se isso é possível... ...e além do medo e assim por diante, há algo para experimentar? Vamos entrar nisto tudo esta manhã e amanhã de manhã, juntos. Vocês não estão meramente escutando o orador, um monte de palavras... ...um monte de palavras juntadas numa sentença e em idéias... ...mas juntos vamos investigar isto tudo e ver se nossos cérebros... ...que têm sido tão fortemente condicionados, programados... ...se esses programas podem chegar a um fim... ...e nunca mais serem programados. Tudo isto requer muita intenção séria e considerável atenção. E se estamos dispostos, esta manhã e amanhã, a dedicar nosso interesse... ...não apenas superficialmente mas dar nossa atenção profundamente a isso... ...talvez possamos entrar juntos nisto tudo... ...e ver se há algo infinito além de todo o tempo. Podemos fazer isso esta manhã e amanhã? Primeiramente... ...percebemos que o pensamento é um processo material e portanto limitado? E qualquer ação baseada nessa limitação deve inevitavelmente criar conflito. E assim o pensamento é um processo material. A matéria é energia limitada. E o conteúdo total de nossa consciência... ...é o resultado do processo material do pensamento. Certo? Temos dito repetidas vezes... ...pelos últimos incontáveis anos que o pensamento é um processo material. E o conteúdo de nossa consciência... ...com todas as reações e respostas e assim por diante... ...são reunidas pelo processo material do pensamento que é limitado. Assim nossa consciência, que é o que nós somos... ...o que quer que pensemos ser – é sempre limitada. Quando se está preocupado consigo mesmo, com seus problemas... ...com seus relacionamentos, com seu « status », e assim por diante... ...esta preocupação consigo mesmo é um assunto muito pequeno, um assunto muito limitado. Certo? Vemos realmente isto ou é apenas uma idéia a ser perseguida... ...investigada e então chegar a uma conclusão... ...e aceitar essa conclusão e dizer, « Eu sou isso ». Ou vemos imediatamente, instantâneamente, que toda a atividade auto-centrada... ...é muito, muito limitada – seja em nome da religião... ...em nome da paz, em nome de levar uma vida boa, e assim por diante... ...esta atividade auto-centrada é sempre limitada... ...e portanto a causa do conflito. Percebemos realmente isso? Ou isso é meramente uma idéia? Vemos a diferença entre a realidade e a idéia? Se se persegue a idéia, então se está seguindo algum tipo de ilusão. Mas se realmente se percebe a atividade auto-centrada... ...egotista é muito, muito, muito pequena e separada... ...e portanto a causa básica do conflito é o ego. Gostaria de saber quantos de nós ouvem isto e realmente o percebem. E o ego, a psique, a persona... ...é o inteiro conteúdo da nossa consciência... ...que é o nosso condicionamento... ...que é o nosso ser programado por milênios e milênios... ...que é a total estrutura do conhecimento. Estamos juntos nisto tudo? Ou estou falando russo ou chinês? Se o orador não está satisfazendo em chinês ou numa língua peculiar... ...e portanto não há comunicação entre nós... ...mas deveria haver clareza e comunicação quando ambos estamos olhando... ...para estes enormes, complexos problemas da existência de nossa vida diária... ...monótona, entediante, excitante, satisfazendo-se, perseguindo várias formas de prazer... ...e finalmente, quer se tenha uma vida divertida ou uma vida miserável... ...finalmente terminando na morte. Certo? Assim nossa vida geralmente é bastante superficial. Tentamos dar sentido a essa superficialidade... ...mas esse sentido também... ...esse significado, ainda é superficial. Assim poderíamos esta manhã, percebendo tudo isto, seguir e descobrir por nós mesmos... ...não ser informado pelo orador, não ser instruído pelo orador... ...mas juntos explorar o que realmente nós somos... ...e destruir esta limitação e ir, se possível, mais adiante? Isto está claro – o que estamos fazendo esta manhã e amanhã – juntos? O conteúdo da nossa consciência – um dos fatores – é o medo. E a maioria de nós sabe o que é o medo – seja ele superficial... ...ou profundamente incrustado nos próprios recantos do nosso cérebro. Todos nós estamos com medo de alguma coisa. Certo? Assim pode esse medo terminar psicologicamente? Comece com isso. Então podemos perguntar se também há medos físicos... ...e sua relação com a psique, medos psicológicos. Assim, estamos investigando juntos a natureza do medo... ...não as várias formas do medo. Pode-se ter medo da morte, pode-se ter medo da esposa ou do marido... ...pode-se ter medo de várias coisas. Mas estamos interessados no medo em si mesmo... ...não o medo de alguma coisa ou medo do passado ou do futuro... ...mas a reação real que é chamada medo. Estamos juntos pelo menos nisto? Assim, qual é a causa, a raíz do medo? É o pensamento e é o tempo? Devemos cobrir muita coisa, assim devemos ser breve. É o pensamento – pensar sobre o futuro ou pensar sobre o passado? E assim, é o pensamento uma das causas do medo? E o tempo é também a causa – tempo, como ir envelhecendo, como a maioria de nós está. No momento em que nascemos já estamos envelhecendo. E o tempo como futuro – não pelo relógio, pelo dia ou pelo ano... ...mas o tempo como um movimento d´'o que é » para « o que deveria ser »... ...'o que poderia ser », « o que tem sido », dissemos o movimento total do tempo... ...o processo psicológico do tempo – é essa uma das causas do medo? A memória de alguma dor, tanto física como psicológica... ...que poderia ter acontecido algumas semanas atrás... ...e lembrando-se disso e ficando... ...com medo de que isso poderia acontecer novamente... ...o que é o movimento do tempo e do pensamento. Assim o tempo e o pensamento – são eles as causas do medo? Certo? E este tempo que é pensamento, porque pensamento como dissemos... ...é a resposta da memória que é conhecimento e experiência... ...assim conhecimento é do tempo, e conhecimento... ...pode ser uma das causas do medo. Gostaria de saber se estão acompanhando. Certo? Assim estamos dizendo, tempo, pensamento, conhecimento, que não são separados... ...que é um real movimento unitário, o qual pode ser a causa do medo. E é a causa do medo. Certo? Então, quando se percebe isso, mesmo intelectualmente, verbalmente... ...é possível por fim a esse medo? Certo? O que significa, pode o pensamento? Qual é sua resposta? Estão esperando por mim para instruí-los? Portanto não estamos trabalhando, pensando, investigando juntos. Certo? Vocês estão esperando pelo orador para responder a essa pergunta. E isso significa que nossos cérebros têm sido condicionados, treinados... ...educados para aprender de outra pessoa, ser instruído por outrem. E aqui nos recusamos a instruí-los ou dizer-lhes o que fazer. Não temos nenhuma autoridade para dizer-lhes o que fazer... ...não como estes gurus feios e abomináveis. Assim nós estamos juntos. Por favor, é importante compreender o que isso significa, « juntos ». Não vocês e eu trabalhando separadamente – juntos olharmos para isso. Juntos vermos o movimento total do medo, o que está envolvido nisso. Por que a humanidade tem suportado este medo por milhares de anos... ...e não o tem resolvido? Eles o têm transmitido e aceito como norma de vida, como um modo de viver. Mas se começam a perguntar, como estamos fazendo agora... ...perguntar se o medo jamais pode terminar por completo psicologicamente. Portanto, devemos compreender a causa. E onde há uma causa, há um fim. Se alguém tem algum tipo de doença e se... ...após o diagnóstico você descobre a causa, a doença pode ser eliminada. De modo similar, se podemos descobrir a causa... ...a causa básica, a causa fundamental, então o medo pode terminar. Certo? Assim juntos estamos dizendo que tempo e pensamento são... ..ou tempo-pensamento, não duas coisas separadas, é a raiz do medo. Certo?

PJ: O medo não é sempre precedido pelo desejo? Senhor, por favor não faça perguntas agora... ...isso foi anteontem, e na terça-feira. O desejo também é parte do medo. Investigamos isso muito cuidadosamente outro dia – a natureza do desejo. Querem que eu investigue isso novamente?

PJ: Não. Por que você diz não? Temos entendido a natureza e todo o movimento do desejo? Vejam, por favor, nós não escutamos, não o orador, mas nós mesmos. Nunca dizemos, « O que é o desejo? Por que somos escravos do desejo? » Dissemos que o desejo é sensação. Essa sensação – o ver, o contato, sensação – então o desejo surge. Ou seja, o pensamento cria a imagem a partir dessa sensação... ...então nesse momento, segundo, o desejo nasce. Claro? Não. E eu não vou investigar isso tudo porque o fizemos no outro dia... ...muito cuidadosamente e profundamente – em toda a natureza do desejo. E o desejo também é um dos fatores do medo. Desejo é pensamento com sua imagem. Se você tem um desejo sem imagem alguma, não há desejo. A visão de uma blusa ou saia azul ou qualquer coisa que for na vitrina... ...e entrando na loja e a tocando, sensação. Então o pensamento cria a sua imagem com essa camisa... ...então o desejo, nesse momento nasce. Assim o pensamento é essencialmente o movimento do desejo... ...e tempo-pensamento é a raiz do medo. Agora, percebe-se este fato real? Então como você observa esse fato? Eu percebo – suponha, eu percebo que o pensamento... ...com toda a sua complexidade, e o tempo também, é a raíz do medo. Então como percebo isso, sinto isso, estou cônscio disso? Entendem minha pergunta? Vejo isso como algo separado de mim... ...tempo-pensamento, algo separado de mim ou eu sou isso? Isso tudo está se tornando um tanto complexo? Eu sou a raiva, não sou? A raiva não é algo separado de mim. Eu sou a ganância, a inveja, a ansiedade. Certo? Gosto de pensar que é algo separado sobre o qual tenho controle. Mas o fato real é que eu sou tudo isso – até o controlador sou eu. Certo? Assim não há divisão entre ganância, raiva, ciúmes, e assim por diante... ...isso sou eu, isso é o observador. Certo? Agora, assim como é que eu observo... ...como se observa este fato que tempo-pensamento é medo? Como você observa isso? Entendem? Como você olha para isso? Como algo separado de você, ou você é isso? Se você é isso, e isso não está separado de você – certo? ...toda a ação cessa, não é? Antes, eu controlava, reprimia, tentava racionalizar o medo. Certo? Agora a pessoa vê que ela é tudo isso... ...e portanto todo o movimento do tempo e do pensamento pára. Devo prosseguir. Estamos juntos, um ou dois de nós? Vocês todos estão tão ávidos por agir. Deve-se agir, mas aqui você tem que olhar a coisa toda... ...sem nenhum sentido de fazer algo. Certo? Apenas observar sem nenhuma reação ou resposta àquilo que você observa. Certo? Então, também deveríamos entrar na questão por que o homem tem sofrido. E se há um fim para o sofrimento... ...não somente o sofrimento pessoal, mas o sofrimento da imensa humanidade. Certo? Não sejamos sentimentais a respeito disto... ...mas realmente todos nós sofremos de um modo ou de outro. O homem obtuso sofre, o mais intelectual e instruído artista... ...todo ser humano sobre a Terra, incluindo os líderes na Rússia... ...todo ser humano sofre. E estamos fazendo uma pergunta muito séria, se esse sofrimento pode terminar. Ou alguns de nós sentem prazer em sofrer, o que se torna neurótico. Assim não vamos nos preocupar com pessoas que gostam de sofrer... ...achando que o sofrimento de algum modo nos ajudará... ...a compreender este universo, a compreender a vida, e assim por diante. Certo? Assim, a pessoa sofre. Meu filho está morto, se foi. Mas a lembrança disso permanece, a lembrança da sua compania... ...da minha afeição, amor por ele, e assim por diante. A memória permanece. Certo? E essa memória é sofrimento? Por favor, investiguem juntos. Perdi minha esposa, ou não sou tão inteligente quanto você... ...não tão perspicaz, sensível quanto você e por isso sofro. Ou sofro de dez maneiras diferentes. E é o sofrimento, o verter de lágrimas, é isso a perda... ...a perda real, ou é a perda que causa várias lembranças, recordações. Vocês seguem tudo isto? É essa uma, ou talvez a maior causa do sofrimento? O homem, incluindo a mulher, o homem desde o seu princípio... ...tem tido guerras, matado pessoas. Certo? Esso tem sido nosso padrão de existência... ...guerra após guerra, matando milhares de pessoas. A humanidade tem sofrido. E ainda estamos prosseguindo nesse caminho da guerra... ...que tem causado um tremendo sofrimento para a humanidade. Certo? E temos o nosso próprio sofrimento pessoal. O sofrimento é o mesmo seja seu ou meu. Gostamos de nos identificar a nós mesmos com o « meu » sofrimento... ...e você gosta de identificar-se com o seu sofrimento. Mas o seu sofrimento e o meu é o mesmo. Os motivos do sofrimento podem variar, mas sofrimento é sofrimento... Portanto não é pessoal. Gostaria de saber se percebem isto? Certo? Não, é muito difícil de se ver a verdade disto. Se você sofre e eu sofro – você sofre por uma razão... ...e eu sofro por outra, e nos identificamos a nós mesmos... ...com o « meu » sofrimento pessoal e você com o seu, nós nos dividimos... ...e então encontramos meios e modos de... ...suprimí-lo, racionalizá-lo, e assim por diante. Mas se percebemos que esse sofrimento é o sofrimento... ...de toda a espécie humana, de toda a humanidade... ...e somos o resto da humanidade porque temos medos, sofrimento, prazer... ...ansiedade, como o resto da humanidade... ...se percebemos que o sofrimento não é o « meu » sofrimento, isso se torna uma questão insignificante. Ou seja, somos o todo da humanidade, somos o resto da humanidade... ...e quando há sofrimento, o sofrimento é o sofrimento do homem. Então se tem uma abordagem do problema totalmente diferente. Compreendem? Não meu sofrimento, « Deus, por favor ajude-me, ...como superar isso, como entender isso ». Eu rezo, e tudo isso torna-se tão pessoal, uma questão ínfima. Certo? Mas quando é o resto da humanidade que... ...tem sofrido, então o sofrimento se torna... ...uma coisa extraordinária para a qual se tem de olhar muito cuidadosamente. E se um ser humano compreende a natureza do sofrimento... ...e vai além dele, então ele ajuda o resto da humanidade. Certo? Agora, é o sofrimento uma lembrança? A mãe ou o pai cujo filho foi morto... ...na recente guerrinha particular de vocês, as Malvinas – morto lá. E a mãe e o pai lembram todas as coisas que ele fez: ...a morte, o nascimento, as imagens, as fotografias, todos os incidentes... ...e acidentes, o riso, as lágrimas, repreensão – acompanham? Assim estamos pedindo, por favor descubram por vocês mesmos... ...se o sofrimento é parte desta continuidade da memória. E se é a memória, não a reduza apenas a algumas palavras. É um conteúdo imenso. E se é a memória, pode essa memória, não somente do meu filho em particular... ...mas a memória do sofrimento da humanidade, memória que é sofrimento... ...pode essa memória chegar a um fim? Compreendem? Portanto deve-se investigar... ...não uma memória particular, mas o inteiro movimento da memória. Certo? Vivemos de memórias, somos memórias. Somos a palavra, a reação a essa palavra, o prazer derivado da palavra... ...a lembrança de todas as coisas que... ...existiram, aquele símbolo, aquele incidente... ...acidente armazenado no cérebro... ...que é despertado quando um incidente ocorre. Certo? E memória é o passado. Certo? Assim somos o passado. Pode este inteiro movimento do passado, que é tempo, que é pensamento, findar? Não o pensamento na nossa vida diária, não estamos falando disso... ...não estamos falando quando o pensamento... é usado para dirigir um carro... ...para escrever uma carta, um poema, escrever isto ou aquilo. Nesse ponto o pensamento, o conhecimento... ...é absolutamente necessário. Estamos falando deste movimento psicológico... ...total que é baseado na memória. Assim, estamos fazendo uma pergunta muito mais profunda que é: ...pode o eu, o « mim », o ego, toda esta atividade auto-centrada... ...que é o movimento da memória, pode esse eu findar? Não pela disciplina, pelo controle, pela repressão... ou identificação com alguma coisa maior... ...que ainda é o movimento do eu. Pode esse eu findar? Você podia então perguntar, « Se o eu termina, que lugar há... ...para mim na sociedade? O que farei? » Certo? Certo senhor? Primeiro acabe com ele e então descubra – não o inverso. Esta é uma questão muito, muito séria. Ninguém no mundo ou além dele pode lhe dizer... ...talvez a maioria de nós tente obter instruções do outro mundo. Ninguém na Terra pode lhe dizer como acabar com ele. Mas se se observa todos estes fatos sem quaisquer reações... ...eu observo o fato que estou ferido psicologicamente porque minha filha... ...meu filho, meu pai fez algo que me magoou... ...se eu conseguisse observar essa mágoa sem uma única resistência... ...sem qualquer ação de que eu não deveria me magoar, ou mantém a mágoa... ...a maioria das pessoas faz, através de toda... ...a sua vida elas carregam sua mágoa. Mas observar esta mágoa, ferida psicológica, sem nenhuma reação a ela... ...então se vê que essas mágoas desaparecem completamente. Certo? Assim do mesmo modo, apenas observar, observar a memória como ela surge... ...ver a natureza dela, a sua evolução. A inteira natureza da atividade de nossa vida diária está baseada nisto. E a memória é muito, muito limitada. O pensamento pode inventar o infinito, mas ele próprio sendo limitado... ...a sua infinitude também é limitada, finita, mas pode supor que ele seja infinito. Assim, tudo isto implica em completa liberdade. Certo? Não somente liberdade de alguma coisa, mas a qualidade da liberdade... ...que não está baseada em qualquer reação... ...qualquer recompensa ou punição. Para investigar isso também, deve-se... ...compreender a natureza da morte, o morrer. Estão interessados nisto tudo? Ao menos isto ainda os entretém? Vejam que se deve investigar com muita serenidade... ...não histericamente, este problema muito complexo. Morrer ou chegar a um fim é aquilo em que estamos interessados... ...conversando sobre, porque é parte da nossa vida. Não somente sobre nascermos e toda a educação e todas as dificuldades... ...e todas as ansiedades, e assim por diante, mas também a morte é parte da nossa vida... ...está aí, gostem vocês ou não; sejam vocês ingleses ou franceses... ...está aí; seja você jovem, de meia idade ou velho... ...doença, acidente – ela está aí. E deve-se compreender o que ela é, como se deve compreender a vida antes da morte. Temos tentado compreender juntos o que a vida é antes da morte... ...medo, feridas, sofrimento, dor, ansiedade, trabalho... ...ir ao serviço desde a manhã até a noite. Tudo isso é parte da nossa vida, viver, e também o fim de tudo isso. Espero que esta mosca vá para vocês. Ela parece ter gostado de mim. Pode-se ter tido uma vida muito boa, agradável, bem sucedida, ser alguém no mundo... ...poder, posição, dinheiro, mas no fim a morte está lá. Gostamos de adiá-la e afastá-la o mais longe possível, colocá-la distante. Assim, vamos juntos investigar. O organismo morre, naturalmente. Viverá tanto quanto possível se o usarmos adequadamente. Não entraremos na questão da saúde. Sei que estão todos interessados na saúde mas não entraremos nisso agora. O que é morrer? Não pular da ponte, não fazer algo para se matar... ...mas vivendo como estamos agora, sentados... ...aqui sob a tenda, o que é a morte? Independente de todo o organismo físico... ...o cérebro com a falta de oxigênio definha e há a morte? Mas estamos perguntando, a morte é um fim? Certo? Um fim de tudo o que tenho tido... ...minha esposa, meus filhos, meus livros, meu « status », meu poder, minha posição... ...vocês sabem – tudo isso vai chegar a um fim. E também, devemos investigar a questão, que é a questão... ...do Oriente, que é a reencarnação, renscer um apróxima vez. Assim uma série de vidas até você alcançar seja o que for... ...vocês sabem, o princípio supremo, e assim por diante. Eles acreditam nisso muito fortemente... ...mas não investigam profundamente o que é que continua. Certo? É o « eu » que vai continuar... ...ou há alguma coisa além do « eu » que vai continuar? Certo? E se há alguma coisa além do « eu », minhas idéias, minhas opiniões... ...minhas conclusões, e assim por diante, a cerca das quais falamos antes. Se esse « eu » é a palavra, o nome, as lembranças, isso vai continuar? Certo? Ou há uma entidade espiritual... ...a alma no mundo cristão e no mundo budista... ...o mundo hindu tem palavras diferentes – isso continuará? Então essa coisa que está além de mim ou que está em mim mas o « eu » a encobre. Então se essa é uma entidade espiritual, deve estar além do tempo e além da morte. Certo? Portanto essa entidade não pode reencarnar. Certo? Assim as pessoas gostam de acreditar nisso tudo porque é um grande conforto. Nascerei na próxima vida. Tenho tido uma vida pobre, na próxima vida terei uma casa melhor. Na outra vida viverei numa casa maior ou serei um rei... ...ou alguma outra bobagem. Assim se colocarmos de lado todo esse tipo de... ...buscas ilusórias e encararmos o fato... ...que psicológicamente há um fim, um fim completo. O « eu », com todas as suas memórias, chegou a um fim – isso é o morrer. E não gostamos disso. E assim procuramos várias formas de conforto, crenças,... ...fé, resurreição e – vocês sabem, tudo isso. Agora, enquanto vivemos, podemos findar alguma coisa sem qualquer causa... ...sem qualquer futuro – findar alguma coisa? Compreendem minha pergunta? Tome por exemplo: colocará fim a todo apego: ao seu nome... ...apego à sua mobília, à sua esposa, ao seu marido... ...ao seu jardim, apego às suas idéias, preconceitos... ...por fim a todos os apegos enquanto vivemos? Isso é o que vai acontecer quando realmente morrerem. Certo? Assim façam isso agora e vejam o que isso significa. O findar é extraordinário, tem uma extraordinária qualidade por trás disso. Não há apego à qualquer coisa. Isso é liberdade, e quando há esse tipo de liberdade a morte não amedronta. Compreendem? Porque já estão vivendo com a morte. Os dois seguem juntos, o viver e o morrer. Vocês vêem? Não, não vêem. Compreendem a beleza disso? A qualidade da completa liberdade de todo o medo. Porque onde há apego há ciúme, ansiedade, ódio. E quanto mais apegados estiverem mais dor existe. Vocês sabem tudo isto. Se for a sua esposa ou seu marido e disser... ...'Eu não estou mais apegado a você », o que aconteceria? Isso nega o amor? Isso nega o relacionamento? Apego é amor? Continuem, investiguem tudo isto e quanto mais fundo investigarem... ...mais vitalidade e segurança se tem. Isso não é derivado de quaisquer drogas ou qualquer estimulação. Seria melhor parar agora e continuarmos amanhã de manhã. Por favor, vamos discutir amanhã de manhã... ...muito cuidadosamente qual é a origem de tudo isto, o começo de tudo isto. Por que o homem tem de passar por toda esta miséria, confusão, prazer e alegrias ocasionais. A menos que se compreenda a criação desde o seu exato começo... ...e na compreensão disso... ...este extraordinário sentimento de não-tempo e de não-começo ou fim. Posso me levantar?

Third Public Talk at Brockwood Park

Saturday, September 3, 1983

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