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Meditação Diária com Krishnamurti


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A Desordem que é Criada pelo Tempo


O tempo é o movimento que parte do que é para «o que devia ser». Tenho medo, mas um dia conseguirei libertar-me do medo; portanto, o tempo é necessário para que me possa libertar do medo — ou pelo menos é assim que pensamos. Para passar do que é para «o que devia ser» preciso de tempo. Agora, tempo significa que existe esforço nesse intervalo entre o que é e «o que devia ser». Não gosto do medo, e portanto vou fazer um esforço para o compreender, para o analisar, para o dissecar, ou vou descobrir a sua causa, ou vou fugir totalmente a ele. Tudo isto implica esforço - e o esforço é aquilo a que estamos acostumados. Estamos permanentemente em conflito entre o que é e «o que devia ser». «O que eu devia ser» é uma ideia, e a ideia é fictícia, não é «o que eu sou», que é o fato; e «o que eu sou» só pode ser alterado quando compreendo a desordem que é criada pelo tempo.

... Portanto, será que é possível que eu me consiga ver totalmente livre do medo, completamente, no mesmo instante? Se permito que o medo permaneça, criarei sempre desordem, não um meio de me ver definitivamente livre do medo. Assim, não existe um processo gradual para nos libertarmos do medo, da mesma forma que não existe nenhum processo gradual que nos permita libertar do veneno do nacionalismo. Se vocês forem nacionalistas e disserem que um dia todos os homens se sentirão irmãos, no intervalo entre uma coisa e outra, acontecem guerras, ódios, miséria, e toda esta aterradora divisão entre um homem e outro; portanto, o tempo está a criar a desordem.

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