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Meditação Diária com Krishnamurti


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A Bondade Não Tem Motivo


Se eu tiver um motivo para ser bom, será que isso faz nascer a bondade? Ou será a bondade algo que é completamente desprovido desta ânsia de ser bom, que está sempre baseada num motivo? Será o bem o oposto do mau, o oposto do mal? Cada oposto contém em si a semente do seu próprio oposto, não é assim? Existe a ganância, e existe o ideal da não-ganância. Quando a mente procura a não-ganância, quando ela tenta deixar de ser gananciosa, está a continuar a sê-lo, porque está a querer ser algo. A ganância implica desejar, adquirir, expandir; e quando a mente vê que ser gananciosa não compensa, começa a desejar deixar de ser gananciosa, portanto o motivo continua a ser o mesmo, o de ser ou de adquirir algo. Quando a mente quer deixar de querer, a raiz do querer, do desejo, ainda permanece lá. Portanto a bondade não é o oposto do mal; é um estado totalmente diferente. E o que é esse estado?

É óbvio que a bondade não tem motivo, porque todo o motivo tem a sua base no «eu»; é o movimento egocêntrico da mente. Portanto, o que queremos dizer quando falamos de bondade? Certamente só existe bondade quando há uma atenção total. A atenção não tem motivo. Quando existe um motivo para a atenção, haverá realmente atenção? Se presto atenção, porque quero adquirir algo, a aquisição, seja ela boa ou má, não é atenção — é uma distracção. Uma divisão. Só existe bondade quando há uma totalidade de atenção na qual não se verifica nenhum esforço para ser ou para não ser.

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